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Lidando com dedos e marsupiais

por Braulio Lorentz

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Entre o primeiro show da turnê do décimo primeiro disco de inéditas, em São Paulo, e a estréia do novo repertório em palcos mineiros (oito de junho, no Music Hall, em BH), o Pílula Pop trocou algumas palavras com o Ira!. As 12 novas canções do álbum Invisível DJ embalaram as perguntas que fizemos à metade da banda que nos atendeu: o baterista André Jung e o guitarrista Edgar Scandurra.

Dignidade e coerência são as palavras mais associadas ao Ira!. Outra definição recorrente é que eles são uma banda que sempre esteve “entre o mainstream e o underground”. A opinião da dupla sobre essas associações – e qual a diferença de trajetória ou postura que os faz mais dignos e coerentes do que outros grupos da mesma safra – fica pra outra entrevista (enviamos a questão, mas ela não foi respondida).

Desta vez, a ressonância é mais focada no novo disco. A troca de e-mails com os integrantes do quarteto paulista também esbarrou no contato cada vez maior com nomes do novo pop e em afinidades de longa data com Walter Franco e Selton Mello.

Pílula Pop: “Eu vou tentar” é composta pelo Koala, do Hateen, o que confirma a aproximação da banda com o pessoal do novo pop rock (junto com a Pitty, vocês emplacaram “Eu quero sempre mais” e levaram o primeiro VMB da carreira). Como se dá essa aproximação com os novos grupos? A banda sente que ela é comercialmente vantajosa?

Ira!: (André Jung) Bem, de certa forma, é apenas uma coincidência, não existe um plano por trás da participação desses artistas. A Pitty é mais um talento exportado pelo rock baiano, e falo de Pitty como uma banda, uma vez que é isso que o trabalho é. Conosco ela pode mostrar um lado como intérprete bem diverso das performances com seu grupo. Deu certo? Deu. Tanto pelo bom gosto e personalidade que ela imprimiu no seu canto, quanto pela repercussão popular. O Rodrigo Koala aparece como compositor. Três faixas do Invisível DJ surgiram em meio à gravação: “Não Basta o Perdão”, “Mariana Foi Pro Mar” e “Eu Vou Tentar”, que o Koala compôs e nos enviou, só com voz e violão, via e-mail do estúdio. De imediato, ao saber da inclusão de uma música do compositor do Hateen, boa parte da crítica e também do nosso público torceu o nariz. Durante o processo de escolha do repertório desse álbum, outras músicas foram sugeridas. Se “Eu Vou Tentar” está no disco é porque ela é coerente com o disco como um todo. De certa forma, a letra da música é bastante metafórica dos desafios que permeiam a vida de um grupo que há muito está na estrada.


Scandurra (1º), Jung (2º), Nasi (3º) e Gaspa (4º)

Pílula Pop: Em um disco com faixas tão pesadas, escolher “Eu vou tentar” pra ser a música de trabalho não passa uma idéia errada para o público?

Ira!: (André Jung) Essa foi uma escolha da nossa gravadora, não vemos essa música, como disse antes, dissonante do resto do repertório.

Pílula Pop: O disco foi lançado pela Arsenal e produzido pelo Rick Bonadio. Como foi a experiência de ter um produtor “metendo o dedo” nas guitarras? Contra quem possa afirmar que o Rick adestrou ou pasteurizou o Ira!, o que vocês têm a dizer? Nasi declarou que o produtor não botou medo e que em certo momento vocês tiveram que fazer o contrário, pedir que ele enchesse o saco... É verdade? Bonadio esteve ausente, de certa forma, em parte do projeto?

Ira!: (Edgar Scandurra) Me pergunto, ele devia meter o dedo na guitarra ou ficar ausente? Nós dois nos respeitamos muito. Acho Rick um vencedor. Um cara que sabe fazer com que seus artistas aconteçam e, para nós, isso é muito bom. Sabemos muito bem o que queremos quando estamos num estúdio. Ele não ter metido “o dedo” é um sinal claro disso. Sua ausência foi mais que natural, já que não somos uma boyband que não sabe fazer nada sem um diretor por trás. Ele aparecia nos momentos de dúvidas sem solução para nós. Daí, ele nos mostrava um caminho, como um bom produtor tem que fazer.

Pílula Pop: Noutras entrevistas, Nasi garante que os trabalhos paralelos não são influências diretas em Invisível DJ. Por que não? Como a produção de discos lançados por ambos no ano passado (Onde os anjos não ousam pisar e Amor Incondicional) não altera a forma de cantar, tocar e compor?

Ira!: (Edgar Scandurra) No Amor Incondicional, sou eu que canto e eu tenho um jeito de cantar diferente do Nasi. Muito diferente, eu diria. Agora, de meus discos solos o Ira! já pegou emprestado três músicas, o que me deixa feliz. Mesmo sendo diferentes, mostram que dos dois lados está a mesma pessoa.


Edgar (12), Nasi (3), Jung (6), Gaspa (9)

Pílula Pop: Como foi feita a escolha de “Feito Gente”, do Walter Franco, para entrar no CD?

Ira!: (André Jung) Walter Franco sempre teve nossa admiração. Em meio à turnê do “Acústico” o Edgard comprou uma coletânea que reunia os dois primeiros álbuns desse ícone da música paulistana. No processo de elaboração do repertório do Invisível DJ, o Nasi propôs “Feito Gente” e houve um consenso.

Pílula Pop: Como surgiu o contato com Selton Mello. Ele virou uma espécie de “integrante” da banda, em videoclipes?

Ira!: (André Jung) Anos atrás, quando lançamos o álbum Meninos da Rua Paulo, com título e canções inspirados pelo clássico infanto-juvenil do húngaro Férenc Molnar, tivemos a grata surpresa de saber que um grupo de jovens atores estava preparando a encenação do livro e nos pedia autorização para uso do nosso disco. Entre eles estava Selton Mello, que se tornou um grande amigo. Daí a desenvolvermos essa parceria, que muito nos orgulha, foi um pulo.

Pílula Pop: As letras do Ira! não são tão “adolescentes” como a de outras bandas que tem o mesmo tempo de estrada. Mesmo assim, há uma certa pressão em lançar músicas com letras que tenham mais apelo com a molecada? A inclusão de “Eu vou tentar” no repertório (e como música de trabalho) tem a ver com isso?

Ira!: (André Jung) Essa pergunta já foi respondida, não sofremos nenhum tipo de pressão que não a de fazer um disco que nos agrade.

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