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Algumas Pessoas Tentam..., Rio de Janeiro - 11 a 17/12/06

...outras tentam e conseguem

por Braulio Lorentz
(texto e fotos)

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Se você não sabe, o nome original deste festival carioca é Algumas pessoas tentam te fuder. O “te fuder” não consta mais nos flyers e releases, mas outras palavras têm o mesmo objetivo, a fuga do lugar-comum. “Como você não quer ficar lá até 5h da manhã, chegue cedo e respeitaremos os horários” é uma das frases que aparece na filipeta.

Porém, nada se compara ao tópico sobre meia-entrada do release do festival: “Vamos aceitar carteiras de estudante verdadeiras ou falsas. Aqueles que não tiverem carteira de estudante ou não quiserem falsificar, vamos aceitar qualquer pedaço de papel que achar no chão”.

O Pílula Pop esteve em três das quatro noites do evento: a quinta-feira (dia 14) da “Invasão Sueca by Coquetel Molotov”, o sábado (16) com “dois palcos, um ingresso, dez bandas” e o domingo (17) na Casa da Matriz. Não encontramos forma melhor de contar nossas impressões que não fosse apontar quem se fudeu e quem não se fudeu. Afinal, algumas pessoas tentam te fuder, mas nem todas conseguem seu objetivo.

Algumas pessoas que se fuderam


Gustavo, da Pelvs, em destaque: os primeiros que se fuderam

Pelvs

“Essa apresentação vai virar DVD”, ironizou um cara da platéia. “A gente agradece. Eu acho”, disse o vocalista e guitarrista Gustavo Seabra, no apagar das luzes. “A gente pede desculpa à Pelvs. Mas festival é assim mesmo, alguns sempre têm que se fuder”, emendou o apresentador. Depois de provocar risinhos com as explicações sobre a curtíssima apresentação da Pelvs, era chegada a hora de uma má notícia.

Os fãs de El Perro Del Mar

“A Sarah do El Perro está no hotel e não vai poder tocar. Durante a passagem de som houve uma microfonia e por isso a Sarah não está passando bem”, explicou. Com um sueco a menos e sem muito saco para gostar de Hell on Wheels, a invasão sueca estava bastante enfraquecida.


Luisa: você não imagina como foi difícil enquadrar este sexteto

Luisa Mandou um Beijo

Flávia mandou um bocejo. A vocalista Flávia Muniz bocejou, reclamou do horário e cantou de olhos fechados. Faltou ao Luisa tocar sua versão para Carinhoso, cujo compositor, Braguinha, morreu uma semana depois.

Grenade

Sabe aquele papo de chegar cedo para não sair às cinco da manhã? Pois é, o pessoal não chegou cedo. Parei um pouco de assistir ao show da banda paranaense para contar quantos estavam ali no Casarão. Éramos 27. Mas o que melhor resumiu a overdose de bandas (dez tocando em dois palcos) foi o berro de um cara que estava aparentemente cansado, num misto de determinação e sinceridade. “Eu não agüento mais!”, gritou, passando a mão no rosto. Isso é que é atingir o próprio limite para prestigiar o novo rock.

Algumas pessoas que não se fuderam


O João Gilberto da Noruega

Erlend Oye

Erlend Oye é metade do Kings of Convinience – provavelmente, a metade mais chata. Com uma meia verde e outra rosa, o baladeiro norueguês pediu silêncio de muitas formas, algumas educadas, outras nem tanto. Disse que em São Paulo a platéia havia se comportado melhor e pediu a participação dos cariocas durante “Cayman Islands”, do Kings. Ninguém da platéia sabia a letra e, por isso, o que se ouviu foi uma sinfonia de “lalalala’s” acompanhando a conhecida melodia. E foi nesse momento que Oye esboçou o único sorriso da noite. Mas nem os simpáticos “lalala’s” encantaram o sujeito, que solicitou que o público aprendesse como cantar no tom certo, sem exageros (!!???). Se a música dele não fosse bem boa, juro que mandaria o cara se fuder.

Jens Lekman

“Eu não vou pedir silêncio. Vocês têm mais é que conversar mesmo. Passei metade da minha vida sem conversar e não ganhei nada com isso. Vocês podem conhecer o amor de suas vidas esta noite”. Com um sorriso escancarado e um indie pop de primeira, Jens estava muito bem acompanhado. Com músicas cantadas pela turma mais próxima ao palco, foi o grande nome da noite. Erlend Oye assistiu ao show, e olhava ora para a platéia, ora para o cantor, como se estivesse vendo uma partida de tênis.


Algumas pessoas tentam ser simpáticas

Jens, um pouco mais calvo do que quando foi apontado pela revista Elle como um dos suecos mais sexys, comia uvas e brincava com seu teclado. Cantou “Black cab”, “Maple leaves” e contou histórias. O bis foi atendido e o sueco cantou “Tram 7 to heaven”. Nem todas as músicas pedidas estavam no set list, o que não significa que não poderiam ser ouvidas ainda naquela noite. “Meu show acabou, mas agora eu vou ficar aí na platéia com vocês. Quem quiser alguma canção que não foi tocada aqui, é só pedir que eu canto”.

Nervoso e os Calmantes

Para montar e desmontar equipamentos e dar tempo para os dez shows, foi necessário a existência de duas casas no sábado de apresentações: Casarão e Hombu. A divisão de público entre os dois palcos foi natural, mas quem mais perdeu com isso foram as bandas. Nervoso foi o que mais aglutinou pagantes. Ele fechou o concerto com “Já desmanchei minha relação” intercalada com versos de “Amante à moda antiga”, de seu ídolo Roberto Carlos.

The Cigarettes

Com duas chances de mostrar suas músicas, a banda carioca definitivamente não se fudeu na segunda tentativa (a primeira havia sido logo antes do Grenade). A apresentação que fechou o festival, no domingo, atraiu um monte de curiosos na Casa da Matriz. Inclusive um cara que quis atravessar de um lado para outro do reduto durante o show, passando pelo meio dos integrantes da banda. Foi uma cena surreal. Ainda bem que alguém conteve o rapaz.

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