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Demorando para antecipar

por Braulio Lorentz e Daniel Oliveira

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Black Eyed Peas, Cardigans, Franz Ferdinand e Robbie Williams, dentre outros, tocaram no Brasil em 2006, e lançaram disco um ano antes. Mas é a terceira coisa em comum que importa agora: o apagar das luzes dos shows por aqui correspondeu ao apagar das luzes da turnê. Hot Hot Heat e The Bravery são duas das principais atrações do Nokia Trends, marcado para o dia 25 de novembro, em São Paulo. Eles promoverão álbuns de 2005 e já prometem novo trabalho.

No caso do Bravery, que também faz show no dia 24 no Circo Voador, no Rio de Janeiro, é difícil definir se receberemos um show adiantado (o segundo CD, The Sun and The Moon, deve ser lançado no começo de 2007) ou atrasado (a estréia que leva o nome da banda saiu em 2005). “Nós vamos tocar um monte de músicas novas”, afirma o vocalista e guitarrista Sam Endicott, em entrevista por telefone ao Pílula Pop. Garantia de que o primeiro parêntese é o mais indicado.

Caso semelhante aconteceu com o Strokes, no Tim Festival do ano passado. Quem viu o quinteto nova-iorquino ao vivo garante que a opção número um diz mais sobre os concertos. The Bravery também é um quinteto de Nova Iorque. Eles têm “The” em seu nome e integrante brasileiro em sua formação, como o Strokes.


Sam é o que está sujando a parede

O baixista Mike H. (nome que possibilita uma perigosa cacofonia e prova de que, definitivamente, ele não entende português) nasceu no Brasil e pediu 75 convites para o show na capital carioca. Embora não fale a língua de Camões e Caetano, ele tem parentes no Rio de Janeiro que já escutaram em rádios e baladas o principal hit da banda, “An Honest Mistake”. A faixa é uma das preferidas de Sam: “Eu nunca entendi as bandas que não gostam de tocar seu maior hit. Eu adoro. É uma boa canção e claro que vamos tocá-la”. Outras duas músicas garantidas, segundo o vocalista, são as novas “Every Word Is A Knife In My Ear” e “Rat In The Walls”.

Pelos motivos já citados, a banda que vem à mente quando o assunto é Bravery é o Strokes. Os grupos que compõem a turma deles, no entanto, são outros. “The Rapture, Radio 4, !!! (pronuncia-se chk-chk-chk) e bandas não só de Nova Iorque, como Daft Punk e Air”, enumera Sam. “Scissor Sisters está fora dessa cena, mas eu gosto muito”, completa.

Ele se empolga ao falar do amontoado de bandas no qual o Bravery despontou. “No começo, era uma cena indie dance eletrônica. A gente tocava um tipo de dance punk”, define. O encontro entre sintetizadores e punk rock, teclados e vocais sintetizados foi uma das marcas da banda no debut. “Agora o som está mais orgânico, mais ‘cinco caras em um quarto’. O novo disco está muito diferente do primeiro, com menos sintetizadores”, diz Sam. O vocalista resume com uma expressão o quanto o produtor Brendan O'Brien ajudou nesta mudança de sonoridade: “he elevated our shit”, algo que minha mãe traduziria como “ele deixou a parada mais legal”.


Sam é o que está segurando o microfone, se bem que tem uns cinco segurando

Se perguntássemos, Sam com certeza não saberia dizer por qual motivo o Killers aparece no segundo resultado, quando se procura “Bravery” no Google. Porém, sobre a briguinha entre Killers e Bravery ele conta o desfecho: “Isso é coisa de muito tempo atrás. A imprensa britânica ficou empolgada. Eles tiraram as declarações do contexto. Ele [o vocalista Brandon Flowers, que havia definido o Bravery como uma banda sem personalidade] já me pediu desculpas recentemente”.

Entre bravos e assassinos, o bom senso e a gentileza ainda existem – e, no final das contas, é o público que gosta de música (e não de posers sem noção), que agradece.

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