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20.01.09

por Mariana Souto

Quarentena

(Quarantine, EUA, 2008)

Dir.: John Erick Dowdle
Elenco: Jennifer Carpenter, Steve Harris, Jay Hernandez, Johnathon Schaech, Columbus Short, Andrew Fiscella

Princípio Ativo:
[REC]

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Escrever sobre “Quarentena” me parece uma tarefa desconfortável, já que ele é a refilmagem quase exata de um outro filme – o recente espanhol “[REC]”. Tudo de bom e ruim que for mencionado sobre o filme seria mérito/demérito do original, provavelmente refilmado apenas para que os americanos não precisassem ler legendas.

Contudo, existem algumas pequenas diferenças. “Quarentena” parece ter uma câmera um pouco menos instável, um pouco menos radical, e o cameraman - que corresponde à figura de um narrador, os olhos através dos quais temos acesso a todos os acontecimentos - é um personagem mais ativo. Ele não só aparece e fala mais, como muitas vezes deixa de ser apenas observador para agir e até matar zumbis – com a câmera, diga-se de passagem. O ‘auxílio’ da repórter Ângela Vidal (a Jennifer Carpenter de “O exorcismo de Emily Rose” e “Dexter”), porém, ainda faz com que ela corresponda à figura do diretor, com seus gritos de “filma isso!”.

As questões sociais disfarçadas de terror também continuam lá. No microcosmo desse edifício, pequena Babel, há imigrantes de várias partes convivendo com nativos e seus preconceitos – ao ponto dos estrangeiros serem acusados de terem iniciado a situação. (início de spoilers) A paranóia dos Estados Unidos apresenta para “Quarentena” a explicação da raiva, como se algum maluco tivesse feito uma mutação do vírus em seu porão. Já na Espanha católica de “[REC]”, era o caso da menina Medeiros e sua possessão demoníaca estudada pelo Vaticano que encobria o que, na verdade, tratava-se de um vírus que afeta o comportamento. Fato é que em ambos os filmes as explicações soam excessivas, desnecessárias. (fim de spoilers)

“Quarentena” é eficaz em manter um constante clima de tensão. O realismo do início, quando Ângela ainda está no quartel dos bombeiros, é especialmente convincente, com boas atuações, tédio e personagens em risinhos constrangedores. Aos poucos, caminha para o pânico e a histeria, embora esta talvez seja mesmo inevitável naquela situação.

Assim como “A Bruxa de Blair”, “Cloverfield” e outros filmes, “Quarentena” é todo filmado por uma câmera subjetiva. A novidade dessa vez é por se tratar de uma equipe de TV, o que dá abertura para abordar o sensacionalismo e as ambições desenfreadas de alguns desses profissionais. E, como nos outros filmes, também se vê resquícios de uma discussão sobre sua função social de registro histórico. Afinal imagens são imortais; humanos, não.

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