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No sítio, em tributos, em premiações e em shows

por Braulio Lorentz

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Um grupo carioca se reúne em um sítio e grava o segundo álbum. Qual é o nome da banda? Claro que a resposta é Leela, e não Los Hermanos, pois esta é uma entrevista com o quarteto formado por Bianca Jhordão (guitarra e voz), Rodrigo Brandão (guitarra), Luciano Grossman (bateria) e Tchago (baixo).

Bianca e Rodrigo trocaram e-mails com o Pílula Pop para nos colocar a par das novidades. Aproveitamos a bem-sucedida conexão pilulapop@pilulapop.com.br / leela@leela.com.br para perguntar como foi abrir mão de tocar antes do show do Weezer no Curitiba Rock Festival 2005.

O casal do Leela também contou que não achou ruim a trinca de indicações na categoria “banda revelação” entre 2002 e 2006. Incômodo mesmo só quando exageram nas comparações com a Pitty. “No início incomodava um pouco”, desabafou Bianca.

Outra trinca recente da carreira do Leela é a de participações em tributos. A banda fez versões para faixas de Renato Russo, Ultraje a Rigor e Odair José, incluídas em CDs que homenagearam esses artistas. “Foram experiências bem distintas”, resumiu Rodrigo. Vamos, então, ao bate-papo.


Rodrigo e Bianca tocam as novas músicas no sítio

Pílula Pop: Muitas das músicas do disco de estréia já faziam parte do repertório da banda nos shows. Algumas delas também estavam no EP independente. Portanto, vocês já sabiam quais músicas funcionavam e as preferidas dos fãs. Vocês concordam que de certo modo resumiram quatro anos de banda em um disco?

Leela: (Bianca) Desde que a banda se formou, em 2000, vínhamos fazendo músicas, tocando nos shows, mudando, adaptando idéias até o formato final que está no nosso disco lançado em 2004. Escolhemos as 11 músicas que mais tinham a ver com o nosso estilo, com o momento e, sem dúvida, as preferidas dos fãs nos shows. Outras que não entraram no disco ficaram guardadas na gaveta.

Pílula Pop: No segundo CD, como será não ter anos de resposta do público para as canções? Vocês ficam mais ansiosos por tudo ser mais novo?

Leela: (Bianca) A gente está curtindo bastante esse período para a composição do novo álbum. Em fevereiro, ficamos 15 dias no sítio da minha avó em Itaipava para testar as idéias e saímos de lá com dez músicas novas prontas e mais algumas que estamos finalizando. Entre março e abril, ficamos em estúdio para registrar essas primeiras canções (somadas a mais duas músicas antigas, de fora do primeiro disco, e que ficamos empolgados em retomar). Agora, em maio, fechamos o repertório junto com o Rick Bonadio, que também irá produzir nosso segundo álbum. Nos shows recentes, temos tocado algumas músicas novas até para testá-las com o público e, especialmente, com nós mesmos, já que, outras vezes, abandonamos certas canções que não foram tão divertidas de apresentar ao vivo. O que posso dizer é que, no momento, estamos bem empolgados com o repertório mas ainda podemos mudar bastante o conteúdo do álbum até o início das gravações.

Pílula Pop: Vocês estavam escalados para abrir o show do Weezer, uma das bandas favoritas de vocês, no Curitiba Rock Festival 2005. Como foi largar essa oportunidade e pegar algo mais bacana comercialmente, que foi abrir os shows da Avril Lavigne? Doeu o coração?

Leela: (Bianca) Foi muita coincidência que esses shows acontecessem no mesmo final de semana. A gente tinha fechado com o pessoal do Curitiba Rock Festival dois meses antes e passamos essa data para nosso escritório. Só que nas três semanas anteriores aos shows, recebemos um telefonema do escritório dizendo que iríamos abrir os shows da Avril no Brasil, que ela mesma tinha escolhido a gente e tal. Na mesma hora disse que estava tudo bem em tocar com ela na sexta em Curtiba e no domingo em São Paulo, mas que, no sábado, tocaríamos com o Weezer em Curitiba. Só que isso não podia ser feito, eram os três shows ou nenhum. Como era realmente uma oportunidade bem legal de mostrar nossa música para um grande número de pessoas, o Rick nos convenceu de que seria melhor fazer o fim de semana com a Avril. Tentei de todo modo agitar algum esquema para fazer os dois shows no mesmo dia, mas seria inviável. Se um dos shows fosse uma semana antes ou depois daria para tocarmos nos dois eventos, mas infelizmente os dois shows foram exatamente no mesmo dia. Mesmo assim, tocando com a Avril no Rio no sábado, depois do show saímos correndo para o aeroporto e chegamos em Curitiba na hora que o Weezer praticamente entrou no palco.


Pra entrar na floresta do Leela tem que vestir camisa preta e óculos escuros

Pílula Pop: Vocês conferiram o show do Weezer, pelo menos... O que acharam?

Leela: (Bianca) Foi sensacional! O melhor show que eu fui em 2005. A banda é perfeita, as músicas são ótimas e eles estavam inspirados e empolgados naquela noite. Eu cantei todas as músicas e quase fiquei sem voz para o show do dia seguinte. Valeu e muito a pena fazer todo o esforço para conferir o Weezer ao vivo. O que aconteceu é que eu e Rodrigo só tínhamos planejado a nossa ida e não a volta. Então, depois do show, tentamos voltar de ônibus para São Paulo mas todos estavam lotados pela galera que foi no festival e o horário em que tinha lugar, não chegaria a tempo de irmos passar o som no Pacaembu. Tentamos descolar um hotel para passar a noite e batemos em 4 diferentes que estavam lotados. O motorista do táxi em que estávamos ficou até com pena da gente, hehehe... Resolvemos tentar o hotel que tínhamos dormido na noite anterior do show com a Avril em Curtiba e como eles lembraram da gente, descolamos de pernoitar lá por um preço mais em conta. E, bem cedo na manhã seguinte, conseguimos um vôo promocional para São Paulo. Praticamente nem dormimos, mas o show do Pacaembu foi bem mais inspirado depois de ter visto o Weezer na noite anterior.

Pílula Pop: O Leela ganhou o prêmio Dynamite, categoria revelação, em 2002. Em 2005 levou a estatueta de banda revelação do VMB 2005, da MTV. E agora no Prêmio Multishow, em 2006, a banda foi indicada como revelação, de novo. Até que ponto é legal ganhar estatuetas, receber indicações e ser divulgado, porém sempre com a associação a esse rótulo de banda revelação?

Leela: (Rodrigo) Acho ótimo ser indicado como revelação, até porque só lancamos um disco até agora e estamos começando a ficar mais conhecidos. Porém uma das coisas que nos orgulhou bastante foi termos sido indicados como Melhor Álbum de Rock Brasileiro no último Grammy Latino, ao lado de artistas que têm um histórico longo de carreira perto da gente e a categoria também nos trouxe satisfação já que concebemos um álbum, e não canções isoladas (apesar delas funcionarem também dessa forma), e ver as canções trabalhadas à parte do álbum como é feito no mercado fonográfico desde sempre causa uma satisfação incompleta.


Bianca, Tchago, os cachorros e o miojo

Pílula Pop: Outra questão de associação que pode trazer vantagens, mas também deve torrar a paciência. O que vocês pensam e sentem quando imprensa ou público colocam a Pitty como uma espécie de madrinha-precursora das bandas de rock com garota no vocal? Pergunto isso, pois muito frequentemente bandas como Luxúria, Pic-nic, K-sis (e bandas que têm menos a ver, nos casos de Ludov e Rádio de Outono) passam por isso.

Leela: (Bianca) No início incomodava um pouco porque pensávamos - "Estamos há um bom tempo ralando e tendo uma ótima recepção no underground e essa galera nunca ouviu falar da gente e só tem a Pitty como referência e agora ficam nos comparando..." Mas acho que as coisas são assim mesmo, é ótimo o sucesso dela até porque quebra um pouco com o fato de que há poucas (quase nenhuma ainda) mulheres no cenário de rock brasileiro mainstream e não deixa de ser uma conquista das mulheres também aparecerem em maior número. Particularmente, acho isso uma evolução pro mundo! De maneira geral, acredito que a maior participação das mulheres em todos os segmentos da sociedade pode melhorar o mundo (que não anda muito bem), talvez trazer um maior equilíbrio que possa harmonizar mais as coisas.

Pílula Pop: Vocês recentemente participaram de tributos ao Ultraje a Rigor [tocaram "Sexo!", no disco Ainda Somos Inúteis], ao Renato Russo ["Vamos Fazer Um Filme" está no Multishow Ao Vivo que homenageia o cantor] e ao Odair José [Vou tirar você deste lugar]. Em entrevista à revista Bizz, Odair José disse que a versão de "E Ninguém Liga pra Mim", do Leela, era uma das preferidas dele. Como foi fazer parte desses três projetos?

Leela: (Rodrigo) Foram ótimos e, ao mesmo tempo, experiências bem distintas. No do Ultraje e do Odair, foram projetos produzidos por fãs e admiradores deles que nos chamaram para participar e foram feitas de coração, de forma independente, sem verba nenhuma mas foram projetos que resultaram em discos que deram orgulho de participar. Já o do Renato também nos deu enorme satisfação porque, além de eu ser um grande fã da Legião e do Renato (que foram uma banda bastante significativa na minha vida), trabalhamos com uma estrutura técnica e de produção mainstream ao lado de artistas consagrados e também porque foi um show ao vivo e show a gente adora fazer, ainda mais com a energia daquela platéia. Foi o primeiro DVD lançado no mercado em que participamos e soubemos que é um sucesso de vendas (ja é DVD de ouro) apesar do pouco tempo lançado e que nossa versão passa como clipe separadamente na programacao do Multishow. Artisticamente para nós, todas as três participações nos deixaram bem contentes com nossa performance.


No primeiro teve theremin, no segundo tem maracas

Pílula Pop: Voltando a falar sobre o novo disco. O que há de novo? As letras terão as mesmas temáticas e as guitarras terão o mesmo peso? O disco já tem nome e música de trabalho escolhida?

Leela: (Rodrigo) Não temos nada ainda definido quanto a nome, repertório e música de trabalho. A temática será um pouco diferente mas ainda falamos de relacionamentos entre as pessoas, talvez agora de forma um pouco mais subjetiva. Já as guitarras estão um pouco menos distorcidas, porém mais rápidas e energéticas, e ainda bem altas!

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