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O Rei Leão 3D

por

24 de agosto de 2011

Cinema, Receituário

Eu não assistia a “O Rei Leão” desde o seu lançamento, em 1994. Relançado agora nos cinemas em 3D, o filme usa a nova tecnologia como golpe de marketing para atrair o público. Mas nem precisava. Em 3D ou 2D, a animação é um filmaço.

Mas comecemos pela opção do 3D. A ferramenta é uma estratégia para convencer as pessoas a reverem um filme mais do que conhecido. Por ser convertido, o 3D possui problemas claros em algumas sequências mais movimentadas e no “recorte” dos personagens contra o fundo. Mas até que funciona em sequências mais contemplativas, agregando profundidade à savana africana.

No mais, “O Rei Leão” continua a mesma obra shakespeariana sobre poder, vingança e paternidade. É “Hamlet” com “Ricardo III” embalado em desenho infantil contando uma moral conservadoramente típica da Disney. Simba é o leão príncipe que, acreditando ser responsável pela morte do pai, abandona o reino e parte para uma vida sem responsabilidades, até que o destino vai ao seu encontro. O recado não poderia ser mais claro: não abandone suas responsabilidades seguindo um estilo de vida hippie. Devemos sempre nos tornar aquilo que nossos pais querem para a nossa vida.

Ideologias à parte, a verdade é que o filme passa sua mensagem de uma forma não menos do que espetacular. A trilha sonora de Tim Rice e Elton John permanece empolgante e emocionante, estrategicamente inserida em momentos que a história precisa de maiores explicações sobre as motivações dos personagens. Há referências a “O Triunfo da Vontade” (a “parada militar de hienas”) e “Quo Vadis” (o vilão Scar repete os trejeitos do Nero de Peter Ustinov) e os diálogos são ótimos.

Mas o que mais chama a atenção em “O Rei Leão” é o equilíbrio narrativo: para a pesada história de morte e culpa, há o alívio cômico de Timão e Pumba, que quando começa a se desgastar é substituído pela história de amor que rapidamente evolui para a vingança que culmina em um desfecho de ação épica. As rimas visuais sobre o ciclo da vida são perfeitas, assim como os desenhos dos animais expressam de maneira extremamente competente suas personalidades.

Os personagens, aliás, são surpreendentemente bem desenvolvidos para uma narrativa tão curta e os desenhos tradicionais ainda guardam uma magia em cores e formas bidimensionais que é uma pena que pareçam ter sido aposentados em uma época de animação por computador.

Se você ainda não viu “O Rei Leão”, aproveite para fazê-lo como se deve, em uma sala de cinema. Se já viu, então sabe que vale a pena sempre rever. Em 2D ou 3D. Hakuna Matata!

PS: veja os erros de gravação do filme aqui.

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