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Loja de Conveniências
Daniel Oliveira
Produtos da cultura pop devidamente remarcados e enfileirados. Mas lembre-se de verificar a validade e a qualidade antes de consumir.

Como fazer um best-seller em 10 lições

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Se o pop é mesmo uma loja de conveniências, “O Código da Vinci” é um daqueles conjuntos “1000 em 1”, que você compra para atender a vários interesses. De romance policial a arte, religião e melodrama, o livro de Dan Brown é uma teia de referência cultural impressionante, associado a uma técnica de escrita que não deixa o leitor voltar o livro pra cabeceira facilmente.

10 razões que fizeram “O Código da Vinci” vender mais de 10 milhões de exemplares

1- Uma trama policial recheada de assassinatos, organizações secretas, mistério e sangue.

2- Um protagonista prontamente retomado do livro anterior de Dan Brown, “Anjos e demônios” (que a Editora Sextante já lançou no Brasil), sucesso editorial nos EUA.

3- Uma protagonista que, além de ter um histórico familiar complicado (perfeito!), é bem mais que uma coadjuvante de luxo de seu parceiro: ela é inteligente, toma decisões rápidas e consegue salvá-lo sem jamais parecer inferior a ele. Possui charme aliado a uma série de qualidades práticas que os autores insistiam em atribuir exclusivamente a seus protagonistas masculinos.

4- Um inocente sendo culpado injustamente, no melhor estilo Hitchcock, em fuga insana da polícia para provar sua inocência.

5- Uma estrutura de capítulos impecável, deixando ganchos gigantescos e tornando impossível esperar mais de 5 minutos para ler a próxima página.

6- Uma enorme teia de referências culturais, indo de História da Arte a religião e ciência, dando ao conjunto um tempero especial com aroma afiliado a “O nome da rosa”, de Umberto Eco.

7- Uma caça ao tesouro ambientada por fatos, locações, instituições e situações históricas reais, apimentadas com o melhor da ficção, deixando o leitor perfeitamente envolvido na discussão levantada.

8- A ousadia e profanação do livro de Brown, que mexe com ícones do imaginário mundial, como o Louvre, “A Santa Ceia” e o mistério do Santo Graal.

9- Um boca-a-boca providencial: todo mundo que lê recomenda ou passa pra outra pessoa, e assim ad infinitum.

10- Os braços abertos e a volúpia com que o livro foi recebido pela cultura pop: em menos de 6 meses, sites, comunidades, livros oportunistas e tudo mais possível relativo ao tema do livro foi despejado nas prateleiras do mundo todo, pegando carona no sucesso do original. Sem contar que, como todo best-seller contemporâneo, “O Código da Vinci” já tem sua versão cinematográfica engatilhada, com os direitos comprados pelos produtores Brian Grazer e Ron Howard (de Uma mente brilhante), e a disputa pelo papel principal gravitando entre 4 figurinhas nada desconhecidas: Tom Hanks, Russell Crowe, George Clooney e Hugh Jackman. Do jeito que a coisa vai, será que até lá vai ter alguém que ainda não sabe o final? Ok, sem exageros....

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Daniel Oliveira é jornalista e fã de Grey's Anatomy.
daniel@pilulapop.com.br

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