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Polar e Impar n’A OBRA

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“Eu juro que da próxima vez vai ser melhor”. A frase de Marcelo Mercedo, vocalista e guitarrista do Impar, apresenta a canção “Eu juro”, uma das melhores do setlist do quarteto mineiro. Esta e outras canções foram tocadas no show realizado em um chuvoso dia nove de março: uma das muitas quartas-feiras do projeto “Quarta sem lei”, promovido pela Obra, bar indie-pop de Belo Horizonte. Além do power pop conterrâneo e contemporâneo do Impar, os presentes também conferiram o rock britânico dos cariocas do Polar.

Polar

Cantando coisas de amor

por Rodrigo Ortega

Fotos: Fernando Guerra


“A moça feia debruçou na janela
pensando que a banda tocava pra ela”

Não sou moça feia e a Obra não tem janelas, mas os versos caem como uma luva numa descrição do meu olhar para os cinco cariocas meio tímidos, meio descolados, enquanto eles misturavam “No Surprises” do Radiohead com “As flores do jardim da nossa casa”, do Roberto Carlos, e as melodias se encaixavam... Como uma luva. Sei que isso é bobo, mas às vezes escuto uma música como se o autor soubesse de cada detalhe da minha vida e cantasse sobre mim.

“Ela não quer saber
não quer lembrar mais de você”

Os versos da primeira canção da noite, “Lua Nova”, cantados pelo o vocalista do Polar, Manoel Magalhães, cativam pela melodia e letra singelas, remetendo aos britânicos Keane e Coldplay. Penso na pessoa que parece fazer esforço para não ficar do meu lado no show, e dou um passo para a frente, em direção ao palco.

“Volta pra casa então
ou me leva pra onde você for
que aqui nada muda mais
quanto tempo faz?”

Foi um de vários refrões bacanas do Polar, que encheram os ouvidos dos poucos presentes da noite. Poucos, mas que já eram muito constrangedores para mim, ouvindo coisas tão pessoais, sobre a minha vida. Sentado na mini-arquibancada depois do show, puxo uma conversa qualquer, mas é como se eu estivesse tentando conversar com os bonecos de Playmobil pintados na parede. Depois ficamos só eu e os bonequinhos.

“E cada qual no seu canto
em cada canto uma dor
depois da banda passar
cantando coisas de amor”

Ímpar

Plano B

por Rodrigo Ortega

Fotos: Fernando Guerra


“Sempre achou que ali não era o seu lugar
Nem ao menos fez um plano B
Nunca deixou de apostar no plano A”

Não é novidade. A quarta-feira é o plano B para todas as bandas. Na falta de um plano A (um show na Praça da Liberdade aberto ao público, em um sábado 19 de março, por exemplo), é natural que role a execução deste plano B.

Enquanto o Plano A não é posto em prática, as bandas costumam tocar em qualquer lugar onde tenha gente disposta a ouvir música. Não existe só plano A ou plano B, existem todos os planos possíveis para se tentar viver de música.

“Sempre teve tudo em suas mãos”

Por mais piegas que isso possa parecer, esta é a verdade: é difícil ter tudo em nossas mãos, como a personagem da canção “A + B”, hit em potencial do Impar e pano de fundo desta resenha.

“E quando ele conseguir
seu mundo vai se encaixar
e o chão sobre o qual ele andava

sempre estará abaixo de seus pés”

Um show com duas bandas de tamanha qualidade merece bem mais pessoas, e estas pessoas não deveriam ter a obrigação de acordar tão cedo no dia seguinte. A gente percebe que o tamanho da platéia é realmente pequeno quando a outra banda faz com que o público tenha maior volume e atenue o constrangimento, juntamente com a presença dos bonequinhos de playmobil.

”A + B”, faixa escolhida para o primeiro clipe da banda, finaliza a apresentação. Os versos emblemáticos sobre planos e apostas fecham a noite de concertos por volta da 1h30. Uma boa “Quarta sem lei” com duas bandas das mais legais.

Não há desfecho melhor do que os diálogos abaixo:

- O que achou do show, Marcelo?
- Fiquei um pouco chateado, porque tava vazio, mas achei legal.
- Eu já fui em shows mais vazios na Obra, em quartas, se é q isso serve de consolo...
- Serve sim...

Depois da já mencionada apresentação na Praça da Liberdade, veio novamente a mesma pergunta:

- E o show, como foi?
- A gente tocou “Eu juro” bem melhor, como eu havia jurado...

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