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Entrevista com Nouvelle Vague

por Fernando Guerra

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Na França pós-guerra da década de 60 surgiu uma vertente do cinema que, em linhas bem gerais, contestava os moldes comerciais da sétima arte criando uma nova forma de fazer aquilo que já era feito desde o início do século. Esse movimento ganhou o nome Nouvelle Vague, ou “nova onda”.

Praticamente duas décadas depois, a música passava por algo no sentido inverso. O punk feio, sujo e contestador dos valores sociais da época ganhou uma irmãzinha mais socialmente aceitável que recebeu o apelido New Wave e o som que só era ouvido sob moshes no clube CBGB (segundo lar de bandas como os Ramones, Misfits e Stooges) ganhou sintetizadores e passou a embalar também festinhas populares adolescentes, videoclipes em um canal recém nascido chamado MTV e filmes do John Hughes.

Em outro salto vinte anos à frente, os franceses Marc Collin e Olivier Libaux resolvem juntar parte dessas duas fórmulas acima, combinando hits dos anos 80, ritmos consagrados de vinte anos antes, como a bossa-nova, samba, e cantoras de voz suave (na formação atual a brasileira Karina Zeviani e a belga Helena Nogueira ficam encarregadas do charme no palco) capazes de transformar uma música do Sex Pistols em uma trilha sonora agradável para um passeio no parque. Pra completar, pegaram emprestado o nome do movimento artístico que marcou o cinema francês e assim nasceu o projeto Nouvelle Vague. Em uma conversa rápida durante a passagem da banda por Belo Horizonte, Marc Collin falou um pouco sobre a fase atual do grupo e seus projetos.

Pílula Pop: Essa é a terceira vez que vocês vêm ao Brasil e Belo Horizonte é a última cidade aqui. O que vocês estão achando da turnê?

Nouvelle Vague: M.C.: Foi uma turnê incrível e já estamos bastante felizes. Foi um pouco estranho na primeira vez, estivemos num festival no Rio e em São Paulo e aqui é bem diferente de outros países, um público incrível, então estamos com uma grande expectativa para esse show. Estamos empolgados de estar aqui de novo.

Pílula Pop: Como é trabalhar com uma brasileira no grupo? Ela já está à vontade com o resto da banda?

Nouvelle Vague: Ela começou com a gente no terceiro album, e isso já faz um ou dois anos. Além disso, estou produzindo o álbum dela. O projeto (Nouvelle Vague) já começou com uma cantora brasileira, a carioca Eloisia, mas nunca fizemos turnê com ela. Nos palcos é bacana isso, porque a Helena, a outra garota, também fala português (ela é de ascendência portuguesa) e com isso ambas podem interagir mais com o público.

Pílula Pop: No último album vocês fizeram releituras de canções francesas. Por que apenas agora?

Nouvelle Vague: Sei lá, como a gente faz turnês no mundo todo, procuramos canções mais conhecidas. Acredito que agora conseguimos encontrar algumas mais famosas que funcionaram e no próximo álbum teremos apenas canções francesas.

Pílula Pop: Também no NV3 vocês trabalharam com duetos. Como foi essa mudança e como isso funciona no palco?

Nouvelle Vague: A gente teve essa ideia quando viu que os cantores originais escutavam o nosso som e se mostravam satisfeitos com a nossa homenagem. Pensamos: “E se eles fizessem isso com a gente?”. Entramos em contato, eles toparam, vieram ao estúdio em Paris e foi incrível. É claro que não pudemos tê-los na turnê, mas eles aparecem em um show ou outro quando as cidades coincidem.

Pílula Pop: O Nouvelle Vague é um projeto que utiliza de ritmos dos anos 60 e músicas dos 80. Vemos que a cultura tende a revisitar o que foi feito vinte anos antes. Quais são os planos da banda agora no começo de uma nova década?

Nouvelle Vague: Depois desse próxima edição francesa, a gente planeja mudar um pouco o conceito e trazer novas ideias para os envolvidos no projeto. Então em novembro teremos essa edição especial apenas com músicas francesas e faremos uma turnê e depois acredito que exploraremos novas ideias, mas ainda não estamos certos de quais serão.

Pílula Pop: Vocês utilizaram samba e bossa-nova para criar essas versões sexys de músicas new wave. Existem outros ritmos brasileiros que vocês gostariam de explorar em um próximo álbum?

Nouvelle Vague: Não sei ao certo. Não estou tão familiarizado com outros ritmos brasileiros. Escolhemos estes, pois eram muito conhecidos na Europa. Atualmente eu já conheço outros como forró e vertentes do samba, mas ainda não consegui fazer isso funcionar com as versões. Talvez eu tenha que tentar um pouco mais.

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