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Oito Bits
Cristiano Kolling
"Liga. Não deu? Assopra. Aperta start." Games vistos muito além de pixels e bytes. Histórias, curiosidades e análises mais detalhadas dos jogos e consoles e de sua influência na nossa vida.

“Tio, eu gostei desse jogo, posso ver?”

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Foi a partir desse comentário, de um garoto de oito ou nove anos, que alguns dos meus conceitos sobre videogame mudaram.

A concepção atual sobre videogames é: com o avanço da tecnologia, os games têm que ser desenvolvidos com o máximo de realismo em todos os seus aspectos. Gráficos 3d, cell-shade, som surround e, de preferência, mais megas de memória do que possamos contar.

Entretanto, ao jogar meu velho videogame portátil em uma sala de espera de consultório médico, um garoto prestava atenção em cada movimento dos meus dedos e dos meus olhos. Eu jogava um jogo antigo, com um som sintetizado muito simples, gráficos com pixels estourados e com pouquíssimas cores.

Curioso, o garoto aproximou-se e pediu para olhar o que eu estava jogando. Perguntou que jogo era e eu prontamente expliquei-lhe que era um jogo mais antigo.

Ele adorou.

Desde então, pergunto-me: para que tanto detalhamento, tantas cores, tantos sons, tantos botões, tantos comandos complicados?

As empresas produtoras de games preocupam-se tanto hoje com a “cara” que o jogo terá e acabam se esquecendo do principal: a diversão.

Precisei que um garoto de nove anos lembrasse disso para mim. Realmente, simplicidade e diversão jamais deverão ser substituídas por sons e gráficos espetaculares.

Garoto, sou eternamente grato a você!

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Cristiano Kolling é produtor editorial e nutre uma paixão platônica por Mrs. Pac Man.
cristianokolling@gmail.com

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