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Provocando o Anarkaos

por Braulio Lorentz

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É até sacanagem ficar enchendo o saco de uma banda independente que há mais de 10 anos lança discos (Vítimas dos Anestésicos, de 2002; Eletrocardiodrama, de 2005), clipes e faz shows sem ajuda de grande gravadora, grande diretor, grande produtor ou outra coisa com o mesmo adjetivo. A proposta deste texto, no entanto, é sempre que houver oportunidade instigar os entrevistados, por assim dizer.

O Anarkaos ensaiou os primeiros riffs na cidade de Formiga, no centro-oeste de Minas Gerais, em 96. O primeiro guitarrista, Cleiton Pereira, morreu em acidente de carro um ano depois. Adriano Mendonça entrou pro grupo e, desde então, o quarteto não mudou mais. Ao lado de Adriano estão o guitarrista e vocalista Warlen Leal, o baterista Paulo Lima e o baixista e vocalista Branco (Wanderson Leal). Quatro canções do Anarkaos, porém, contam com a voz de Jucielle Leal: “Hard Day”, “Nó”, “O amor não tem meu número” e “Navalha”.

Não é necessário ter muita destreza para notar a abundância de sobrenomes Leal no parágrafo anterior. Seria uma espécie de máfia roqueira formiguense formada por três irmãos? Jucielle recebe a pergunta com alguns risos e um “Pode ser...”. E completa: “Somos irmãos, nós três somos roqueiros, mas fui totalmente influenciada por eles. Com nove anos ouvia The Cure 24 horas por dia”. “Você é bem mais nova que eles né?”, pergunto, não antes de dizer que “perguntar idade de garotas sempre me soa como uma provocação”. Ela responde meio que rindo: “Sim, não tem problema. Tenho 24 anos”.


Branco e Jucielle: dois membros da família leal

Branco, o baixista, tinha 15 nos tempos das audições intermináveis da banda de Robert Smith. O rock vestido de preto daqueles tempos em que a menina era criança e os rapazes adolescentes hoje é misturado com jazz, country e rockabilly. Sobre os rótulos dados pelos jornalistas, Branco aponta um bem estranho. “O mais engraçado foi o do Lúcio Ribeiro, que escreveu uma frase: ‘Um hard rock com pique de punk 79’”, relembra.

Com 30 anos de idade e mais de dez de banda, o baixista recebe com tranqüilidade uma provocaçãozinha. “Você não acha que o nome Anarkaos passa uma idéia errada da banda? Não acha que parece nome de banda de metal?”, emendo duas perguntas. “Penso que é só um nome, imagina Paralamas do Sucesso, é ridículo”, brinca. “Mas você concorda com essa possibilidade de associação errada, por causa do nome?”, reforço minha dúvida. Branco diz que concorda e explica como surgiu o nome de seu grupo. “O Paulo, baterista, trabalhava num jornal em Formiga e tínhamos nosso primeiro show marcado numa casa. O pessoal da gráfica ligou perguntando o nome da banda. E ele estava lendo um artigo, se não me engano do Frei Beto, sobre o caos e anarquia. Era uma casa grande em Formiga. E para dar status de banda da moda...”.


Anarkaos ao vivo

Para dar status de banda da moda: Anarkaos. Eles gostaram do nome. “Na época estávamos escutando muita música punk. Acaba que a banda é meio anarquista no sentido de ninguém ser dono, não tem um vocal principal e sim três”. Ok, o nome não é à toa. Mas Anarcaos não teria o mesmo efeito? Por que, então, Anarkaos? “Não sei, acho que a gráfica colocou”, diz Branco. E eu que pensei que tivesse algo a ver com numerologia ou outros misticismos, como nos casos de Jorge Ben, quer dizer, Jorge Ben Jor; ou Matchbox20, ou melhor, Matchbox Twenty.

Pulando de uma coisa não tão importante, o nome da banda, para outra imprescindível: existem bandas, público interessado, sites e jornais que dão espaço, estúdios e locais para tocar no centro-oeste mineiro? A resposta longa de Branco dá a entender que sim. “São várias bandas legais. Vabso, Língua de Mosquito, Distúrbius, Pato Rocco, Mull... Estúdios tem o ‘do Batata’, em Divinópolis, o ‘Minnuci’ e o ‘Artigo 28’ em Formiga. Local para tocar, me parece que Formiga vai ficar sem um lugar meio que antológico, que é o Jazz Bar, mas tem o bar Tijolinho. Em Divinópolis existem programas de TV muito bacanas como o Musica Ambiente, do Guto Aeraphe, e o talk show do Flávio Ramos, que é mais engravatado, mas o cara é gente boa. Público não falta, sites e mídias impressas sempre dão o maior apoio”.

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