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Fala, Marisa!

por Cedê Silva

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Marisa Orth esteve em Belo Horizonte para o lançamento do filme “Maré, Nossa História de Amor”. No musical inspirado em Romeu e Julieta, ela vive uma professora de dança que quer transformar a comunidade onde trabalha, em uma favela do Rio. Uma espécie de Padre, que é ao mesmo tempo a Ama, do Romeu e Julieta original.

O filme estreou no Brasil em 4 de abril, mas chega em Belo Horizonte só nesta semana. Tivemos um papinho com a Marisa num café. Falamos sobre o enredo e sua personagem, Fernanda, enquanto a atriz tentava entender o que era a ‘pílula pop’.

Pílula Pop: Por que adaptações da história de Romeu e Julieta permanecem atuais?

Marisa Orth: Porque é uma historinha danada de boa. Esse Shakespeare bolou umas histórias muito sensacionais. E permanece atual, infelizmente, porque onde tem guerra, onde existe divisão, onde existe irmão brigando com irmão, e pessoas que deveriam estar juntas mas estão separadas, a história de Romeu e Julieta é pertinente. Enquanto existirem áreas de conflito, coisa que cada vez mais tá existindo no planeta, mais essa história tem a ver.


Nosso repórter disse coisas que deixaram Marisa chocada...

Pílula Pop: A história da professora - de dança ou não – que, através da arte ou da educação, transforma a comunidade já foi feita antes. O que “Maré, Nossa História de Amor” tem de diferente?

Marisa Orth: Ai, não quero contar o fim do filme... ela tenta transformar a comunidade. Tenta, e não é assim tão idealista. Ela é como se fosse o Padre de Romeu e Julieta. Está lá porque tem que estar, ela quer fazer na comunidade uma companhia de dança contemporânea. Mas também vai lá buscar energia. Não é só benevolência – ela quer fazer uma troca com o povo dali. Eu acho ótimo que existam essas pessoas, elas são heroínas mesmo.

Pílula Pop: Pelo menos desde “Chicago”, tem havido uma nova onda de musicais: “Hairspray”, “O Barbeiro da Rua Fleet”... “Maré” é o primeiro de uma nova onda de musicais brasileiros?

Marisa Orth: Ai (espantada). Não sei se a Lúcia Murat (diretora do filme) tem essa pretensão. Mas pode despertar isso, pode dar uma vontade. Os números musicais são muito especiais nesse filme. É uma nata de jovens bailarinos, atores, cantores que foram super-selecionados no Rio de Janeiro. Então você vai ver números musicais muito bem-feitos. Pra mim são as partes mais lindas do filme. Mas tomara, né? Eu gosto de musical.


...e levou pito por isso.

Pílula Pop: Quando se retrata a favela num filme, existe o risco tanto de cair numa versão idealizada da coisa quanto mostrar um lugar onde só tem bandido. Como o filme oscila entre essas duas extremidades?

Marisa Orth: É complicado porque, ao mesmo tempo que você acha que está jogando luz sobre essa questão – ajudando -, tem gente da comunidade que fica brava. Dizem: “poxa, meu lugar não é só isso”. Ao contrário, acho que isso é uma visão maniqueísta, este filme não é focado só na violência. Ele mostra – pô, acho super-positivo – muita gente talentosa, muita gente linda. Joga mais luz no lado construtivo. E, obviamente, mostra que nós somos todos iguais.

Pílula Pop: Em Romeu e Julieta, depois da tragédia, a violência acaba com a intervenção do Príncipe de Verona. Em “Maré”, quem é o Príncipe?

Marisa Orth: O filme não é assim tão esquemático. A minha personagem é o Padre, mas também a Ama [da Julieta]. “Maré” tem vários exercitozinhos, cada um é um grupo de amigos – não sei se tem um personagem relativo para cada um.

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