Belle & Sebastian no Rio, um casamento

Nossa avaliação

Se o show fosse apenas a banda no palco, o Belle & Sebastian de sexta-feira, no palco carioca do Circo Voador, não teria sido diferente das descrições de dois dias antes, em São Paulo. A banda escocesa não consegue aproveitar todo o potencial das suas canções, tanto na execução das músicas, que perdem a sutileza dos arranjos e das texturas, quanto na escolha do repertório.

No Rio eles tocaram ainda menos faixas do “disco vermelho” (If You’re Feeling Sinister, de 96), entre outros hits ausentes, o que, em teoria, levaria a uma apresentação ainda mais morna do que a paulista. Mas não foi o que aconteceu. A empolgação pós-show, do público e da própria banda, que taxou a noite como “raucous” (ruidosa), só pode ser explicada pela diferença de contexto.

O jogo já estava ganho antes de começarem os primeiros acordes de “I didn’t see it coming”. A animação não era só consequência, mas causa da presença deles na cidade. O movimento Queremos foi o responsável por arrecadar a grana que garantiu a vinda deles. No fim, todos os ingressos foram vendidos, os empolgados tiveram seu investimento de volta e, mais do que isso, um show pra ser lembrado de maneira especial. Ah, e sem área VIP.

A proximidade do público com a banda e a estrutura peculiar de arena intimista do Circo também fizeram a diferença. O final apoteótico de “Get me away from here, I’m dying”, com o coro de “They always reach a sorry ending / They always get it in the end” provando o contrário dos versos, foi um dos momentos especiais.

O vocalista Stuart Murdoch pirando e subindo as escadas pra ficar no meio das pessoas e o pedido de casamento no meio do show, através de um cartaz lido por Stuart em nome de um cara e respondido positivamente pela menina lá embaixo, foram outros sinais de uma noite que deu certo.

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Ainda é intrigante o sucesso do show de uma banda que, como ficou claro em São Paulo, perdeu a magia do passado. Mas talvez o ponto seja esse. A magia do Belle & Sebastian hoje é outra. Quem esperava reviver as apresentações deles por aqui em 2001 pode ter se esquecido dos dois discos mais recentes, mais ensolarados e menos mimimi que os primeiros. O Belle & Sebastian é hoje uma banda com alma mais leve e com mais vontade de dançar. Enfim, mais carioca.

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