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O rock é um teatro

por Rodrigo Ortega

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O rock é uma comédia

Com ele você se diverte. São milhões de discos pra colecionar. E agora a coisa melhorou: você pode se juntar com amigos e ter uma banda independente. Em todos os lugares as pessoas estão fazendo isso. Veja só: o Mottim é uma banda de Ouro Preto, Minas Gerais. Eles já têm várias músicas gravadas, um clipe e agora vão ter um LP. Confira o depoimento.

O rock é um drama

“Fragmentos” é a música do primeiro clipe do Mottim. A letra pessimista ganha tons ainda mais trágicos com as imagens de ditadores e soldados. O drama não é só musical: a banda toca numa cidade com cenário escasso para seu som. Será possível fazer história em uma cidade histórica? O Mottim vai tentar: seu primeiro disco vai se chamar Todo Teatro Tem Seu Fantasma, com a parte da comédia e a parte da tragédia.

Pílula Pop: Como foi a gravação do primeiro demo do Mottim?

Mottim: Gravamos a primeira demo com um produtor da nossa cidade (Tazo Amaral). Foi muito interessante pois não tinhamos nada da banda publicado até então. Depois que publicamos na internet tivemos a grata surpresa de ver cada vez mais pessoas nos elogiando e cantando as músicas nos shows. Isso nos deu muito ânimo, que nos fez levar a banda mais a sério, compor e explorar mais a música dentro de nós. Conseguimos também convites para tocar em outras cidades, o que foi muito bom, conhecer outras bandas e pessoas com influências musicais parecidas com as nossas.


Esperando para entrar no teatro

Pílula Pop: E o primeiro disco completo?

Mottim: O nosso primeiro disco se chamará Todo Teatro Tem Seu Fantasma e será uma viagem pelo mundo teatral. Ele será dividido em 2 partes (comédia e drama) que serão músicas que vão ser coerentes com cada estilo teatral. Vamos captar sons de teatro, como a plateia ansiosa pelo início do espetáculo, palmas e etc... Pretendemos também lançar o CD com um show no Teatro Municipal de Ouro Preto. Vai ser um trabalho bem interessante, estamos muito empolgados e tomara que dê tudo certo.

Pílula Pop: Quando você ouve o som do Mottim, de cara pensa: "é uma banda grunge". Você concorda com o rótulo?

Mottim: Não nos prendemos a rótulos, fazemos música com o coração e o resultado é o que se ouve nos acordes. Nossas influências são bastante diversificadas, procuramos ouvir de tudo e captar o que é bom de cada estilo musical. Nossas músicas mais novas estão muito legais, com várias influências diluídas que vão de Arnaldo Antunes a Sepultura. Atualmente estou ouvindo muito Muse, Dave Navarro, Franz Ferdinand, Soulfly, Dave Matthews, Cire, Mutantes, Ritchie Vallens... Poderia escrever várias linhas do que estou ouvindo atualmente.

Pílula Pop: Quem teve a idéia para o clipe de "Fragmentos"?

Mottim: A idéia e concepção foi do autor e produtor do clipe, Alexandre Pádua. Ele chegou pra gente e disse que queria fazer o clipe, nós o deixamos livre e o resultado foi maravilhoso. O forte conteúdo político é só mais uma das interpretações possíveis da letra da música, que mostra um mundo cada vez mais sem som, cor, alma e amor, evidenciando como a história do mundo teima em se repetir.


Fundo de Ouro Preto e cara de Seattle

Pílula Pop: Como é ter uma banda de rock em Ouro Preto?

Mottim: É bem interessante. Temos uma galera aqui bem fiel que curte o nosso som e tá sempre presente nos ensaios e shows. O cenário para nosso tipo de som em Ouro Preto é um pouco escasso. Tocamos mais em outras cidades como Belo Horizonte e Itabirito. Mas já tocamos muito aqui. Fomos vencedores de um festival de música alternativa organizado por uma rádio local e foi o evento mais significativo em que tocamos em Ouro Preto. Gosto muito de uma banda daqui que se chama Desh, os caras da banda são nossos amigos e temos influências muito parecidas.

Pílula Pop: E como é tocar no Mottim? Quando você está no estúdio ou no palco, o que você sente?

Mottim: Impossível descrever a emoção e o sentimento de "isso é o que eu quero fazer até morrer". Nos palcos e no estúdio é onde eu sinto a vida dentro de mim e o ar nos meus pulmões. A Mottim pra mim é uma escola, um refúgio e minha segunda família. Junto com os amigos da banda somos quase uma máfia. Uma experiencia ímpar que levo pro resto da minha vida no meu coração.

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