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Eryk está; Eryk é; Ação.

por Rodrigo Ortega

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"O ser humano não é isento de nada. Na arte, ainda mais, como você vai ser isento? O documentário objetivo é uma mentira total. O filme mede nossa temperatura, é um termômetro das nossas relações. Por exemplo, estou aqui, de ressaca, há uma hora falando com vocês, que vão editar depois em três frases. E aí, vocês são isentos?". As seis frases do início deste texto saíram do final da entrevista com diretor Eryk Rocha.

A temperatura era baixa em Ouro Preto, onde o filme de Erik, “Intervalo Clandestino”, foi exibido na noite anterior. O frisson inicial da cena do filho de Glauber Rocha de óculos escuros e boné com a bandeira de Cuba já tinha virado conversa morna. O termômetro só mostrou reação quando Eryk não isentou os entrevistadores. "O jornalismo, muito menos, é isento de nada, porque está condicionado a empresas. Vocês sabem disso muito bem.” Aproveito para deixar aqui um beijão para a galera da Natura.

Eryk continua: “O que torna interessante uma história é a forma como você vai abordar aquilo. De início, qualquer tema pode ser interessante. O que torna instigante a arte é o olhar de cada qual, a particularidade desse olhar, a potência, a estranheza de cada olhar". Neste momento o assessor encerra a entrevista. Eryk sai e deixa de presente uma conversa com carta branca de edição. Aí rola um corte seco para voltar ao início da história, em cenas variadas.


Esquerdista moderno/contemporâneo (foto: Leonardo Lara - divulgação)

Eryk está em: Edukators

Eryk é: o produtor da interferência pirata em TVs que o trio planejou no final do filme.

Ação: "Uma das proposições de “Intervalo Clandestino” é pensar a arte pública, em uma convergência de cinema e televisão. O filme trabalha com a questão midiática na própria linguagem, na estrutura visual. Como se o filme pudesse se infiltrar na Rede Globo, oito e meia da noite, clandestinamente. Imagine como seria isto".

Eryk está em: O Novo Mundo

Eryk é: um índio velho que opina sobre onde o sonho americano vai parar.

Ação: "Eu não acredito em utopia. Acredito em um fluxo, aqui, agora, nesta nossa conversa. Nela pode acontecer alguma coisa. A utopia é a cartilha do neoliberalismo. Ela está sempre adiando a transformação, o poder de cada um de nós. Eu acredito mais, como diz o Nação Zumbi, nos algoritmos, no poder do instante. A utopia, com a democracia, é usada hoje para justificar o modelo deformado e todos os crimes políticos cometidos."

Eryk está em: Fahrenheit – 11 de Setembro

Eryk é: um depoente brasileiro que Michael Moore credita de propósito como argentino.

Ação: "O marketing devorou a política. Este não é o foco do filme, mas está implícito na pesquisa do filme. A publicidade, o marketing devorou a política, e devorou a arte também. Este discurso é calcado nesta imagem midiática de vender. O que é o jornalismo, ou o cinema, além de uma mercadoria?"


Ekyk em ação numa das cenas mais bacanas de "Intevalo"

Erik está em: Sou feia, mas tô na moda

Eryk é: um garoto de classe média que explica porque se interessa por baile funk.

Ação: "No “Intervalo Clandestino”, o que nos atraiu foi a idéia de botar esta temperatura, levar a multidão às telas. Tentar criar o debate político onde a política acontece na multidão, no gesto, no corpo, na cidade, com a multidão brasileira, com o povo brasileiro. São eles que guiam a narrativa do filme."

Erik está em: Tapete Vermelho

Eryk é: um amigo de Quinzinho que conta o que aconteceu com os cinemas por ali.

Ação: “A gente fechou um acordo para mostrar o filme em 20 comunidades do Rio de Janeiro, fazendo debates, para tentar descentralizar o lançamento. O que é o cinema no Brasil hoje quando você não tem um milhão de dólares para lançar um filme? É você ficar restrito à classe média, ao gueto, à elite. A cultura oficial no Brasil hoje é totalmente elitizada. A sala fica na zona sul, com estacionamento pago, ingresso a 16 reais, Então a gente quis fazer um filme construído pela multidão para a classe média ver. 92% das cidades do Brasil hoje não têm cinema, e ainda falam que o cinema no Brasil é popular...”

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