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Leandro gosta de rock

por Braulio Lorentz
Fotos: Igor Costoli

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No começo estávamos tímidos

Ao chegar ao hotel em que estava hospedado, localizado no bairro de Lourdes, na região centro-sul de Belo Horizonte, Leandro Lopes aparenta estar visivelmente estafado por causa de uma peregrinação por rádios populares. As idas e vindas radiofônicas ocorreram na tarde de dois de outubro, um dia antes do lançamento oficial do disco de estréia em um shopping da capital mineira.

Pica-pau, apelido que ganhou no programa Ídolos, do qual foi vencedor, pela primeira vez está com um monte de seus CDs nas mãos. Logo depois de dizer “Boa Noite!”, Leandro mostra o disco para as fãs que o esperam. O processo não demora muito, já que havia apenas uma garota, que provavelmente pintou o cabelo de vermelho por causa dele, e duas senhoras acompanhando a ruivinha.

Na noite seguinte, no Shopping Cidade, situado no centro de BH, tudo seria diferente. Cerca de 500 pessoas ficaram espremidas e esticaram o pescoço para ver o “novo ídolo do Brasil”. Pouco mais de 60 compraram o disquinho recém-lançado e receberam uma senha. Os felizardos poderiam mais tarde trocar a senha por autógrafos e abraços do rapaz que gosta de Lulu Santos, tem timbre de Lulu Santos e regravou uma música do Lulu Santos (“Último Romântico”).

O SBT já tem experiência em programas que formam novos ídolos. A grife Popstar originou duas bandas: uma de meninas, Rouge, e outra de meninos, Broz. A primeira durou três discos e cinco sucessos, e a segunda bem menos do que isso. Leandro confessa que toda essa fugacidade assusta, mas se agarra com unhas e dentes nas diferenças dos programas. “É tudo muito diferente. O formato é diferente. A produção é diferente. O contrato é diferente. Eu sou um só. Eles eram cinco, não se conheciam há muito tempo. Eu me conheço há 22 anos”.


Aos poucos fomos nos soltando

É difícil não julgar um cara que você viu sendo julgado inúmeras vezes na telinha do SBT. Nesse caso, só nos resta apontar, uma a uma, as atitudes de Leandro – a maioria dessas justificando o título deste texto.

Quando perguntado sobre Kelly Clarkson, vencedora do primeiro American Idol, o nosso Brazilian Idol esboça uma cara feia. Pica-pau dá uma olhadinha bem de leve pra assessora e diz: “Velho... A mulher canta demais, cara... Não é... É mais ou menos meu estilo de música... Eu admiro pra caralho o trabalho dela. Vejo clipe e já escutei o CD. Ela é batalhadora igual a mim. No meio de um monte de gente, ela ganhou e agora faz sucesso no mundo todo. Espero que isso aconteça comigo”. As pausas longas entre uma frase e outra não seriam mais repetidas.

No resto da conversa, ele responde de primeira. Isso acontece principalmente quando o assunto é sobre Bruce Dickinson e similares – o vocalista do Iron Maiden é um de seus cantores favoritos. “A primeira banda que eu tive foi de metal”, diz, com um tom de “tô falando sério, ow”.

Leandro conta que é fã de rock pesado. Sobrariam bandas de metal no iPod dele. Isso se ele tivesse um. Mas ele está economizando para ser um iPoder: “Tô precisando. Eu tenho que andar com o notebook pra cima e pra baixo”. No computador ele ouve “Whitesnake, Judas Priest, Iron Maiden, Ozzy”. “Curto muito metal e conheço muitas bandas”, emenda. Ele diz que é fã de Guns N’ Roses. “É uma banda que todo cara que gosta de música começa escutando”, explica.


No final ele já estava ouvindo música!

O rapaz também faz questão de lembrar que pinta o cabelo por causa de um grupo de pop rock, o Mamonas Assassinas: “Meu cabelo é assim dessa cor bem antes do Rebelde e do Rapazola. Eu pintei o cabelo foi por causa do Júlio Rasec [tecladista do Mamonas]. Eu achava aquele cara um louco. Sou muito fã, tenho os CDs, até o Ao Vivo novo que saiu agora”.

Os gostos ficam entre o rock, o pop e o pop rock (“O U2 é outra banda fenomenal pra mim”). Seria incoerente, então, que o repertório de Leandro não tivesse a mesma cara. “Fui eu que escolhi a maioria das músicas. Tem rock e pop. Está bem diversificado, mas está muito no meu estilo. Tudo com guitarra, com gaita, muito swing e muito groove. Tem música que tem até vocal gospel”, conta Leandro. Porém, a diversidade fala mais alto em outro momento: “No show tem até Mamonas. A gente vai ensaiar todas, pra em cada show fazer uma diferente”.

O primeiro hit, “Deixo a Voz Me Levar”, é uma versão de “What´s Left For Me”, de Nick Lachey. “Uma Vida Inteira”, por sua vez, é como foi rebatizada “True”, de Ryan Cabrera. Se as duas versões não têm o poder do metal, ao menos são mais encorpadas e pesadas do que as babas originais. E foi mal Leandro, mas elas têm muitos quês de Kelly Clarkson.

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