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Jobs

por

5 de setembro de 2013

Cinema, Receituário

Jobs

EUA, 2013

  • Dir: Joshua Michael Stern
  • Elenco: Ashton Kutcher, Dermot Mulroney, Josh Gad, Lukas Haas, Matthew Modine, J.K. Simmons

Avaliação: ★½☆☆☆ 

Ashton Kutcher está longe de ser o maior problema de “Jobs”. Daí já dá para inferir o tamanho do equívoco desta cinebiografia que busca contar o início profissional do criador da Apple. O filme não sabe o que quer, atira para todos os lados e consegue transformar uma jornada que tinha tudo para ser emocionante em algo extremamente entediante.

A coisa toda já começa estranha tendo em cena um Steve Jobs mais velho, cansado, que apresenta o revolucionário iPod para uma plateia incrédula. Ali o filme já joga para o espectador uma possibilidade que nunca irá se cumprir: o Jobs velho nunca mais voltará em cena, “enganando” quem espera ver a luta contra o câncer ou o amadurecimento de um personagem arrogante e impulsivo. Enfim, frustrando quem espera algo básico como o fecho de um arco dramático estabelecido. “Jobs” não oferece a redenção verdadeira, apenas uma simulação, resultado de imagens simplesmente jogadas na tela como num Keynote.

Banda de garagem
Banda de garagem

O filme não se decide se trata o personagem título como um messias (iluminado do alto, em contraluz), gênio (o paralelo com a foto do Einstein), ou astro do rock (sexo, drogas e tecnologia). Todas as possibilidades serem válidas é uma prova da complexidade da personalidade que pretende retratar. Nenhuma delas funcionar é prova da incompetência do diretor e seu roteirista. A juventude de Steve Jobs não é destacada, o fato de ser adotado (e depois abandonar a filha) não é explorado, e a relação com a garota é (não) resolvida de forma preguiçosa. De repente ele muda de personalidade, assim como Kutcher parece esquecer de fazer o característico andar arrastado e curvado em determinados momentos.

A verdade é que “Jobs” simplifica ao máximo um personagem interessante e nem assim consegue explicá-lo (se não era para explicar, por que simplificar?). No final das contas, vale no máximo pelo interesse da história em si. São tantas decisões erradas que culminam em um caminho oposto ao da sofisticação buscada por Steve Jobs: o que fica ao final é uma sensação de exagero absurdo, com música alta para marcar a emoção e momentos constrangedores. O filme não só fica indeciso se está contando a história de Jobs ou da Apple como ainda se encerra com algo que parece um típico Power Point edificante. Devia ter ficado no Keynote…

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