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Uma história sem meio

15.01.09

por Taís Oliveira

O corajoso ratinho Despereaux

(The Tale of Despereaux, EUA/Reino Unido, 2008)

Dir: Sam Fell e Rob Stevenhagen
Vozes: Matthew Broderick, Dustin Hoffman, Sigourney Weaver, Emma Watson, Kevin Kline

Princípio Ativo:
coragem

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Não dá para entender como a mesma história que deu origem a “O Corajoso Ratinho Despereaux” é um best-seller nos Estados Unidos. A começar pelo título. Ao contrário do que parece, o protagonista (uma versão moderna do Topo Gigio, ou uma mistura de Dumbo com Ratatouille como foi dito por aí) é quase um coadjuvante no meio de tantas sub-tramas e personagens. Difícil imaginar uma criança acompanhando tudo com facilidade.

Quando é criado o interesse na história de um personagem, vem um balde de água fria e apresenta outra história de outro personagem, numa seqüência de “era uma vez...” que dura a imensa maioria do filme. Durante todo o tempo há uma ansiedade de saber quando, depois de tanta falação e histórico de personagens, alguém vai fazer alguma coisa. E isso acontece só por alguns minutos, bem no final. Foram quatro anos e muitas estrelas para os diretores Sam Fell (Por água abaixo) e Robert Stevenhagen fazerem um filme que não agrada adultos e não parece exatamente apropriado para crianças.

Diferentemente das aventuras, em que para cumprir sua missão o protagonista enfrenta vários desafios que dão tensão e ritmo ao filme, o roteirista Will McRobb (do também fraco “Alvin e os esquilos”) deixa tudo por conta da sorte (ou azar) - do problema à solução. O ratinho é sim corajoso, mas não tem um objetivo; tudo é culpa do acaso, da hora certa. Mesmo ensinando sobre coragem e honradez, McRobb parece não se importar com o fato de Despereaux não cumprir sua primeira missão, nem em terminar a história para a princesa (ele acaba fazendo isso de maneira torta, mas sem consciência).

Se “O Corajoso Ratinho Despereaux” esquenta um pouco o termômetro, é por três razões. A animação em si é boa, cheia de cenários bonitos que lembram pinturas (a inspiração foi flamenca), contrastando com o universo “computadorizado” dos personagens. O simpático protagonista e seu colega Roscuro ficaram encantadores e os detalhes, como as roupas feitas de sobras de tecidos e os elementos de humanos inseridos no mundo dos ratos, ótimos.

As frutas e legumes são perfeitas, o que leva ao segundo motivo: Boldo, o excêntrico gênio da sopa, um cozinheiro italiano feito de legumes e frutas que é o melhor personagem do filme. A terceira conquista é a sopa. Dá para sentir o cheiro quando ela é preparada, e fica impossível sair do filme sem querer experimentar a receita do chef André (ou pelo menos tentar em casa).

Mais pílulas:
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Despereaux pergunta ao gênio e a André: “Como ser Ratatouille?”

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