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Como nasce uma rádio

por Braulio Lorentz e Rodrigo Ortega

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Entre meninas de boné, miniaturas da Avril Lavigne, moleques com moletons caríssimos por cima do uniforme e outras figuras típicas do Pátio Savassi, em BH, numa sexta-feira de manhã, procurávamos algo bem menos típico dentro de um shopping. Nem o funcionário do que parecia ser o balcão de informações estava informado: “Rádio aqui dentro? Não sei onde é...”.

No último andar encontramos o “Espaço Oi Fm”, um café modernoso, mas que não estava funcionando, e lá no fundo nosso objetivo, o escritório da Oi Fm, que há pouco mais de um mês pode ser sintonizada na freqüência 93,9 na cidade. O diretor da rádio, Leonardo Soares (“Mas todo mundo me chama de Léo Prosa mesmo”, diz conformado), é um sujeito simpático e mais velho do que imaginávamos pela nossa única referência: ele é mentor do “Movimento Balanço”, festa famosa em BH, responsável pela disseminação do samba-funk e outras bossas entre a nossa linda juventude.

Léo explicou como foi arquitetada e construída a Oi Fm, que tem a grande vantagem de “não estar engessada com nada”, ou seja, ter a operadora de telefonia como patrocinador inseparável e uma programação ainda sendo moldada. Peculiaridades como o funcionamento dentro do shopping, transmissão em ponto de ônibus e na Internet e a ausência de locutor foram nossos questionamentos e ainda podem ser de muito mais gente, já que existe a intenção de levar a rádio a outros 16 Estados brasileiros.


As instalações da Oi FM no Pátio Savassi

Pílula Pop: Por que foi criada a Oi Fm?

Léo Prosa - Oi FM: A idéia surgiu da Diretoria de Marketing da Oi e do Grupo Bel, que tem a concessão da rádio. Eles convidaram a mim e o Fred Garzon, coordenador de programação, através da nossa empresa, Aorta Entretenimento, para dar uma cara a essa idéia. Eu tenho uma certa experiência com rádio, já passei pela Alvorada, Jovem Pan, a extinta 107 Fm, montei a Savassi Fm. Ficamos responsáveis pela parte artística. Mas tudo foi feito na correria e ainda está sendo ajeitado. Tivemos um mês para conceber e montar toda a estrutura, que está há apenas um mês no ar. Foi muito pouco tempo para saber o que está funcionando.

Pílula Pop: Como vocês queriam que fosse essa nova rádio?

Léo Prosa - Oi FM: Nós não temos locutor. Os próprios jornalistas apresentam o que escrevem. Na verdade o jornalista é muito funcional: escreve o texto, apresenta, escreve para a Internet e para SMS (transmissão por celular). Nossa proposta foi colocar no ar apenas o que é realmente útil. Para não ficar apenas anunciando músicas, dando bom dia, boa tarde. Ao invés de encher o rádio com isso, apenas tocar as músicas e informar. A primeira diretriz foi fazer uma rádio diferente. Não para bater com a Guarani, Alvorada e outras rádios adultas de Belo Horizonte, mas também não com a Jovem Pan e 98 FM, que são as rádios jovens.


Oi FM: “algo diferente dos pops que já existem por aí”

Pílula Pop: De que forma foi feita essa diferenciação?

Léo Prosa - Oi FM: Temos que ser pop, pois representamos uma marca, não estamos fazendo a rádio que a gente quer. O conceito da operadora é o espírito jovem, tudo deles respira juventude. O grande desafio era fazer algo diferente dos pops que já existem por aí, e que representasse bem a Oi. Então chegamos a um meio termo. Limpamos algumas coisas que são “para a molecada” demais, como CPM 22, Pitty e Charlie Brown Jr, e inserimos algumas coisas teoricamente mais adultas, mas que mantenham o espírito jovem: Bossacucanova, Lenine, Funk Como Le Gusta, artistas que, pela minha experiência com o Movimento Balanço, fazem a galera pirar.

Pílula Pop: Porque a cidade escolhida para o funcionamento da Oi Fm foi Belo Horizonte?

Léo Prosa - Oi FM: Minas Gerais é um dos principais Estados entre os 16 em que a Oi trabalha. Como a idéia surgiu em Minas, nada mais justo do que estar aqui. Mas há a intenção de transmitir para os outros 16 Estados.

Pílula Pop: Com programação diferente?

Léo Prosa - Oi FM: Não, com todo o conteúdo formado aqui, a não ser o roteiro cultural. A idéia é que a programação musical e o grosso do jornalismo sejam feitos aqui.

Pílula Pop: Parte dos programas de vocês é importada, não é?

Léo Prosa - Oi FM: Todos os programas são feitos para a OI Fm, não necessariamente feitos em Belo Horizonte. Temos, por exemplo, o Edgard Picolli da MTV, que faz um programa em que conta um pouquinho sobre uma banda ou uma música, o Pop História. Tem também a Dani Monteiro, do Espírito Oi, que fala sobre esportes radicais e viagens de ecoturismo. E o Luciano Huck, com um programa que ainda não chegou, e tem o mesmo nome do selo dele, o Jóia. Esses três programas são produzidos em São Paulo ou no Rio, e são mandados pra gente, com transmissão exclusiva da Oi Fm.

Pílula Pop: Além do conteúdo, a rádio tem algumas inovações no formato, como as transmissões nos pontos de ônibus. Por quê?

Léo Prosa - Oi FM: A transmissão nos pontos foi idéia da agência de publicidade, a For. O Grupo Bel trabalha com esse tipo de instalação de sistemas de rádio, então isso foi possível. Houve uma grande repercussão. Foi muito legal, porque isso nunca tinha sido feito, pelo menos no Brasil. Aliás, muitas coisas nunca tinham sido feitas. Se você está ouvindo uma música e é cliente da Oi, pega o seu celular, manda a palavra “música” para a rádio e recebe uma mensagem com o nome do artista e da música. Outro serviço, aberto para qualquer usuário, não apenas clientes Oi é o site (www.oifm.com.br), com toda a programação das últimas 24 horas cadastrada. Está lá o nome da música, do artista, o disco, o ano, a gravadora, e futuramente até como comprar o disco pela página.


Espaço Oi: café com apresentações de bandas e DJs

Pílula Pop: Por que a rádio funciona dentro de um shopping?

Léo Prosa - Oi FM: A idéia partiu da seguinte pergunta: por quê uma pessoa, ao comprar um celular, escolhe a Oi? Única e exclusivamente por causa de comportamento. Então resolvemos falar basicamente de comportamento. Uma pessoa se torna ela mesma a partir do momento em que consome alguma coisa. A partir do momento em que ela usa a camiseta, vai naquela festa, ou assiste aquele filme, a partir da hora em que vai malhar, fazer um rapel, ou um curso de culinária. Essa foi a base do pensamento sobre o jornalismo da emissora. Os programas não têm um tema específico, e sim um jeito de abordar os temas. Nós criamos uma liberdade para falar de qualquer assunto que seja interessante.

Pílula Pop: Como essa produção jornalística é articulada com a programação musical?

Léo Prosa - Oi FM: Tanto no jornalismo quanto na programação musical, nos preocupamos fazer uma rádio que não seja engessada em ponto nenhum, que seja mutante. Os programas são pílulas que entram na programação. Nós não trabalhamos com faixas de horários na programação musical, como muitas rádios fazem ainda hoje, em qualquer horário que você ligar Oi Fm, a referência vai ser a mesma. Isso cria uma identificação maior com a rádio. Em qualquer horário vai sempre haver essa massa sonora e pílulas de meia em meia hora dando dicas e trazendo informação.

Pílula Pop: A Oi Fm pretende dar algum suporte para a produção artística local?

Léo Prosa - Oi FM: A médio e longo prazo, quem for ouvinte da Oi Fm vai perceber que há uma preocupação minha, até como cidadão, de valorizar a música brasileira. A maioria da programação hoje ainda é estrangeira, mas estamos fazendo de certa forma uma transição. Até porque há poucos produtos nacionais ainda, na minha opinião, que cabem dentro da programação, pelo menos os que chegaram até nós. Nossa intenção é ter mais música brasileira do que estrangeira. É claro que eu não vou ficar tocando alguma coisa que não seja bacana só porque é brasileira.

Pílula Pop: E a produção de Belo Horizonte?

Léo Prosa - Oi FM: O que é bacana a gente vai tocar. Não temos compromisso com gravadora nenhuma, com nenhum estilo musical. Se você ouvir aqui uma música três vezes no ar, é porque nós queremos colocar essa música três vezes no ar. Não porque uma gravadora pressionou ou qualquer coisa do tipo. Mas tem muita banda daqui com um som legal, e não passa do legal. Então entre tocar o Skank e sua cópia, eu toco Skank.. Se aparece algo que tem a ver com a rádio, que é diferente, está no ar. O Funk Como Le Gusta, que todo mundo trata como uma grande banda, é independente, e a gente toca. O Bossacucanova é independente e a gente toca. O Seu Jorge, por incrível que pareça, é independente ainda, e a gente toca. Se é diferente, tem qualidade, as pessoas realmente vão ouvir, com certeza vai tocar, seja qualquer estilo, de qualquer país. Se aparecer algo diferente na Inglaterra, no Japão, ou em qualquer país, sendo bacana a gente vai tocar.

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