Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Power pop sem palminhas

por Braulio Lorentz e Mariana Marques

receite essa matéria para um amigo

"Composições diretas, melodias cativantes e guitarras distorcidas." Essa é uma boa definição para o som da banda formada em Belo Horizonte, no começo de 2003. Promessa da nova safra do pop nacional, o Impar (foto) é composto pelo vocalista e guitarrista Marcelo Mercedo, pelo baterista Bruno Faria, pelo baixista Yan Vasconcellos e pelo guitarrista Marcos Rosa. Com o rótulo de Power Pop guardado na mochila, os rapazes colhem elogios com o primeiro EP, gravado em estúdio próprio.

Mercedo quase nos pede desculpas quando afirma que não gosta de Teenage Fanclub. Conta também, com simpatia e receio, sobre o fato das canções de sua banda não terem palminhas e às vezes parecerem depressivas.

A camaradagem com a banda Cinza, as influências sonoras e o clipe da faixa "A+B" são outros assuntos que você pode ler neste bate papo que a equipe do Pílula Pop teve com o vocalista do Impar.


Marcelo está de azul

Pílula Pop: Como ocorreu a formação da banda?

Impar: A gente começou como uma banda cover. Eu sempre toquei com o Bruno, somos colegas de escola. Compus algumas músicas, já com o nome de Impar e estava gravando em casa. Já estava tudo mais ou menos pronto. Resolvemos então fazer a banda para tocar ao vivo. O Bruno já ia ser o baterista, mas faltava um baixista e um guitarrista. Conhecíamos o pessoal, somos amigos e eles gostavam das músicas. Rolou meio que naturalmente.

Pílula Pop: Como você define o som do Impar?

Impar: É difícil de definir né? Eu sei que todo mundo pergunta e tal, mas as resenhas que tão saindo por aí falam que é power pop, power pop contemporâneo. Eu não sei, mas aceito. Não reclamamos.. Eu acho que o que a gente tem que o pessoal fala que somos power pop é o fato das músicas serem mais diretas. E a melodia vocal que você escuta uma vez e (eu acho) fica na sua cabeça. Não só a melodia vocal, mas os arranjos. A gente faz uma música sem muita firula, mas nem por isso deixa de ter preocupação com o arranjo. O povo acha, pelo menos aqui no Brasil, que pra ser Power Pop tem que ser alegrinho, ser feliz o tempo inteiro e ficar batendo palminha no refrão. Isso não tem nada a ver, não necessariamente. Pode ter isso, mas também pode não ter. E eu acho que o “não ter” seria o caso do Impar. Nosso som não é tão alegrinho assim.

Pílula Pop: E as influências?

Impar: A gente escuta muita banda deste estilo. Beatles está na cara. Beach Boys também. Gostamos de artistas mais recentes, estão no release caras como Jason Falkner e John Brion.

Pílula Pop: O Impar já dividiu palco com a banda Cinza. Como surgiu essa parceria?

Impar: Já tem muito tempo que a gente conhece o pessoal do Cinza e nos damos muito bem. Além dessa afinidade, gostamos do som. Acho que é legal, bem feito, é uma banda de Belo Horizonte que faz música própria bem feita. Eu não saberia enquadrar o som do Cinza, mas é um som mais calmo que o nosso. As letras também são em português e é um som tratado. Eles se preocupam, levam a sério, não estão afim só de ficar na diversão. Isso tem a ver com a gente.

Pílula Pop: Você compõe todas as canções. Como é o processo?

Impar: Eu costumo fazer tudo em casa, estou acostumado com isso. Eu componho já pensando no resto dos instrumentos. Faço arranjo, letra e melodia. Mas não é um processo que está fechado, por enquanto é assim que funciona. No futuro, gostaria que todos os integrantes fizessem as canções. Vamos ver daqui pra frente.

Pílula Pop: A banda recentemente gravou um clipe. Como ele foi feito?

Impar: Tem pouco tempo que a gente gravou o clipe de uma música chamada A+B. Chamamos um cara daqui de BH para ser o diretor, o Daniel Darth. Gravamos no nosso estúdio mesmo. O vídeo é simples, só a banda tocando, não tem nenhuma externa.

Pílula Pop: Por que escolheram “A + B” pro videoclipe?

Impar: Escolhemos pro clipe porque ela tem uma energia legal e é uma das músicas mais recentes. Ela é forte e resume o que é o som do Impar.

Pílula Pop: “Não por mim” é outra música recente. Conte-nos um pouco sobre a canção.

Impar: “Não por mim” é uma música mais trabalhada, com teclado. Ela indica os possíveis rumos da banda.

Pílula Pop: Falamos muito sobre o som e quase nada sobre as letras. Como são feitas?

Impar: Eu falo sobre mim. Conto experiências próprias. Às vezes pode até parecer que a letra é meio deprê, mas eu acho que sempre dou uma virada no final. Tenho consciência de que a coisa não é tão bonita, mas eu tento ser otimista. Tem gente que não percebe isso nas minhas letras.

Pílula Pop: Pra terminar: planos pro futuro? (Risos)

Impar: (Risos) Agora o que a gente vai tentar fazer é acabar de gravar o disco no nosso estúdio mesmo. O caminho mais garantido é arranjar alguma forma de distribuir depois que o disco estiver pronto. Mas se por acaso algum selo ou alguma gravadora se interessar é claro que a gente vai achar uma beleza, porque a gente quer viver disso. Mas não nos preocupamos, não há a obrigação de fazer pra agradar esse ou sei lá quem.

» leia/escreva comentários (2)