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“Já patenteei o gatinho”

por Rodrigo Ortega

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O indie é o novo pop. A máxima do jornalista Luciano Vianna está em fase de testes com a aposta de gravadoras em bandas como Ludov, Leela e os paulistas do Gram, que lançaram este ano seu disco de estréia pela Deckdisc. Relançaram, na verdade, pois o disco é o mesmo que o grupo gravou e lançou de forma independente em 2003.

Sérgio Filho (voz, guitarra e piano), Marcello Pagotto (baixo) e Luiz Ribalta (guitarra) eram integrantes do Mosva, banda que cantava em inglês, que por sua vez surgiu a partir um grupo cover de Beatles, os Beatless, que chegaram a tocar no Cavern Club, em Liverpool. Junto com Marcelo Loschiavo (guitarra) e Fernando Falvo (bateria), eles gravaram o CD do Gram em 2003 e viram sua popularidade crescer rapidamente graças ao videoclipe de “Você pode ir na janela” e a singela história de um gatinho, montada pelo vocalista Sérgio Filho em sua própria casa

Sérgio fala ao Pílula Pop.sobre discos, shows, influências, letras, a amizade com os integrantes do Ludov e o clipe do gatinho.


Sérgio (à esq., acima) e seus companheiros de Gram

Pílula Pop: Como está a preparação do segundo disco do Gram?

Gram: Nosso primeiro disco foi feito em três meses e gravado em uma semana. Não tivemos tempo de testar a reação do público antes de lançar as canções. Agora, estamos passando por esse processo. Sempre que podemos, inserimos uma música nova nos shows e analisamos a reação das pessoas. Já temos 12 músicas novas e queremos mais umas 12, para poder ficar com 10 ou 11 no disco. Como a Deckdisc ainda pensa em trabalhar com o primeiro CD por mais um ano, teremos 2005 todo para trabalhar as canções novas.

Pílula Pop: Vocês fizeram alguma modificação para o relançamento do primeiro disco pela Deck?

Gram: Eu regravei a voz de “Toda Luz” e “Faça alguma coisa” por opção minha. Preferi refazer, pois havia gravado todos os vocais do primeiro disco (exceto “Quase Ilusão”) em casa, com um microfone horrível e em apenas 24h. Estava insatisfeito com essas duas faixas. Mas não mudei nada na melodia. O resto é idêntico ao que lançamos em abril de 2003.

Pílula Pop: Agora que vocês estão conhecendo o outro lado, qual é sua opinião sobre a estrutura de shows para bandas independentes?

Gram: A gravadora banca a estrutura de alguns shows, mas não de todos. Nesse lance de estrutura de shows, ainda somos independentes. Temos que bancar tudo. Pano de fundo, roadies, técnico de som, produtor. Continua sendo um grande desafio montar uma estrutura legal e receber por ela. Mas ninguém falou que seria fácil.

Pílula Pop: Quais foram para você o melhor e o pior show do Gram?

Gram: O pior foi no Ballroom, Rio, quando estávamos bem no início. Estava vazio, ninguém conhecia o Gram, não passamos som e gastamos uma grana com a viagem. O melhor foi o show de lançamento do CD pela Deck no Blem Blem.


O primeiro CD do Gram

Pílula Pop: Los Hermanos e Coldplay são duas bandas muito citadas quando se fala de Gram. Vocês se incomodam com as comparações?

Gram: Ser comparado a Los Hermanos e Coldplay é bom, eles são ótimos, mas sabemos que somos diferentes. Eles diriam o mesmo se ouvissem o nosso som. Provaremos isso com o tempo.

Pílula Pop: Como surgiu esse contato entre o Gram e o Ludov? Além das participações nos shows, vocês já pensaram em outros trabalhos juntos?

Gram: Quando lançamos o disco, o Habacuque (guitarrista do Ludov) me ligou na mesma semana dizendo que tinha ouvido e gostado muito. Quando eu ouvi o Ludov também gostei, e apesar de achar que cada banda tem uma proposta, o público que consome nossos trabalhos é praticamente o mesmo. Como somos vizinhos, foi natural que começássemos a fazer shows juntos e dessas jams nasceu uma amizade muito legal. Com certeza uma hora ainda iremos trabalhar juntos. Pra facilitar, estamos na mesma gravadora.

Pílula Pop: Qual é sua inspiração para fazer as letras das músicas?

Gram: Eu me inspiro nas experiências da vida para me expressar. Para mim, é natural que seja assim. Não consigo escrever sobre algo que não vivenciei. Com certeza me faltariam palavras.

Pílula Pop: É verdade que “Quase Ilusão” fala de uma nota falsa de R$ 50?

Gram: Esta e “É a vida” não são minhas. “Quase Ilusão” é do Pagotto. Segundo ele, foi inspirada em uma nota falsa de R$ 50 sim. Mas acho que ele estava apaixonado (risos).

Pílula Pop: Uma pergunta inevitável: como foi a criação do vídeo de “Você pode ir na janela”?

Gram: Não queríamos que a história do clipe fosse exatamente o que diz a letra, mas ao mesmo tempo, queríamos contar uma história de amor. Pensamos em vários roteiros, mas nada agradava. Quando entrei de férias, botei como meta fazer este clipe e me tranquei em casa. Decidimos que tinha que ser desenho animado e comecei a pensar em coisas que só os desenhos são capazes de fazer.

Pílula Pop: E de onde surgiu a idéia do gatinho?

Gram: Já que seria um desenho, queria que o protagonista fosse um animal. Esse conjunto de idéias me levou ao gato, que tem sete vidas e pode fazer o que quiser com elas, até mesmo se matar por amor. Demorei mais para bolar a idéia do que para executá-la.


O famoso gatinho do Gram, o bichano mais tadinho do mundo

Pílula Pop: Vocês já pensaram em investir em uma grife do gatinho? Além das camisetas fazer bonecos, joguinhos e quem sabe até outros vídeos protagonizados pelo herói bichano...

Gram: (risos) Olha, para dizer a verdade ainda estamos bem no início de tudo. Ainda estamos mais preocupados com o som. Mas por garantia, eu registrei e patenteei o bichano. O próximo clipe será de “Toda Luz” e até agora não pensamos em nada, quem sabe ele não reaparece...

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