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Oito Bits
Cristiano Kolling
"Liga. Não deu? Assopra. Aperta start." Games vistos muito além de pixels e bytes. Histórias, curiosidades e análises mais detalhadas dos jogos e consoles e de sua influência na nossa vida.

O jogador, o colecionador e o ego.

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Três partes básicas da personalidade de quem gosta de games. Poucos conseguem gerenciá-las e equilibrá-las com consciência.

O ato de colecionar está diretamente ligado ao gosto de jogar. É normal querer ter os jogos que você gosta, sejam originais e completos ou roms emuladas em computador.

Hoje é muito mais fácil colecionar. Com a baixa do dólar e a facilidade em se comprar em sites de leilão nacionais e internacionais, tornou-se possível, nos últimos 4 anos, conseguir jogos antes muito difíceis de encontrar. Atualmente, tendo dinheiro, é possível comprar qualquer jogo.

O problema acontece quando a pessoa deixa o ego corromper este gosto. A partir daí, o videogame vira uma obsessão, um instrumento de status. Passa-se a comprar jogos para completar coleções, encher prateleiras. Não importa se você não vai jogá-los ou se são ruins: o que vale é que estejam completos e sejam originais. Um comportamento comum entre os colecionadores mais radicais.

A coleção verdadeira, ao meu ver, é aquela que é bela aos olhos de seu colecionador. É o ato de olhar para ela e saber que o que está ali é especial para você, e que sua relação com ela é totalmente particular, única. Nada contra possuir jogos originais e completos, mas que os tenhamos pelas razões certas: nostalgia, diversão, trabalho ou hobby.

Cansei de ver as pessoas abarrotarem as suas casas com jogos raros, completos, apenas para mostrar que os têm. A construção da “coleção perfeita” acaba sendo apenas para gerar admiração e inveja, o que é totalmente degradante. Milhares de reais desperdiçados em jogos que apenas ficarão lá, parados, por pura pompa e orgulho, quando poderiam estar em mãos de pessoas que realmente gostam deles e que os jogariam à exaustão.

Aonde foi parar aquele nosso prazer juvenil, quando o ato de jogar videogame era instintivo, repentino, puro e desapegado a detalhes?

Provavelmente em algum site de leilão, sendo vendido a uma pequena fortuna justificada pelo privilégio de se poder possuí-lo.

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Cristiano Kolling é produtor editorial e nutre uma paixão platônica por Mrs. Pac Man.
cristianokolling@gmail.com

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