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10 anos de banda né? Que coincidência...

por Braulio Lorentz

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O lançamento do DVD-CD Ao vivo do Tianastácia marca os 10 anos de banda. Marca também a volta do sexteto mineiro a uma grande gravadora, após um disco na independência (Na Boca do Sapo tem dente, 2003). A gravadora em questão é a EMI, que já lançou dois álbuns do Tianastácia: Tá na Boa, de 1999, e Criança Louca, de 2000. Todo este “papo de release” vai por água abaixo logo após o primeiro minuto da entrevista coletiva com os seis integrantes do Tianastácia.

“Nada foi planejado...”

A banda chega e se reúne na salinha do coffe break. “Eles estão padronizando as respostas que vão dar. É pra cada um não falar uma coisa diferente”, brinca uma repórter. Pouco antes, Podé, o vocalista, comentara sobre o fato da entrevista ser às 10h: “Cês marcaram esse negócio cedo demais pra músico”.

Entre confissões de amor aos fãs e detalhes sobre o novo projeto, os caras fazem coro ao afirmarem que “o lançamento não foi programado”. Antes do show, realizado no festival Pop Rock 2004, em Belo Horizonte, só havia a idéia de produzir um clipe independente para a música “Fora de Controle”. “Ia gravar uma música, grava o show inteiro”, resume o também vocalista Maurinho. “Em vez de gravar 5 minutos, a gente gravou 50”, completa Glauco, o baterista. Engana-se quem pensa que não dava para simplificar ainda mais:

“Vocês filmaram? Então a gente quer...”

Foi assim que o presidente da EMI, Marcos Maynard, demonstrou interesse no projeto. “Trouxemos o cara para ver nosso show e ele gostou do que viu”, conta Podé. Eles também confessam que sempre tiveram shows melhores do que seus discos e agora resolveram este impasse. "O disco é o show", comemora o guitarrista Antônio Júlio. “Foi uma coincidência comemorar dessa forma os 10 anos, mas nada foi planejado”, repete Maurinho. Por falar em repetição, ele estava com a mesma camisa do dia da gravação do disco.

“Em Ipatinga ou no Rio de Janeiro...”

Parece balela, mas não é. A banda bate na mesma tecla e tudo parece se encaixar. O CD-DVD não tem composições novas. "Se tivéssemos ensaiado antes, certamente teria música inédita", lamenta Glauco. Também não tem cenário, ou melhor, o cenário é o público. “É um cenário móvel, com 30 mil pessoas pulando”, emenda Maurinho. Participações especiais também não estão no projeto. “É um registro fiel, não foram três dias de show, com cenários, convidados e tal”, alfineta Podé. Alguém pensou nos Especiais MTV? Eu não...

Enfim, o que vemos e ouvimos no DVD-CD é “o mesmo show em Ipatinga ou no Rio de Janeiro”. De inédito, só a banda tocando em um palco em cima das mesas de som e de luz, durante a apresentação da noite de 11 de setembro no estádio Independência.

“Uma banda do povo...”

O Tianastácia nunca esteve em turnê, não é uma mega-banda. “Turnê é coisa de banda grande. Não ficamos seis meses sem tocar para depois fazer show. A gente sempre tem um showzinho por semana”, explica o baixista Beto.

“E eu desconheço uma banda que não faça como a gente”, confessa o guitarrista Léo. “A gente vive uma ascensão lenta, mas sempre estamos subindo”, completa Beto.

Duas sessões no Cinemark apresentaram o projeto aos fãs agraciados em uma promoção da rádio 98 FM. “Esses 100 ingressos são para o povo que fez a gente estar aqui hoje conversando com vocês”, declara Podé.

Extras

O show mostra o que é a banda no palco. Os extras ficam encarregados de representar o que é a banda no dia a dia. Galeria de fotos, making of e bootlegs dão conta do recado. Estes últimos são vídeos gravados nas apresentações do Tianastácia pelo Brasil. “O primeiro vídeo sou eu filmando de cima do palco, num show em São Paulo”, conta Podé. Ao todo são 17 músicas gravadas em versão “tosca”, segundo definição dos próprios integrantes.

A banda tem em quem se espelhar. “Eu me senti amigo do John Lennon quando vi os cinco DVDs com Bootlegs dos Beatles”, confessa Podé. Além da pirataria autorizada, há também cenas de bastidores. “Filmamos os making of em VHS, se fosse igual essa câmera daí [apontando para a câmera digital da Puc TV] seria melhor né?”, comenta Podé. As músicas de estúdio “Fora de controle”, “Rama”, “O sol”, “Sapo Antunes” também estão no disco. “Elas são mais fáceis de serem trabalhadas na rádio. Guarani ou Alvorada [rádios "adultas" de Belo Horizonte] não tocariam as músicas do Ao Vivo”, explica Podé. Prova de que nem tudo é tão por acaso assim.

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