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A arte de juntar caquinhos e tocar computador

por Braulio Lorentz
Foto: Mariana Marques

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John Ulhoa toca guitarra no Pato Fu, mas gosta também de tocar computador acompanhando outras bandas. Durante o piquenique de lançamento do CD de estréia da cantora mineira Érika Machado, o Pílula Pop bateu um papo com John para saber mais sobre seu histórico como produtor: com destaque para as estréias de Érika e Digitaria, e para a volta de Arnaldo Baptista.

A entrevista com o John produtor musical você lê nas linhas abaixo. O ressonância com o John do Pato Fu fica para outra ocasião. Fechado?


Este Ressonância foi no estilo conversa em banco de praça

Pílula Pop: Como rolou o contato para você produzir o CD? A gente já ouviu da Érika, mas é legal saber de você.

John Ulhoa: Nossa, será que a gente vai contar a mesma história? Eu fui assistir a um show da Patricia Ahmaral e a Érika estava lá. Ela me deu o disco Baratinho [EP de estréia] dela de presente. Eu ouvi em casa, achei legal e muito promissor. Era só um rascunho de idéias. Mostra que ela tinha um universo próprio, muita criatividade e personalidade. Mas era rascunhado. Uns dias depois ela me ligou, querendo que eu produzisse um disco “de verdade”, digamos assim. Eu falei que iria produzir, mas ela tinha que fazer mais coisa. Tinha que fazer mais música, achar uma banda, começar a tocar com os amigos. Porque eu não queria produzir só a partir do voz e violão. Eu queria que ela viesse com um som.

Pílula Pop: Você já produziu discos do Arnaldo Baptista, Digitaria e o da Érika. Quais são as diferenças do processo de produção nesses casos?

John Ulhoa:

Érika Machado

Cada artista tem um jeito muito diferente de trabalhar. A Érika tinha esse negócio de voz e violão, que é legal para entender como é a composição. Mas como produtor eu não gosto muito da idéia de pegar um artista assim e tentar chamar músico, fazer arranjos inteiros. Eu acabo repetindo as fórmulas que uso em outros trabalhos. Então, é por isso que eu pedi pra ela fazer mais coisas, achar outros parceiros, achar outros músicos que viessem com mais material.

Digitaria

Tem músico que vem com tudo tão pronto que é até difícil colocar o dedo. O Digitaria, por exemplo, eles são produtores também. Eles gravam no estúdio deles. Produzem música e têm muita consciência de timbres e da coisa eletrônica. Eles vêm com muito material e eu ajudo a dar um tapa, um acabamento final. A gente mexe, mexe, mexe e depois desmexe, desmexe, desmexe e volta a ficar do jeito que eles trouxeram.

Arnaldo Baptista

O Arnaldo é outra coisa completamente diferente. Ele é uma bomba de informações que manda as coisas pro alto. Tem que catar os caquinhos e juntar para fazer um disco. Eu acho que a função do produtor é ao mesmo tempo que dá palpites, tem personalidade, mas também tem que desaparecer. Tem que deixar a personalidade do artista vir à tona.


John e Érika em estúdio
Foto: Divulgação

Pílula Pop: Tem algum tapa específico em alguma música da Érika que você pode contar? Algum caso da transformação das músicas do Baratinho...

John Ulhoa: As músicas do Baratinho tinham quarenta segundos. Então eu falava: “Meu, tem que ter mais uma parte”. Às vezes ela ia pra casa e fazia mais dez versos. Até nessa parte de composição, o produtor pode ajudar, sem atrapalhar: “Olha, essa música é muito legal, mas você só fez quatro versos. Tem que fazer mais. Tem que fazer a parte B da música”. Nos arranjos finais, tinha música que o arranjo de violão era muito inspirador. As coisas eram construídas em torno do violão. Já em outros, era só um acompanhamento para demonstrar aquela música. Nessas, a gente compôs tudo a partir do zero.

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