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E este tal de emo?

por Braulio Lorentz e Rodrigo Ortega

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“Já tentei ser mais feliz só pra fazer você chorar”. A frase da ótima e lacrimejante canção “Onde Está” diz muito sobre os gaúchos da Fresno. O sucesso da banda é inegável e está em toda a parte. Eles são campeões de downloads no Tramavirtual, apareceram na matéria sobre emo exibida pelo Fantástico e cuidam com carinho de uma comunidade no Orkut com mais de 40 mil membros. Isso sem falar nas armas de divulgação muito bem calibradas e nas diferentes respostas do público: lágrimas e elogios despejados por muitos e garrafas e latas arremessadas por alguns.

O Pílula Pop resolveu, então, aproveitar a passagem da Fresno por Belo Horizonte e conversar com o guitarrista e vocalista Lucas Silveira. O tal de emo de que todos falam e o disco novo são assuntos que não poderiam faltar no bate-papo. Assim como a opinião de Lucas sobre as distintas reações da platéia no 53 HC Fest .


Lucas, no centro, em foto de divulgação estilo “álbum de orkut”

Pílula Pop: O Fresno parece já ter surgido como uma banda grande. Como vocês realmente começaram e como têm visto esse boom de fãs?

Fresno: Só parece. O trabalho é do tipo “formiguinha” e por isso levamos quase 6 anos pra sermos reconhecidos. Desde que a banda começou, tenho dedicado minha vida a esse projeto e cada vez mais isso é prioridade. Sempre priorizamos nossas músicas ao invés de tocar covers e por isso demoramos a causar simpatia nas pessoas, pois elas não conheciam as músicas. Mas fomos aos poucos conquistando fãs, um por um. Esse “boom” ao que você se refere é a progressão geométrica que só o boca-a-boca e a internet possibilitam.

Pílula Pop: O que acharam do primeiro show em BH?

Fresno: Foi muito bom. E era uma das capitais que estavam faltando pra gente passar, pois a gente já tocou duas vezes esse ano em Uberlândia e sempre dava algum problema na hora de fechar uma data em BH. O público foi muito caloroso e cantou todas as músicas até o final, todos muitos emocionados. Queremos voltar!

Pílula Pop: O que estão preparando para a gravação do disco novo? O repertório já está fechado?

Fresno: Estamos ensaiando bastante para que seja o melhor disco de nossas vidas. O repertório está fechado e deveremos entrar no estúdio no final do ano. As músicas estão mais maduras, mas isso é só reflexo da evolução da banda como músicos e como seres humanos. No mais, é o Fresno de sempre.

Pílula Pop: Já têm alguma proposta de selo independente ou gravadora?

Fresno: Nossos dois discos foram lançados de forma totalmente independente ou com ajuda de selos de amigos nossos, em algumas das prensagens. Para o disco O Rio, A Cidade, A Árvore, nós conseguimos um contrato de distribuição com a Antídoto, o que possibilitou que o disco chegasse a mais lojas. Mas gostamos de enfatizar que continuamos sendo uma banda independente e que as correrias pra divulgação são todas nossas.

Pílula Pop: Como surgiu a idéia do Street Team? Como ele tem funcionado?

Fresno: O Street Team é uma arma de divulgação muito comum em bandas independentes americanas. Como aqui no BR a estrutura das bandas independentes fica anos-luz atrás da de alguns outros países, a gente percebeu que precisávamos mais ainda de um Street Team. Trata-se de um grupo de fãs que se cadastram no site da banda e que recebem periodicamente “tarefas” e missões que sempre visam divulgar a banda, fazer tocarem tal música no rádio. No momento, estamos reformulando e fazendo um novo site só pro street team, que agora vai ter um moderador responsável e que vai pontuar as missões cumpridas pelo pessoal, formando assim um ranking cujos líderes serão devidamente premiados com várias coisas relativas à banda.


A banda em momento brilhante da carreira

Pílula Pop: Fizemos uma entrevista com o Japinha, do CPM 22, e ele falou que no caso deles realmente houve uma mudança na produção do som, com mais sobreposição de vocais, mais violões, etc. Já houve essa pressão para tornar o som mais “radiofônico” em relação a vocês? O que vocês acham disso?

Fresno: Acho que as pessoas confundem muito essa história de “produzir” o disco com querer torná-lo mais radiofônico. No hardcore são muito comuns os vocais sobrepostos, e algumas músicas do CPM 22 realmente têm partes que realmente “pedem” um violão. O problema é quando o disco fica produzido em excesso, aí sim fica aquela coisa pop demais, plastificada. Eu acho que produzir um disco com cuidado e primar pela perfeição e pela beleza é natural, mas não essencial. Vai do gosto de cada um. O Nirvana, por exemplo, tinha uma gravação “suja” e mesmo assim nunca deixou de soar radiofônico na maioria das faixas.

Pílula Pop: E o rótulo de emo? Ajuda, não faz diferença ou prejudica o trabalho de vocês?

Fresno: É um rótulo que há alguns anos atrás as bandas exibiam com orgulho, mas que foi muito massificado e distorcido pelos meios de comunicação, seja a Globo ou algum webzine, chegando ao ponto de perder totalmente o sentido. O conceito atual de emo nada tem a ver com a definição tradicional e que eu julgo ser a correta. Inclusive eu não concordo 100% quando nos rotulam dessa forma pelo fato de que não são todas as nossas músicas que se encaixam nessa definição.

Mas eu discordo mais ainda quando vejo bandas que há tempos atrás falavam mal do estilo ou das bandas hoje “vestindo a camisa” só pra se beneficiar com a tal da moda em que o emo se transformou. Aí as pessoas acabam por colocar no mesmo saco bandas que não têm semelhança alguma, ou pior, reduzindo a uma certa combinação de acessórios, roupas e condutas o que um dia já foi um estilo musical totalmente avesso a qualquer forma de comercialização da música ou fórmulas prontas.

Pílula Pop: O emo também provoca reações negativas em alguns fãs de outros estilos. O que vocês acham desta situação de, em festivais, algumas pessoas que não curtem o som deste tipo de banda atirarem objetos no palco?

Fresno: Justamente por isso é que não gostamos de nos auto-rotular. As pessoas têm que ouvir nossa música despidas de preconceitos. Por isso a gente insiste nessa história de Roquenrol Emotivo Portoalegrense e deixa a tarefa de rotular para as pessoas que gostam de fazê-lo. E quando a pessoa não gosta mesmo da banda, ela vai embora e não quer ficar perto do show. Gente que toca coisas no palco e que desrespeita o artista não gosta de música, gosta é de posar de rebelde, e de correr o perigo de ser agredido pelas outras mil pessoas que estão lá para assistir ao show.

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