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Pelo fim da putaria

por Rodrigo Ortega

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Depois de ficar a tarde inteira esperando para entrevistar o Mombojó, logo antes do show na Biblioteca Pública Estaudual, em Belo Horizonte, saí para procurar um pão de queijo. Na volta, adivinha quem já estava lá dando entrevista? Foi como acender cigarro no ponto de ônibus, uma das únicas circunstâncias em que se pode usar Murphy a seu favor.


Campello ao fundo (por Marcelo Santiago)

Entrei meio sem graça e tive a sorte de achar Marcelo Campello passeando pelo palco. Sorte mesmo. Talvez em outra circunstância eu teria vergonha de dizer que queria entrevista "do mesmo entrevistado do Gordurama". A conversa que eu lera há uns dias é ótima. O redator falou com Campello depois de detonar em uma crítica o primeiro disco do Mombojó, Nadadenovo (2004), mas nenhum dos dois se constrangeu ou deixou de ser sincero no encontro.

Campello falou com a mesma serenidade ao Pílula sobre liberdade da banda na Trama, sobre as semelhanças do segundo disco da banda, Homem-Espuma, com o projeto paralelo dos músicos, Del Rey, só de covers de Roberto Carlos, e sobre os fãs, aos quais fez um justo apelo. E você nem precisa ir procurar um pão-de-queijo para o entrevistado aparecer.

Pílula Pop: O primeiro disco do Mombojó foi feito com bastante liberdade, já que tinha verba de Lei de Incentivo à Cultura. Este foi por uma gravadora. Houve alguma interferência da Trama no disco?

Marcelo Campello - Mombojó: Não, a gente assinou com a Trama porque sabemos que é uma gravadora que não tem este perfil de major, de interferir no processo criativo ou de gravação. A gente teve liberdade para experimentar. Inclusive continuamos trabalhando com nossa política de Copyleft, de liberar as músicas na internet. Para trabalhar em uma gravadora com este conceito, é porque eles estão muito afinados com a nossa ideologia.


Campello boxeador

Pílula Pop: A Trama não tem perfil de major na questão da interferência, mas tem um pouco deste perfil na divulgação...

Marcelo Campello - Mombojó: A gente conta agora com uma estrutura que não tínhamos antes, que é, por exemplo, uma equipe só para lidar com a imprensa. Logo que a gente lançou o disco, cada um da banda teve uma agenda de quatro, cinco entrevistas por dia, para vários jornais do país. Foi uma coisa articulada, uma estratégia de lançamento nacional. Não teríamos como fazer isso se não estivéssemos em uma gravadora. E outras coisas mais...

Pílula Pop: E para os shows?

Marcelo Campello - Mombojó: A produção para shows continua sendo nossa. Eles ajudam mais neste sentido de divulgação. E distribuição também: nosso disco está em todas as lojas do país, praticamente. Acho que o que a gente saiu ganhando mesmo foi nisso. E na possibilidade de usar um estúdio de ponta, com equipamentos de ponta para gravar o disco.

Pílula Pop: Você acha que Homem-Espuma tem influências do trabalho com o Del Rey? O disco tem mais teclados.

Marcelo Campello - Mombojó: O Del Rey, na verdade, já é um outro capítulo. No primeiro disco a gente já tinha essa busca por timbres retrôs. Quando eu e Felipe conhecemos o China (vocalista do Del Rey), escutávamos muito Roberto Carlos, The Pops, até umas coisas mais novas, como Man or Astro-man?

Pílula Pop: E Odair José?

Marcelo Campello - Mombojó: A gente participou do disco-tributo, mas não tivemos muito aprofundamento, isso foi depois. Mas essa busca por timbre independeu da Del Rey. Já era uma tendência da gente. A Del Rey talvez tenha contribuído pelo fato de o teclado utilizar muito timbre de Hammond, por esta pesquisa específica. E na Trama, a gente teve possibilidade de ter acesso a estes teclados originais. Eles têm teclados Roades, Hammond, Moogs, aí a gente pôde deitar e rolar. Acho que por isso o disco acabou tendo uma marca forte disso. Também de amplificadores antigos, guitarras e baixos antigos de excelente qualidade.


Campello na caixa

Pílula Pop: Em Olinda e Recife, Mombojó é também um adjetivo, tipo “aquela pessoa é Mombojó”. O que você acha disso?

Marcelo Campello - Mombojó: Eu acho engraçado. Teve uma situação em que eu saí de um show no Pátio de São Pedro (no Recife), e estava indo pro carro com minha irmã e passei por um grupo de umas três ou quatro pessoas que disseram: “olha um cara imitando os Mombojó!”. Aí eu ri pra caralho na hora. Não sei se é a roupa, não sei o que é. Lá em Recife tem umas pessoas que se dizem Mombojetes, que são as fãs e os Mombojox, que são os fãs. Eu levo tudo isso na brincadeira. O legal mesmo seria se eles se juntassem e fizessem um fã-clube, colocassem a banda para frente, né? Votassem para a gente participar das coisas. Mas eles não se organizam, só ficam nessa putaria. (risos)

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