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Rush

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11 de setembro de 2013

Cinema, Receituário

Avaliação: ★★★★☆ 

James Hunt era um playboy mulherengo, uma espécie de Tony Stark do automobilismo. Já Niki Lauda fazia o tipo esforçado, certinho e extremamente ambicioso. Um mais passional, o outro mais racional. Que tipos tão opostos se tornassem rivais de alto nível na Fórmula 1 era um roteiro de cinema esperando para ser filmado. E “Rush – No Limite da Emoção” cumpre bem o desafio de mostrar a relação entre essas duas lendas do esporte.

Ainda mais do que a disputa entre Senna e Prost, o que se vê com Lauda e Hunt é uma identidade dependente, como se um só existisse em função do outro. Os opostos estão de tal forma imbricados que os dois se definem pelo que não são: um não é o galã festeiro, o outro não é o solitário sério. O filme tem o mérito de construir a relação com cuidado para se concentrar no ano de 1976, com todas as reviravoltas na carreira dos dois. E ainda há uma cinética na imagem que torna tudo mais emocionante: o diretor Ron Howard coloca seus dois personagens principais sempre em movimento, atravessando o quadro, cruzando o espaço que deve ser dominado pelo tempo.

A fotografia faz referência direta ao estilo de filmagem dos anos 70, casando bem com imagens de arquivo da época. Mas a montagem às vezes se perde durante as corridas, já que o diretor acaba por vezes filmando perto demais, e de um corte para o outro perdemos a sensação espacial de um carro em relação ao outro. Já o elenco principal é um show a parte: Chris Hemsworth insere carisma misturado com uma angústia velada que fazem de James Hunt uma bomba-relógio prestes a explodir. E Daniel Bruhl rouba todas as cenas aproveitando a complexidade de Niki Lauda, incluindo a impressionante superação final. A dinâmica entre os dois não só funciona como entrega momentos de arrepiar.

“Rush” não é perfeito, pois assim como em “Uma Mente Brilhante”, “Apollo 13” e “A Luta Pela Esperança”, Ron Howard acha que uma história real, por mais espetacular que seja, precisa de ainda mais drama e cenas edificantes. A escolha em si não é problemática, mas o uso de diálogos redundantes e cenas posadas com música dramática parecem querer martelar o tempo todo que aqueles caras são maiores do que a vida. Não precisava disso. Eles já são. Independente do que um filme diga sobre Niki Lauda e James Hunt.

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