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Charme Chulo em dose-dupla

por Braulio Lorentz

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Igor Filus (vocal), Leandro Delmonico (guitarra e viola capira), Peterson Rosário (baixo) e Rony Jimenez (bateria) são os integrantes da banda curitibana Charme Chulo, que acaba de lançar seu CD de estréia. Charme Chulo, o disco, sucede o EP Você Sabe Muito Bem Onde Eu Estou, lançado em 2005.

Eles formam um quarteto, mas os títulos dos tópicos desta entrevista vêm em dose-dupla. Duplas que fazem parte da história destes fãs de Mazzaropi, The Smiths e Legião Urbana. “Legião Urbana do começo”, completou Leandro. Ele respondeu a maioria das perguntas, mas todos deram uma palavrinha no papo que você lê a seguir.


Leandro não se separa de sua amiga caipira de dez cordas

Igor Filus & Leandro Delmonico

“Somos primos e convivemos musicalmente desde a adolescência. Tivemos alguns projetos, nada que saísse da garagem. Essas experiências foram fundamentais para a fundação do Charme Chulo em 2003, algo mais consistente que nos agrada de verdade”.

Peterson Rosário & Rony Jimenez

“O Charme Chulo tinha outra formação. Foi aí que apareceram duas figuras que completaram a banda. Cada um contará sua versão”.

Rony conta: “Entrei pra banda no processo de finalização do clipe ‘Polaca Azeda’. O pessoal que trabalhou no clipe, juntamente com o Leandro, são todos meus conhecidos de faculdade. Em meio a uma conversa, o Leandro perguntou a um amigo se conhecia algum baterista pra entrar definitivamente na banda. Eles já conheciam meu trabalho em minha outra banda de punk rock (U.T.I). Foi aí que fui indicado. Após alguns telefonemas passei a fazer parte da banda”.

Peterson conta: “Entrei a convite do Igor no final de 2006, apesar de já conhecer a banda de longa data. Eu e Leandro fomos colegas de classe por um tempo. Na época eu gostava de rock pesado e cheguei pra ele um dia e disse: ‘Cara! De que adianta eu ser um cara todo vestido de preto, que almeja a escuridão das cavernas e a indiferença do capeta se eu divido o mesmo ônibus com pessoas simples e tomo achocolatado todo dia?’. Foi nesse momento que eu comecei a entender o Charme Chulo”.

Tião Carreiro & Pardinho

“Antes de criar a banda, nós escutamos uma moda cantada por Tião Carreiro e Pardinho chamada ‘Boi Soberano’. Eu diria que foi ali que caiu a ficha: ‘Poxa, essa é a nossa influência’. Essa é uma das duplas mais respeitadas na história da música caipira, não desmerecendo o Pardinho, mas Tião Carreiro é considerado um mestre na viola caipira. Sempre brinco que ele é o Bob Dylan brasileiro, só que não mudou para a guitarra. Já ouvíamos muitos nomes por terceiros, como Tonico e Tinoco, Carreiro e Carreirinho, Alvarenga e Ranchinho, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, Almir Sater, Renato Teixeira. Mas por Tião Carreiro e Pardinho temos um carinho especial. Nos influenciaram tanto na parte musical, quanto nas letras”.


Rony, Peterson, Leandro (desta vez sem viola) e Igor

Viola & Guitarra

“A viola caipira é uma segunda guitarra no Charme Chulo. Ela é muito simbólica e foi introduzida para dar essa segunda cara na banda. O povo costuma estranhar para o bem, acho que isso enriquece o show pela variedade. Ela acaba sendo um destaque sim, mas quem nunca ouviu a banda deve imaginar estereótipos que não fazem parte do nosso som. Não sabemos contar um causo sequer (risos)”.

Folk & Punk

“Na verdade o nosso folk é o caipira. Gostamos de alguns nomes estrangeiros, mas damos preferência aos nacionais. Antes de montar o Charme Chulo, nossas influências eram voltadas para o punk e pós-punk inglês. O fato das músicas puxarem mais para um lado ou para o outro tem muito ver com a viola (o lado mais folk). Mas mesmo assim temos canções de viola que lembram pós-punk. É uma bagunça danada (risos). Curtimos o punk clássico mesmo: Ramones, The Clash, Dead Kennedys, Buzzcoks. E algumas coisas nacionais: Inocentes, Cólera, Garotos Podres, Legião Urbana do começo. No lado folk ou caipira tem Tião Carreiro e Pardinho, Almir Sater, Johnny Cash, Bob Dylan. Gostamos também de um pessoal que mistura os estilos como The Pogues e Violent Fammes. E por aí vai”.

The Thrills & The Smiths

“Acho que é impossível não ter marcas da sua época no som, mas você não precisa necessariamente seguir a tendência. The Thrills e The Smiths são bandas que fizeram isso. Os Smiths se negavam a colocar os teclados e os timbres bregas dos anos 80. E o Thrills poderia estar fazendo rock pós-moderno, como muita gente faz”.

Mazzaropi & Jeca Tatu

“O Mazzaropi é o caipira mais pop do Brasil. Temos uma coisa engraçada de inventar os títulos antes das músicas ficarem prontas. Em “Mazzaropi Incriminado” não foi diferente. A gente queria prestar uma homenagem a ele, e a música foi surgindo em volta disso. Ela tenta passar aquela inocência bonita dos filmes do Mazzaropi. É uma paródia do povo brasileiro”.


Quem tá viva sempre aparece. Mesmo que de cabeça pra baixo.

Caipira & Indie

“Rótulo é sempre complicado, mas nesse caso não tenho vergonha de dizer que nos encaixamos nos dois. Indie porque fazemos um som fora de padrão, uma alternativa pra quem não quer escutar o rock de sempre. Caipira porque o nosso indie é um indie caipira”.

Volume 1 & Fósforo Records

“A gravação do disco foi por conta própria. Eduardo “Xuxu”, vocalista e guitarrista da banda catarinense Pipodélica, foi o cara que ajudou a produzir. Gravamos o nosso disco em Florianópolis em abril e junho de 2006. Assim que ficou pronto, entramos em contato com alguns selos. O Volume 1 já demonstrava interesse. Eles resolveram reativar o selo pra lançar o Charme Chulo. Antes já tinham lançado CDs do Los Pirata e Luisa mandou um beijo. A Fósforo Records entrará como parceira na distribuição. É um selo novo de Goiânia, que se chamava Beacid. Devem lançar Revoltz e Rockassetes também. A primeira tiragem será de mil cópias e os selos farão a distribuição”.

Charme & Chulo

“Freqüentávamos umas baladas alternativas na época. Tudo era muito bonito e cult, mas sabíamos que a realidade não era aquela, bastava andar nas ruas. O lance caipira sempre foi um contraponto, era impossível ficar num ambiente badalado sem lembrar da simplicidade do povo, ou do chulo de muitas pessoas. Dessa inquietação surgiu o Charme Chulo, pra gente uma identidade. O Brasil é um país Charme Chulo, e diria que esse nome nos inspira em muita coisa, mesmo não sendo um nome bonito (risos)”.

Sobre a frase da música “Barretos”, Igor responde: “É aquela coisa, quem não sabe direito sua identidade, sua raiz, quem não enxerga direito o que ele mesmo é, sempre vai achar tudo certo, sempre vai parecer estar tudo perfeito. Então na terra do nunca, na terra de Barretos, ou de Curitiba: ‘Sendo charme ou chulo é sempre charme’. É mais ou menos isso que nós entendemos desta parte da letra”.

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