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O bê-á-bá do Alto-Falante

por Rodrigo Ortega e Braulio Lorentz

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Terence Machado, Thiago Pereira e Rodrigo James formam a equipe do Alto-Falante. O programa de TV é exibido todo domingo, às 14:30h na Rede Minas e às 2h da madrugada na Cultura. Mas se engana quem acha que a telinha é sua única casa: a equipe também faz um programa de rádio, coluna de jornal e ainda traz bandas como Jumbo Elektro e Érika e os Telecats para suas festinhas em BH. O didático trio ensinou a conjugação dos principais verbos da cartilha do Alto-Falante.


Prêmio Bizz

Eu ganho, nós ganhamos, eles ganham, nós ganhamos

Terence: Foi muito bacana ter ganhado o Prêmio Bizz, o segundo em uma época de adaptação da nova equipe (o primeiro foi o Prêmio Claro de Música Independente). Atualmente somos eu, o Thiago e o James, que não é da TV mas vira e mexe colabora, e agora já está no rádio. Neste período em que estávamos reorganizando o programa, acabamos ganhando em votações abertas. Com a surpresa de que na Bizz a gente ficou em segundo lugar na votação da crítica.

Rodrigo: Atrás do Scorsese (pela série “The Blues”), o que não foi tão mal! (risos)

Horários de exibição

Eu sofro, tu sofres, ele sofre, nós sofremos


A equipe do Alto-Falante (da esq.): Terence, Thiago e Rodrigo

Terence: Se você for pensar que o programa está num horário ruim na TV Cultura, o prêmio foi melhor ainda. De domingo pra segunda, duas horas da manhã a galera está assistindo.

Pílula: A Bizz creditou o programa como da TV Cultura...

Terence: É uma ironia, pois era para ter saído Rede Minas, que tem investido no programa. Hoje há uma movimentação de diretores de TVs educativas para tentar furar o bloqueio da Cultura. Porque ela não transmite a maioria das produções de outros estados e quer empurrar a programação delas para as outras.

Pílula: E já rola esse furo?

Terence: A gente ficou sabendo que uma rede do Paraná transmite o Alto-Falante às 16h no sábado. Eu descobri isso no Orkut.

Novo formato

Eu mudo, tu mudas, ele muda, nós mudamos

Terence: Tem muito telespectador que não quer que mude o formato. Teve um que falou que adora o Alto-Falante, mas não vai conseguir assistir sem aquele croma (inserção de imagem atrás do apresentador)... A MTV também teve um tempo com croma, mudou para cenário e voltou para croma. Você não pode estacionar em um formato que funciona e ficar o resto da vida. Tem que quebrar a cabeça e a cara de vez em quando.

Thiago: Acho que esta mudança estética acompanhou uma mudança de conteúdo. A entrada de novos quadros, uma equipe nova, uma nova visão de cobertura.

Terence: A gente já passou por várias fases. Em um primeiro momento, eu nunca tinha apresentado, então era dar a cara a tapa mesmo. Teve aquele momento de exagero, de colocar Spice Girls, quase um Top of the Pops versão mineira. O legal foi que a gente soube caminhar e não ficar preso a nenhum formato.

Clipes

Eu descubro, tu descobres, ele descobre, nós descobrimos

Rodrigo: Esta coisa de clipes é uma batalha diária. Por um lado, a gravadora não manda o clipe, tem que ser exibido antes na MTV ou no Multishow e um mês depois chega para nós, se chega. Por outro lado, a gente está descobrindo outros caminhos. Estamos utilizando muita coisa de DVD, e agora da internet.

Thiago: Semana passada, por exemplo, a gente fechou o programa com Tool, que foi baixado da internet.

Rodrigo: Quem é que vai exibir Tool aqui no Brasil senão o Alto-Falante? Ninguém exibiu, até pelo tempo do vídeo, dez minutos.

Thiago: Dez minutos de fritação total! (risos)

Enciclopédia do rock

Eu ensino, tu ensinas, ele ensina, nós aprendemos

Terence: O Adriano Falabella está no programa desde o começo. Teve um período em que saiu fora, por lances pessoais. Logo depois se arrependeu, nós e o público sentimos falta.

Thiago: Há um lado de enciclopédia no programa, esta idéia de que música é boa independente de tempo, de gênero. A concepção que tenho do Alto-Falante tem a ver com revistas tipo Uncut, que não trabalham com hype e sim com música de qualidade. É gente que coloca o Bob Dylan na capa, mas lá dentro tem uma matéria enorme sobre o Bloc Party, por exemplo.

Rodrigo: Esta preocupação a gente tem que ter sempre. Quantos destes 1,5 milhão de pessoas que vão ao show dos Rolling Stones realmente conhecem a banda? Quem desta molecada que gosta dos White Stripes e dos Strokes realmente sabe quem foram os Stones?

Thiago: A gente quis levar isto pra rádio. Tem um quadro que é só de coisa mais antiga.

Alto-Falante no rádio

Eu transmito, tu transmites, ele transmite, nós transmitimos (ou não)


Terence Machado encara as lentes do Pílula Pop

Terence: A gente continua na webrádio Pelo Mundo (www.pelomundo.com.br), que foi onde tudo começou. Mas a gente sempre teve vontade de ir para uma rádio convencional. Procuramos a Geraes FM porque era a única que tinha a ver com a nossa proposta.

Pílula: Quanto tempo o programa ficou no ar até que a Geraes acabasse?

Terence: Seis meses.

Rodrigo: Temos dados que a audiência do programa fez com que a rádio crescesse 20 a 25%. Quero dizer, foi o crescimento da rádio neste período, claro que não sei se foi só por causa da gente. Mas é uma coincidência que deve ser levada em consideração.

Terence: A gente está praticamente fechado com a Mix FM para um programa de uma hora. Muita gente fala: “putz, mas é uma rádio de pop-rock, não tem nada a ver”. É, e talvez este seja o desafio maior agora.

Programação

Eu renovo, tu renovas, eles não renovam

Terence: A gente tem este desafio de falar para a molecada que está só escutando Detonautas, ou aquele playlist de 30 músicas que toda rádio de pop-rock tem, de ampliar para 50, 100 (risos).

Rodrigo: A gente vai ter que ser mais didático ainda.

Thiago: O rádio em geral é muito fechado. Conversamos com um diretor de rádio e ele estava na dúvida se tocava Fresno ou não. Nem é uma questão de dar uma chance para os caras. A questão é que é uma banda nova que já pegou, e você não vai tocar?

Terence: E às vezes a dúvida é até pior. Será que eu volto a tocar Madonna? Como assim?

Cena de BH

Eu reclamo, tu reclamas, ele reclama, nós reclamamos

Thiago: Ao mesmo tempo em que o Alto-Falante tem esta idéia de ir para fora, tem uma idéia de pautar muita coisa aqui. Assumir que o programa é mineiro. Você pega Recife, por exemplo, é show o tempo todo. Mas tem uma pancada de bandas nascendo aí, todo mundo de BH devia acompanhar.

Pílula Pop: Quais?

Thiago: Carolina Diz, Ímpar, Trinidad, Cinza, Cinco Rios.

Terence: Acho que o mineiro tem uma cisma, ele enjoa rápido. Hoje se fala em Valv, como se fosse um ancião da cena independente. O Valv é legal, é uma banda muito respeitada fora daqui. Aí você vai para o Rio e eles falam do Carbona o tempo todo. Falta a gente valorizar as coisas daqui.

Thiago: Eu acho que falta um certo senso de organização e produção das próprias bandas. Marketing mesmo.

Pílula Pop: Existe um certo conservadorismo?

Thiago: Sim. Mas isso tem até um lado bom, porque, por exemplo, não adianta jogar o Cansei de Ser Sexy aqui, a gente não vai engolir. Don’t belive the hype total.

Terence: Nem falar que Forgotten Boys é a melhor banda de rock dos últimos tempos.

Rodrigo: E falta senso de corporativismo. Você chega no Rio Grande do Sul, liga na Ipanema ou na Atlântica, está tocando Cachorro Grande o tempo todo. Você pergunta para a Pitty qual é a melhor banda do país, ela vai falar Cascadura.

Terence: Outro dia eu conversei com o pessoal do Udora, que era o Diesel, banda com muito apelo no rock, que ganhou Escalada do Rock In Rio, aquela história toda. Eles estão lançando o disco, a banda vem para Belo Horizonte, levou material em um jornal em Minas e não conseguiu nada. Aqui há resistência.

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