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Armada independente

por Rodrigo Ortega

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“Olá, foi mal pela hora, é que não conheço bem a cidade...”

“Sem problema. Tentei marcar com o resto do pessoal do Coquetel Molotov, mas não deu. Mas acho que temos coisas legais para mostrar”.

Pilhas de revistas, computador ligado, CDs no chão e nas estantes, cartazes e pôsters de bandas diversas. “Yeah, rock!”!, pensei. Este é o quarto de Ana Garcia, uma das integrantes do Coquetel Molotov, “armada independente” do Recife, como definiu o jornalista Lúcio Ribeiro. O “resto do pessoal” é Jarmeson de Lima, Tathianna Nunes e Viviane Menezes.

Já era tarde e o último ônibus de volta passara dez minutos antes. Por isso não demorei a colocar o dedo no REC. Nos próximos minutos, Ana Garcia tenta explicar por partes um projeto hiperativo como o Coquetel Molotov.

Programa de Rádio

“O Coquetel Molotov surgiu como programa de rádio quando estávamos na faculdade. Quem começou foram Viviane, Tathianna e Tiago (que hoje mora na Inglaterra), em 2000. Fui a última a entrar. Acho que eles me chamaram porque eu tinha muitos CDs (risos). Um ano depois me mudei para São Paulo e para manter o contato o Coquetel eu criei o site. O programa começou na Universitária AM, depois passou por outras FMs e agora está na Universitária FM, além do Podcast e da transmissão pela Internet”.


Ana Garcia tenta explicar as várias frentes da armada

O site

“O site que está no ar agora é o terceiro. Quem fez o primeiro foi o Josmar Madureira, da banda Monokini (SP), depois foi minha amiga Estela, designer, dos EUA. Mas os sites anteriores era que eles não eram eficientes, sabe? Sempre tinham problemas para se ler. Então a gente queria um site que tivesse barras de rolagem bem toscas mesmo, mas que fosse bonito, leve e claro. Os meninos que fizeram este atual foram da Mooz (www.mooz.com.br), os mesmos que fizeram a revista”.

Revista e Patrocínio

“O patrocínio da revista é da Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco. O primeiro contato que eu tive com o governo foi no Abril Pro Rock do ano passado. Estávamos eu, Viviane e Tathianna bebendo nas barraquinhas. De repente desceu o Mozar, secretário de cultura. (intervenção: “O secretário de cultura vai ao Abril Pro Rock? Que lindo! Em Minas a secretária não deve nem sair da casa dela.) Pois é, quando ele desceu, eu falei “Eu sou a Ana Garcia, do Coquetel Molotov, estou precisando de não sei quantos reais para fazer um festival”. Aí marcamos uma reunião e ele realmente pagou para o festival. A partir deste contato pudemos fazer mais coisas, como a revista. Eles também apoiaram o disco da Rádio de Outono.”

Texto no site X na revista

“Qualquer coisa impressa pode ser legal se for distribuída bem na página, divertida para ler. Obviamente eu gosto de ler coisas mais coloquiais. Mas eu acho essencial o impresso priorizar a informação. Hoje mesmo quando fui atualizar o site coloquei a entrevista na íntegra do Cansei de Ser Sexy que fizemos para a revista. Ficou muito mais legal no site. Tinham umas perguntas muito bestas que ela respondeu, muito engraçadas. Mas os leitores da revista e do site são diferentes. Geralmente quem acessa o site já tem uma noção do que é o Coquetel Molotov, e quem pega a revista não. Tem jornalistas lendo a revista, pessoas que entendem um pouco mais do que a gente então a gente tenta ter um cuidado maior”.


Capa da primeira edição da revista Coquetel Molotov

Público

“Esta revista teve duas mil cópias, e a tiragem deve ser a cada três meses. A revista zero, que foi só um projeto, teve quinhentas cópias. Lembrando que é uma revista gratuita. O site, temos até que aumentar o nosso número de banda. Temos de quatrocentos a quinentos acessos únicos por dia.”

Selos e Rádio de Outono

“Dividimos nossos lançamentos em dois selos. O Bazuka Discos trabalha com CD-R e o primeiro disco é o do Chambaril. O outro selo, chamado Coquetel Molotov, lançou o EP da Rádio de Outono. Sempre tivemos muito contato com o pessoal da banda. Eu estudei com a Bárbara. Eles são muito determinados, é bem legal trabalhar com eles. Fizemos mil cópias inicialmente. Está vendendo bastante nos shows, todas as rádios daqui tem o disco, muita gente de fora pedindo também”.

Projeto de vida

“O Jamerson trabalha, Tatiane e Viviane estudam e eu arrumei um emprego agora. Mas o Coquetel Molotov é o nosso projeto de vida. Estou com outro emprego porque eu achei que precisava de infiltrar em outros meios para trazer coisas novas para o Coquetel. Escrevo para outras revistas também, mas sempre pensando neste projeto de vida”.

BOOOM! Isso foi o som da minha consciência – preciso perguntar sobre as bandas que eles pensam em trazer para os shows promovidos pelo Coquetel. “Não conhecia direito o Kills antes de surgir a idéia do último festival”. A confissão de Ana me deixou mais a vontade para transcrever alguns trechos e nomes de bandas que consegui captar.


Ana Garcia tenta explicar as várias frentes da armada

Produtora de shows

“...em 2006 vamos trazer bandas suecas. A Secretaria de Cultura da Suécia apóia muito as bandas para ir a outros países, paga tudo. O International Noise Conspiracy ficou interessado. The Works (que é uma banda do mesmo selo do Dungen, Subliminal Sounds) deve vir. Estamos tentando Hell on Wheels novamente. Tentamos contato com o Wannadies, mas ninguém respondeu, não sabemos nem se a banda está na ativa...”

“...a França tem esta mesma forma de trabalhar. Eles gostaram muito do nosso trabalho com o Berg Sans Nipple. Então eles querem que a gente traga umas três bandas francesas. Eu prefiro trazer uma maior do que três menores. Estamos conversando com bandas como Nouvelle Vague...”

“...estamos trabalhando com nomes maiores obviamente, mas é melhor não adiantar nada. O meu sonho é trazer Animal Collective. Pensamos nos Arctic Monkeys também. Mas são só desejos ainda. O festival é em agosto. Os grupos só começam a ser definidos a partir em março, abril...”

“...aconteceu uma coisa muito estranha este ano com o No Ar. É um festival com uma lógica bem underground, que nunca teve uma atração muito grande, exceto o Teenage Fanclub. Mesmo assim, atraiu as personalidades de Recife, todo mundo foi. Então o próximo tem que ter algo a mais, sabe? E este ano as pessoas aceitaram como festival, com críticas negativas e positivas, aceitando isso como um evento para Recife...”

“...com estas produções eu aprendi realmente a não idolatrar os artistas. Eles adoram encher seu saco, exceto pelas bandas amigas, claro. Com o The Kills, por exemplo, tivemos um problema enorme por causa de limites do volume de som no teatro. Aprendemos que os artistas são pessoas comuns e nem todos estão preocupados com você...”

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