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Sobre o Rio, chinelos e o Rei

por Rodrigo Ortega

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“Rogério Flausino é o mais carioca dos mineiros depois do governador Aécio Neves”. A frase da resenha de Até Onde Vai , último disco do Jota Quest, seria o gancho da conversa por telefone do Pílula Pop com o vocalista Rogério e o baterista Paulinho, no dia 6 de dezembro. A presença da música “Sunshine em Ipanema” em uma rádio local e o telefone para contato com prefixo 21 confirmavam a carioquice da banda. Eis que na última hora a produção avisa que passou o prefixo errado, e descobrimos que “Sunshine” não é a próxima música de trabalho.

O mundinho pop é uma caixinha de surpresas. Ainda bem. De cara, um novo assunto bem mais bacana: o Jota ensaiara com Roberto Carlos no dia anterior e se preparava para gravar o especial de fim de ano do cantor, que vai ao ar no próximo dia 21. Além disso, eles falaram na boa sobre suas campanhas comerciais, a próxima música de trabalho de verdade, os shows “pulativos” e, mesmo sem os ganchos, a veia carioca da banda. Ou melhor, a veia do “brasileiro que não desiste nunca”, segundo Rogério.


Os tietes do Rei

Pílula Pop: Como está a turnê do Até Onde Vai?

Jota Quest: Paulinho: O disco novo tem um beat mais acelerado, é mais vigoroso. Levamos a carga do MTV Ao Vivo (disco anterior) para o estúdio e agora de volta ao palco. Então, o show está ainda mais forte do que o antigo em termos de vibração e de interação com o público. É um show mais “pulativo”. (risos)

Rogério: Nós rodamos o Brasil todo na última turnê e pegamos um punch maior. Conseguimos passar isso para o disco, que ficou bem forte. Foi o álbum em que a gente teve menos dificuldade para passar as músicas para o show. Isso era uma busca nossa e está dando certo. A gente abre o show com as três primeiras músicas do disco, na mesma ordem.

Pílula Pop: Foi anunciada a participação do Jota Quest no programa especial de fim de ano de Roberto Carlos. Vocês já gravaram?

Jota Quest: Paulinho: Vamos gravar hoje. É um sonho para a banda. O trabalho dele no fim dos anos 60 e início dos 70 é bacana demais e serviu de inspiração para a gente.

Rogério: Estamos super-felizes, emocionados. Estamos tomando a bênção (risos).

Pílula Pop: Rola um nervosismo?

Jota Quest: Paulinho: Claro. Ontem durante o ensaio tem horas que até dá vontade de parar e só ficar ouvindo o cara.

Pílula Pop: Vocês já ensaiaram com ele?

Jota Quest: Paulinho: Sim, ontem.

Rogério: Foi um momento lindo, velho. A gente ficou lá a tarde inteira praticamente. Ensaiamos “Além do Horizonte” e uma segunda música. Hoje é dia! Vamos gravar e o programa vai ao ar no dia 21 de dezembro.

Pílula Pop: Ele já conhecia a versão da banda para “Além do Horizonte”?

Jota Quest: Paulinho: Sim, e a gente estava com medo, porque é uma versão bem rock n’roll. Pensamos: “O cara vai encrencar, vai pedir para a gente tocar mais manso.” Pelo contrário. Ele falou para tocarmos a versão do jeito que é, porque ele gostou muito.

Pílula Pop: A idéia de gravar a música teve relação com o comercial para a Rider?

Jota Quest: Paulinho: O Jota Quest compõe fazendo jam sessions no estúdio. Numa dessas jams a gente fez aquele groove e o Rogério começou a cantarolar a música. Achamos legal e a gravação passou a ser material do disco. Ela ganhou muita força durante a pré-produção. Resolvemos trabalhá-la. Paralelamente a isso rolou a campanha.

Rogério: Depois da campanha do Skank para a Rider, o Washington Olivetto nos ligou e disse que éramos os próximos. Pediram uma sugestão e nós já estávamos com esta música gravada para entrar no disco. Aí ele aprovou. Ligou para o Roberto Carlos e ele também aprovou, porque era pro Jota e ele gosta da gente.


Rogério pára e só fica ouvindo o cara

Pílula Pop: E deu certo...

Jota Quest: Rogério: Acabou virando música de trabalho, e está o maior sucesso.

Paulinho: O Roberto permitir era um problema. O cara não gosta de autorizar músicas para campanha. Mas como era o Jota e tal ele falou: “o Jota Quest é tranqüilo, se os meninos estão avalizando eu vou dar também o meu aval”.

Pílula Pop: O Jota Quest faz muitas campanhas comerciais: Fanta, Chevrollet e agora a Rider. Vocês não têm nenhum pé atrás em relação a isso?

Jota Quest: Rogério: Eu acho que cada artista faz o que acha mais correto para sua carreira. O Jota Quest tem um ponto de vista de que a iniciativa privada pode se associar à iniciativa artística. Quando o produto nos convém, esta associação é boa. Realmente a gente fatura uma grana. Esta grana é investida em nós mesmos: seja na banda, seja na vida pessoal. Não vejo problema nenhum.

Pílula Pop: Já sabem qual será a próxima música de trabalho depois de “Além do Horizonte”?

Jota Quest: Rogério: “O Sol”. É uma música do Tianastácia. Ela tem uma resposta muito boa do público nos shows. A galera já canta de cara. A gente sempre faz uma eleição via internet e ela está bem. Então “O Sol” deve entrar aí no verão.

Pílula Pop: Uma música que me chamou atenção foi “Sunshine em Ipanema”.

Jota Quest: Paulinho: Não será single agora. Mas é uma música que pode ser trabalhada.

Rogério: Compus “Sunshine em Ipanema” em cima de uma base que me foi mandada por uma dupla de DJs ingleses, Layo & Bushwaka. Eles estão lançando um disco em fevereiro com esta música, mas de um outro jeito, um lounge. Fizemos a versão cacetada, que é nossa versão. Os caras me pediram para fazer uma música em português. Quis falar de alguma coisa que fosse brasileira. Para eles o que há de mais brasileiro é o Rio de Janeiro. O Rio representa esta coisa do brasileiro que não desiste nunca.


Sorridentes e de todos os lugares

Pílula Pop: Principalmente nesta música, nota-se que o Jota Quest tem uma veia bem carioca. Vocês concordam?

Jota Quest: Rogério: A gente gosta do Rappa, do D2, do Barão Vermelho, desta turma do Rio. Mas a gente também admira os paulistas, por exemplo. E eu gosto da música mineira demais da conta. Tenho uma formação musical totalmente baseada na música mineira. Gosto demais do Skank, do Tianastácia, do Pato Fu. O Jota é de todos os lugares.

Pílula Pop: Voltando ao Até Onde Vai: ao mesmo tempo em que é um disco forte, tem baladas marcantes...

Jota Quest: Rogério: O que a gente tem dito é que a diferença entre as faixas ficou menor. Isso não acontecia muito. Agora temos uma pegada sonora muito igual em todas as músicas. Até quando é uma balada, tem um punch, um peso. Talvez isso tenha sido pelo trabalho com o Liminha, que é um cara que é conhecido por “tirar som”: bem captado, bem gravado. Gravamos tudo aí em BH. Depois a gente mixou lá no estúdio Nas Nuvens, no Rio. Tirando a música que abre o disco e outra no final, que são bem funk, é um disco de canções. Uma mais lenta, outra mais rápida, mas todas com uma linha melódica forte.

Pílula Pop: A carreira da banda tem essa mudança do funk para “canções”?

Jota Quest: Rogério: Eu acho que este disco tem um pouco de cada coisa: as “blackeiras”, os rocks, as baladas. O Jota é isso mesmo: cinco integrantes, cada um gosta de uma coisa. Acho que o nosso futuro é este mesmo. Continuar misturando, e a cada vez as misturas ficam mais Jota Quest.

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