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After, quero dizer, depois do hype

por Rodrigo Ortega

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“Dooong, dooing, dooooom, dzzzzz... Leve your message”. Este é mais ou menos o texto da secretária eletrônica do guitarrista dos Guillemots, o brasileiro MC Lord Magrão, super condizente com a auto-definição de sua função no grupo: “O Fyfe é o cara pop da banda. Eu sou o do som esquisito”. Ligamos mais uma vez para fazer a matéria sobre a banda. A conversa completa você confere abaixo.


Guillemots no metrô: mais do que uns trocados

Pílula Pop: Vocês já estão gravando o disco novo?

Magrão - Guillemots: Na verdade, já está quase pronto. A parte de gravação já terminou, a gente está na fase de mixagem e masterização. A banda assina a co-produção. O produtor que trabalhou na gravação foi o Chris Shank Shaw, que já trabalhou com Bob Dylan e Public Enemy. (N. do E.: ele também foi companheiro de estúdio de Weezer e Super Furry Animals).

Pílula Pop: A banda realmente fechou com a Polydor?

Magrão - Guillemots: A gente é assinado com uma gravadora independente, a Fantastic Plastic, e também com a Polydor. De acordo com o nosso contrato, os discos saem primeiro pela independente, que depois passa os direitos para a Polydor.

Pílula Pop: Já sabem quando vai ser o lançamento do disco no Brasil?

Magrão - Guillemots: O que a gente está fazendo nos EUA, México, Austrália, Japão, Europa e Brasil, é lançar este mini-disco primeiro, com o primeiro EP e o primeiro single, que é "Trains to Brazil" mais os lado B, antes do álbum sair. Na Inglaterra o disco deve sair no começo de junho. No Brasil, no final de abril sai o mini-álbum, e o álbum dois ou três meses depois.

Pílula Pop: Uma curiosidade: de onde surgiu o nome Mc Lord Magrão?

Magrão - Guillemots: Foi uma piada. Eu tocava com uma banda em São Paulo que se chamava Prendedor, a gente usava um prendedor de roupa gigante como percussão. Aí a gente foi tocar em um festival com bandas de trash metal e rap. Antes do show, durante uma brincadeira, um amigo falou que eu ia ser o MC Lord Magrão. Magrão já é velho, mas aí MC Lord soou bem... (risos).

Pílula Pop: Você toca alguma coisa além de guitarra no Guillemots?

Magrão - Guillemots: Faço alguns backing vocals. Toco guitarra, baixo, máquina de escrever, furadeira... Têm algumas músicas em português que a gente tocava quando começou com a banda, mas paramos de tocar porque elas não eram tão pop quanto as outras, mas algumas coisas continuam em português.

Pílula Pop: Com quais bandas vocês já tocaram e que shows têm marcados?

Magrão - Guillemots: Ano passado a gente estava abrindo os shows do Rufus Wainwight, tocamos com os The Tears. abrimos um show para o Tom Vek. Por agora vamos tocar em um festival em Roterdã, na Holanda, depois em um festival na Bélgica, e Nova York, Los Angeles, São Francisco.

Pílula Pop: E o lançamento pela Fantastic Plastic?

Magrão - Guillemots: O diretor do selo já conhecia o que o Fyfe estava fazendo. Quando a gente montou o Guillemots que eram só três (eu, o Fyfe e o Greg), ele viu alguns shows, se interessou, e se propõs a lançar o primeiro EP. A relação sempre foi muito boa. Tanto que, after... quero dizer, depois de assinar com a Polydor a gente quis mantê-los como o selo principal.

Pílula Pop: Quando você percebeu que a banda estava crescendo?

Magrão - Guillemots: Há uns oito meses. Foi quando este tanto de gravadoras começaram a correr atrás do Guillemots. A divulgação foi melhor, o show ficou melhor, tivemos vários esgotados. É meio estranho, foi tudo tão rápido que foi difícil perceber na real o que estava rolando.


Também tem orquestra no estúdio dos Guillemots

Pílula Pop: Você fala em influências de barulho e trabalhos experimentais...

Magrão - Guillemots: Eu gosto de som de construção. Construção em cidade grande com bastante tráfego. Mas em relação a bandas, na verdade eu gosto de muita coisa. Mas as principais influências seriam Butthole Surfers, Einstürzende Neubaten e John Frusciante (o primeiro solo dele é bem legal). Mas a gente usa desde instrumentos clássicos até coisas que não são instrumentos. Usamos furadeira, na verdade eu uso a furadeira na guitarra. Tem muito som de pedal e teclado que a gente usa para criar ambientes, como se estivéssemos no mar, ou em um deserto, este tipo de coisa.

Pílula Pop: Fala-se muito que o som Guillemots é peculiar, não pode ser comparado com outras bandas. Você concorda?

Magrão - Guillemots: É difícil dizer do meu ponto de vista. Na verdade eu nunca ouvi nada que dê para comparar, literalmente, com o que a gente está fazendo. De coisa recente, na verdade eu não sei porque eu não ouço muita música nova. Arcade Fire eu concordo, tem uma relação, acho que é uma questão mais do show do que do disco. Mas em relação a coisas que já estão aí faz uma cara, Radiohead, Bjork, acho que seriam os mais comparáveis. Mas é difícil dizer, porque a gente vai do pop até o mais experimental extremo. E tem muito improviso ao vivo. E no disco a gente tenta manter este aspecto.

Pílula Pop: As músicas que já foram lançadas como singles vão estar no disco?

Magrão - Guillemots: Sim. "Trains to Brazil" e "He're Here", que foi lançado agora. Tem também "Made up song", que está no primeiro EP ("I Saw Such Things in My Sleep") e provavelmente vai ser lançada como terceiro single. Deve vir um quarto single, mas não está muito definido ainda. A gente tem o disco pronto, mas não a ordem dos singles.

Pílula Pop: Você não tem medo de muita expectativa?

Magrão - Guillemots: Rola uma pressão. Saber que todo mundo está na expectativa do que a gente vai fazer e como vai ser o disco é meio complicado. Não assusta, mas você sabe que tem que trabalhar duro para fazer o melhor possível. O que tem sido bom, porque a gravadora tem nos deixado trabalhar do jeito que queremos, então acredito que vai cumprir as expectativas de todo mundo.

Pílula Pop: Pretendem tocar no Brasil?

Magrão - Guillemots: O Eduardo (Ramos, da Slag) falou alguma coisa sobre São Paulo, Curitiba, mas não sei. A idéia era lançar o mini-álbum e fazer o show logo depois. Mas não vai dar tempo. A gente quer ver se toca aí em setembro.

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