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The Edukator

24.04.09

por Rodrigo Ortega

Leonard Cohen - Live in London

(2009)

Top 3: "Suzanne", "Anthem", "Halellujah"

Princípio Ativo:
Generosidade

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Se Live in London, novo trabalho do canadense Leonard Cohen, fosse um filme, os críticos mais exigentes iam dizer que a história foi forçada demais para ser uma metáfora da crise econômica atual. Só que ele é um disco (duplo) e não é ficção.

O CD registra o primeiro show de Cohen desde 1994, quando ele foi viver em um mosteiro budista. Em 2005 o cantor descobriu ter sido vítima de um golpe milionário do seu ex-empresário. Após uma longa e inútil batalha judicial, ele não teve outra saída para fugir da falência: como um Mickey Rourke da paz, Leonard Cohen retornou aos holofotes.

A única solução para a irresponsabilidade financeira alheia foi voltar a apostar em manifestos que há pouco tempo pareciam datados, mas hoje são mais do que necessários – deve haver uma frase igual a essa na pauta da última reunião do G-20.

Sim, ele canta “Hallelujah”. Antes disso, conta ao público: “Meu último show em Londres foi há 14 anos”. Eu tinha 60, era só um garoto com sonho maluco”, brinca. No mesmo ano do penúltimo show, Kurt Cobain se matou. Cohen é um Cobain que sobreviveu, um Jeff Buckley que não se afogou. O mundo que volta a usar “Hallelujah” na sua trilha é obrigado a incluir também as lições de Edukators no roteiro.

Mas não são só as canções políticas (“The Future”, “Democracy in the USA”) e os fatores econômicos que tornam esse disco atual. As 26 faixas, das clássicas “Suzanne” e “Hey, that’s no way to say goodbye” às menos conhecidas “Boogie Street” e “Who by fire” ganham uma força que impressiona o próprio cantor: “Obrigado por manterem essas músicas vivas durante todos esses anos”, diz, sempre gentil, aos presentes.

Talvez ele esteja se beneficiando do fato de não ter desgastado o seu tesouro durante esse tempo, como fazem muitos artistas veteranos, ou talvez o valor bruto das canções seja permanente. “There is a crack in everything / that’s how the light gets in”, de “Anthem”, só não é a melhor frase que eu já ouvi nos últimos tempos porque entre uma música e outra o canadense diz: “"I turned to the study of religions and philosophies, but cheerfulness kept breaking through”.

Os músicos o acompanham com a mesma sensibilidade e precisão técnica, nessa ordem de importância, com destaque para a segunda voz de Sharon Robinson, que casa perfeitamente com o barítono de Leonard Cohen. A coragem e a intensidade de Cohen torna esse acerto de contas maior do que uma questão financeira: o músico faz renascer histórias que ele mesmo decidira apagar. Suzanne=Clementine. London=Montauk. There ain´t no cure for love.

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