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Dois Rodrigos, um André e uma história sem data

por Nara Mourão

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“12 de julho de 2003... Ou será julho de 2004? Já vai fazer 5 anos, cara?” O consenso sobre o início da história da banda barbacenense Rodrigo Nézio & Duocondé Blues é muito menos unânime que a paixão dos seus integrantes pelo ritmo. Seguindo a formação power trio, Rodrigo Nézio – voz e guitarra -, Rodrigo Chaffer no baixo e André Torres na bateria fazem blues “sem gaita e nem piano”.


O power trio esperando o trem

Ao leitor desavisado, um alerta: não cometa a inocência da repórter em questão... É sobre o nome do grupo, que me permitiu crer no Rodrigo Nézio como o band leader. Na verdade, privilegiar o nome do vocal ao batizar a formação é uma espécie de padrão blues, vide Muddy Waters Trio.

Com relação aos puristas que colocam o blues como um ritmo a ser feito apenas por negros, os três se defendem. André Torres aponta certa corruptela com a história, essa sim “se inicia como canção de trabalho dos negros nos campos de algodão norte-americanos”. Nézio, “o mais melancólico do grupo“, afirma que “as canções falam de vida, paixão, sentimentos inerentes a qualquer um”. Se você pensa que a cadência é exclusiva para a tristeza e introspecção, Rodrigo Chaffer garante ser “uma pessoa feliz”.

Um ouvido mais apurado é necessário ao se ouvir o blues, talvez “pela simplicidade rítmica uma maior sensibilidade é pedida”, segundo Nézio. “A dificuldade de encontrar song books de blues também é maior. A Internet facilitou um pouco”, confessa o Rodrigo baixista.


A Coca Cola não patrocina os rapazes!

Quando pergunto sobre o viver blues, André Torres e Rodrigo Nézio confessam também a aposta que estão fazendo, a de “viver do blues”. Rodrigo Nézio & DuoCondé já tem um CD com seis faixas – quatro autorais, mais Hoochie Coochie Man, de Willie Dixon; e Pride and Joy, de Steve Ray Vaughan. Eles partem para o segundo CD, a ser lançado no primeiro semestre de 2007.

Os rapazes também investem em workshops, na cidade de Barbacena. O convidado de março é Big Joe Manfra. Ele sobe ao palco com Rodrigos e André um dia antes do workshop aberto ao público. A última fala de Rodrigo Nézio é emblemática: “Eu amo o blues!”. Sentimento do trio, exteriorizado pelo vocalista sob a forma de “puta que pariu” em shows de “maior alteração”. Ainda bem que o pai do moço perdoa!

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