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Amimurga Letra
Camilla Felicori
A quem a letra não urge? Considerando essa necessidade da escrita inerente a muitos, cá estão algumas letras que buscam cores como tratamento para dores diversas.

A pausa

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Arrumou-se com todo cuidado.

Cabelos penteados, sapato branco, camisa limpa. Molhou a boca de brilho, limpou o rosto de óleo, protetor no rosto, rabo de cavalo e ônibus para chegar. Entrou com atraso, ninguém percebeu, nem como o tempo passava lento. Queria o sorriso, nada mais, mas o tempo não permitia tal luxo. Resolveu desistir de esperá-lo, saiu de sala, à procura. Não encontrou. Segurou a máscara fingindo não sentir a ausência e foi pegar um chá para aquecer o olhar. Procurou de novo. Suspiro. Volta para a sala, tudo igual. E o bolero, ali, lento, sem par. Termina. Sai correndo, agora não quer ver ninguém. Nessas horas os conhecidos sempre aparecem, pensou, esforçou-se para sorrir e por isso não almoçou só. De repente, crise alérgica. Coça, coça. Um banheiro, desculpa para ir-se. Sobe correndo e finalmente o vê. Grita. Não ouve? Não para. Não ouve? Corre. Enfim, parou, sem sorrir. Conversa boba, de coisas e coisas e de outras distantes. Não quer mais dançar com ela por ora, por ora. E agora que o tempo transborda, ela não sabe mais para onde ir.

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Camilla Felicori gosta muito de cores.
camilla.felicori@gmail.com

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