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Manual do Ouvinte
Isabel Furtado
Lições que vão desde “como fisgar um mp3 nos seus primeiros dias de vida” até “como fugir de lançamentos perigosos”. Um manual prático para a sobrevivência do ouvinte moderno na selva de pixels.

Last.fm

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Sempre aparece alguém me perguntando como funciona o last.fm. O site, que de primeira parece complexo, é na verdade inovador e lotado de possibilidades. Por isso, causa desconforto para alguns.

Mesmo assim, em pouco tempo um usuário inexperiente consegue se familizarizar com sua interface e ferramentas. Para quebrar o gelo inicial e para que você tire proveito de tudo que o site disponibiliza, resolvi dedicar uma coluna inteira a esta ferramenta maravilhosa que acabou de alcançar o sucesso comercial ao ser comprada pela CBS por $280 milhões.

O last.fm foi fundado em 2002 por Felix Miller, Richard Jones e Martin Stiksel, com o objetivo de conectar a musica certa às pessoas certas, mas só agora ele está caindo na boca do povo brasileiro. A sua grande inovação foi conjugar um site de música com o de relacionamento. Como o próprio fundador Stiksel disse à revista Simples, o last.fm “acertou na veia desde esse início, muitas pessoas perceberam que poderiam mostrar como seu gosto musical era cool e ver o que os seus amigos estão ouvindo”.

O last.fm é basicamente uma rádio online. A grande sacada é que a rádio é construída de acordo com o gosto pessoal do ouvinte, através de um sistema chamado Audioscrobbler. O usário deve instalar um pluggin que faz o serviço de detectar as músicas escutadas no iTunes, Windows Media Player, Winamp ou outro player, e mandar os dados para o site. Esse processo que se chama scrobble.

Depois que o gosto musical do usuário é reconhecido, o last.fm oferece vários presentinhos interessantes. Uma vizinhança com usuários que tenham o gosto similar ao do usuário é criada e uma rádio da vizinhança (My Neighbourhood Radio) se torna disponível. Outra rádio oferecida para os cadastrados comuns é a de recomendações. Elas podem ser feitas pelo próprio site, por um outro usuário ou por uma comunidade. Ao visitar o perfil de um amigo, o Taste-o-meter diz qual é o grau de afinidade entre os dois usuários. A página de eventos possibilita descobrir shows e festivais de música em qualquer lugar do mundo.

Um ouvinte pode expressar o seu amor por uma faixa ou bani-la para sempre clicando nos ícones do player. Uma rádio de "Loved Tracks" é criada a partir desses dados, mas só é disponível para assinantes.

Tabelas, gráficos e “colchas de retalho” de capas de disco são disponibilizados para o usuário, baseados nos dados do perfil. Eles têm o layout totalmente personalizável e podem ser inseridos em outro blog ou site.

Para um assinante, as vantagens são poucas, mas sedutoras. Ele não verá propagandas, ficará sabendo quem visitou sua página e terá prioridade de banda quando os servidores do last.fm estiverem ocupados. Outras duas rádios exclusivas ficarão disponíveis: a rádio de "Loved Tracks" e a "My Radio Station". Essa rádio toca apenas músicas da sua coleção pessoal.

Se um usuário quiser se enveredar por caminhos desconhecidos pode ouvir uma rádio por categoria. As categorias são criadas pela própria comunidade last.fm que atribui tags às músicas executadas.

O que diferencia o last.fm de outros sites como o Pandora é o sistema de scrobble. Enquanto outros sites sugerem artistas parecidos com um único escolhido pelo usuário, o Audioscrobbler entende toda a complexidade do gosto musical de um ser humano e faz suas indicações a partir disso.

A indústria fonográfica passa por uma mudança que tem assustado muita gente, mas que ao mesmo tempo propicia novas formas de explorar o potencial mercadológico. O last.fm é altamente inovador e está na linha de frente dos exploradores da nova relação ouvinte/artista. A CBS, que, entre outras coisas, foi a primeira empresa americana a ter uma rádio comercial e um selo de discos, logo ficou de olho no site. O perfil vanguardista da CBS foi fator definitivo para que os donos da last.fm decidissem vendê-lo.

A CBS entende as mudanças mercadológicas e, como sempre fez, está apostando em uma nova abordagem. A aposta não poderia ser mais certeira.

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Isabel Furtado é colaboradorindie oficial do Pílula e edita o blogsincope.blogspot.com
isabelfurtado@gmail.com

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