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Overdose Oscar 2008

O jogo

por Daniel Oliveira

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O Oscar é um jogo. Só que um jogo de cartas marcadas. Na grande maioria das categorias, é possível antecipar o vencedor com semanas (ou meses) de antecedência – até o resto dos indicados sabe disso e vai só pela festa mesmo. Talvez por isso a ‘grande premiação do cinema’ não faça tanto sucesso por essas bandas tupiniquins: nós somos acostumados à ‘caixinha de surpresas’ do futebol, o que torna a Copa do Mundo algo bem mais interessante – e instigante – de se assistir e torcer.

O problema é que isso também implica que o povo ache melhor acompanhar a mesmice do Big Brother até altas horas e pegar a cerimônia pela metade na TV aberta. O que não tem justificativa. Mas isso sou eu fazendo digressões inoportunas, para assuntos que devem ser tratados em outra hora.

Enfim. Se o Oscar é um jogo, e no Brasil jogo=futebol, o Pílula Pop tenta tornar a festa do cinema mais interessante para você, apresentando as seleções que vão se apresentar à peleja no próximo domingo, 24. Acompanhe conosco durante a semana a convocação dos esquetes, prepare pipoca...e, claro, sinta-se à vontade para ficar chocado com os vestidos que custam mais do que a sua casa.

Os conformados

Losers Esporte Clube

por

Fotos: divulgação

O LEC – Losers Esporte Clube – talvez seja a equipe que melhor vai aproveitar a festa no domingo. Eles não vão sofrer de ansiedade, revirar na poltrona ou olhar para o relógio a cada cinco minutos para checar se a vez da sua categoria está chegando. Por uma simples razão: eles sabem que NÃO VÃO ganhar. Não têm chance nem que o Uwe Boll faça um filme bom. Nenhuma. Zero.

Eles já perderam e estão conformados com isso – a indicação em si foi uma vitória. Só vão à festa pela balada, pelo champanhe de graça, porque receberam roupas ridiculamente caras na faixa – e, afinal, amigos e/ou companheiros de filme vão ganhar e seria muita babaquice não comparecer para homenageá-los.

Como toda equipe que se reconhece na entressafra, sabe que sua chance é no próximo campeonato e que vai enfrentar gigantes em campo, o LEC joga numa retranca feiosa, mas digna: o famoso 5-3-2. No gol, observando de longe, curtindo os mais de US$ 100 milhões de seu “Juno”, está o diretor Jason Reitman. O cara está enfrentando ninguém menos que os irmãos Coen, aquele cara do Magnólia e o diretor vencedor de Cannes 2007 na sua categoria. E quando mencionam o filme que ele fez, todo mundo só só sabe falar do roteiro. Reitman sabe que sua indicação é a famosa “aquele outro longa dele era tão bom e ele não foi indicado! Vai por esse, então”.


Mortensen e seu carão de zagueiro argentino. Até castellano, o cara fala.

E o moço nem precisa trabalhar muito, já que tem uma zaga de peso na sua frente. Capitaneando a defesa, os xerifes Viggo Mortensen e Tommy Lee Jones, ambos indicados a melhor ator e sem esperança de tirar o careca das mãos de Daniel Day-Lewis. Mortensen foi elogiado por lutar nu em uma sauna em seu filme – o que não é lá o que os conservadores da Academia esperariam de um indicado. E Jones simplesmente está na lista por um filme que quase ninguém viu, portanto não têm como lembrar para votar.

Completando a zaga, Tony Gilroy, que entrou na categoria de direção com a promoção melhor-filme-dá-direito-a-uma-indicação-de-diretor; Philip Seymour Hoffman, coadjuvante por “Jogos do poder” que, por melhor que esteja, todos pensarão “ah, ele já ganhou uma vez” antes de votar. E, por fim, como toda defesa precisa de um brucutu de futebol horroroso, jogamos aqui a maquiagem de “Norbit”, que não vai ganhar simplesmente porque qualquer pessoa com direito a voto na Academia não viu essa porcaria. E se viu, não pôde apreciar a maquiagem porque o roteiro e o Eddie Murphy não deixaram.


Eles estão mais preocupados em pegar onda do que ganhar Oscar mesmo.

No meio de campo, vem o desesperançado desenho “Tá dando onda”, que viu “Ratatouille” ganhar tudo no Annie, Oscar da animação – e ainda tem como outro concorrente o vencedor do prêmio do Júri de Cannes 2007. Ao seu lado, Sarah Polley, sempre calma e com bom toque de bola, e seu roteiro adaptado de “Longe dela”; e Nancy Oliver com o roteiro original de “Lars and the real girl” – que não vai ganhar por várias das razões acima (ninguém viu o filme, falar de um cara que começa a namorar uma boneca inflável não é o que Academia chama de ‘classe’ etc. etc. etc.).

No ataque, Ellen Page esbanja agilidade e juventude com sua indicação “estrela dourada de professor primário: Continue assim!”. Língua afiada e oportunismo, a moça é quase um Romário de saia de preguinhas e calça jeans. Ao seu lado, fechando a equipe, a experiência de quem já esteve no LEC duas vezes: Laura Linney (Conta comigo e Kinsey), sua companheira de categoria, por “The savages”


Ellen ganhou algo bem maior que o Oscar: o coração do público.

Longa vida ao LEC. Esse pode não ser o ano dele, mas os jogadores estão preparados para o que está por vir. Não vão ter nem que improvisar para concorrer ao Oscar de ‘melhor expressão de dignidade quando um diretor de imagem filho-da-p*ta me colocar no ar logo após eu perder’. Eles já vão ensaiados.

Os cults

Vanguarda Futebol Arte

por

Fotos: divulgação

O VaFA – Vanguarda Futebol Arte – congrega basicamente o hype. Aqueles filmes, atuações ou trabalhos técnicos que conquistaram pela ousadia de ser diferente, inovar ou simplesmente ir contra o que todos esperavam. São as indicações que a Academia distribui para provar que não é tão conservadora quanto dizem. E podem ganhar pelo mesmo motivo.

Complementar e paradoxalmente, ousadia e vanguarda demais também podem fazer com que eles percam no domingo. Esse lance de um pé em Cannes e outro no Kodak Theatre pode embolar o meio de campo do VaFA e desencorajar os votantes mais velhinhos da Academia.


Ser vanguarda é se travestir de Bob Dylan, como Cate Blanchett...

Ou desafiar seus preconceitos, que é o que o esquete do VaFA realmente deseja. O time não joga pela vitória: joga pelo futebol arte, pela plástica do drible desconcertante, pela beleza do ritmo do toque de bola. E como uma seleção ousada, o VaFA joga pra frente, atrás do gol, da grande jogada, num 4-3-3 tão suicida quanto empolgante.

No gol, ele: grande, gordo e mestre da ousadia, Michael Moore já não é assim tão cult ou vanguarda. Mas dar o Oscar de documentário a “SOS Saúde” significa, para os votantes, provar que a Academia é liberal, anti-Bush e quase de esquerda – o que é um tanto quanto cool. Liderando a zaga, vem Julian Schnabel, o artista contemporâneo nova-iorquino que se tornou cineasta em 1996 com a biografia “Basquiat”. Ele ganhou o prêmio de direção em Cannes no ano passado por “O escafandro e a borboleta” e agora concorre à mesma estatueta no Oscar. Ser artista contemporâneo em NY é muito vanguarda – e muito cult. Não à toa, Schnabel é o capitão do time.


Ser Vanguarda é dirigir seu filme de pijama, como Julian Schnabel...

Ao lado dele, vêm dois jogadores extremamente técnicos: Christopher Rouse mostrou sua capacidade de driblar desconcertantemente o público com a montagem de “O ultimato Bourne” (ícone cult/hype de 2007); e Albert Wolsky, com seu figurino sessentista, contribuiu para a beleza psicodélica de “Across the universe”. Fechando o esquadrão, Josh Raskin entrega em “I met the walrus”, candidato a melhor curta de animação, um filme que, segundo a sinopse, “torna uma entrevista de John Lennon sobre a paz em uma cascata fluida, alimentada por múltiplas vertentes da animação”. O que soa extremamente cool.

No meio de campo, a bela canção “Falling slowly”, do longa indie “Once”, destaca-se entre a enxurrada Disney que invadiu a categoria. Se as múltiplas indicações de “Encantada” se anularem, e se a tendência do Oscar de canção original ser um sopro de juventude na cerimônia se comprovar, a música de Glen Hansard e Martina Inglova tem boas chances de vitória. Em campo, ela dita o ritmo do toque de bola, enquanto encanta o adversário com sua fluidez.

Nas laterais, não podiam faltar no Vanguarda o cinema estrangeiro. Na esquerda, “Katyn” do cineasta político polonês Andrzej Wajda fala sem pieguice do tratamento alemão aos judeus na segunda guerra, em uma história vivida pelos pais do diretor. E na direita, um filme do Cazaquistão de nome “Mongol” defende bravamente o VaFA. De onde vem e sobre o que fala, poucos sabem, mas o fato é que ele tirou da reta final favoritos como “4 meses, 3 semanas e 2 dias” e “Persépolis”. E isso prova o quanto a Academia quer ser cult.


Ser Vanguarda é causar a ira totalitária do aiatolá Khomeini, como Persépolis.

No ataque, o atual rei do cool, do hype e do improvável, Johnny Depp comanda a linha de frente, com a moral de quem não dá uma bola fora há muito tempo. Ao seu lado, a personificação da vanguarda em 2007, Cate Blanchett como Bob Dylan em “Eu não estou lá”; e ”Persépolis”, a animação francesa que pode acabar com a festa de “Ratatouille” se o Oscar resolver declarar, abertamente, sua admiração pelo futebol do VaFA.

O Vanguarda não precisa do título (ou da estatueta) – ele está acima disso. Mas se ganhar, mesmo os torcedores dos outros times vão reconhecer o bolão que eles jogaram e o mérito da vitória. Futebol arte é assim: mesmo se for o holandês, o africano ou o da Costa do Marfim, não há quem resista.

Os injustiçados

Quase Famosos Agremiação Desportiva

por

Fotos: Divulgação

Nada é pior do que ser quase. Aquela sensação depois do jogo final da eliminatória para o campeonato, em que o seu time fez a parte dele, mas a combinação de resultados acabou tirando-o dos classificados. Morrer na praia. Tropeçar na linha de chegada. Ser derrubado por um escocês louco de kilt.

Nada é pior que isso.

O QFAD (ou qfoda!, para os íntimos) – Quase Famosos Agremiação Desportiva – passou exatamente por essa situação. A equipe estava formada, bem preparada, os jogadores entrosados, a torcida apoiava o esquete. E, no entanto, uma série de conjunturas e resultados desfavoráveis fez com que os jogadores do Quase Famosos não entrem em campo – ou não pisem no tapete do Kodak Theatre (pelo menos não como indicados) – no próximo domingo.

Não é nem uma questão de méritos. Alguns dos jogadores do QFAD são tão bons ou melhores que os das outras seleções apresentadas durante a semana. Em alguns casos, são devido a essas coisas que fazem do futebol (ou do Oscar) algo mais feio e injusto: cartolagem, compra de votos, campanhas de marketing monstruosas, números da bilheteria...


Pois é, Wright...nem a gente.

...Enfim. A gente chora pela seleção de primeira do QFAD. No gol, o inglês Joe Wright e seu maravilhoso plano-seqüência em “Desejo e reparação” lamentam a sua ausência na categoria de direção. Outro ausente na mesma categoria, Ridley Scott deixa de querer ser Coppola para liderar a zaga do Quase.

Capitão e xerife, os dois não têm nenhuma dificuldade em comandar seus protagonistas James McAvoy e Denzel Washington, ambos ignorados na categoria de melhor ator, completando a cozinha protetora da meta do QFAD. Jogando um pouco adiantada, mas ainda apoiando a defesa ao embasbacar os atacantes dos outros times, Angelina Jolie grita como Marianne Pearl por ninguém ter visto “O preço da coragem” para votar nela.


Você teria coragem de não dar nem uma indicaçãozinha a...ele?

O meio de campo conta com toda a criatividade de Tim Burton – também esquecido na categoria de direção. Seu entrosamento com o também estilizado e sombrio “Persépolis” – limado como filme estrangeiro - é quase espontâneo, sem esforço. Nas laterais do Quase, outros dois longas ignorados na mesma categoria: na direita, “Lust, caution” do taiwanês Ang Lee entorta as pernas dos adversários com seus malabarismos kamasutranos; e na esquerda, o fôlego de “4 meses, 3 semanas e 2 dias” é do tamanho dos planos-seqüência do romeno Cristian Mungiu.

No ataque, fechando o esquete Foda, estão os melhores filmes que nunca foram. De um lado, a criatividade de “Sweeney Todd” que, junto com “Senhores do crime” de Cronenberg, não pensam duas vezes em dar sangue pelo time. Apesar dos dois terem arrebanhado algumas das melhores críticas de 2007, são eles que estampam a linha de frente do QFAD e se consolam com essa palavra terrível: quase.


Burton and Sweeney Todd shall have their revenge...

Já dizia o sábio Lourenço, “A vida é dura”. O futebol de primeira do QFAD vai ter que esperar pela próxima para ter seus méritos reconhecidos com o carequinha de ouro. Pelo menos aqui no Pílula, o time tem seu lugar guardado e pode aparecer mais aí, sempre que quiser. Foda.

Os favoritos

Clube de Regatas Titânicos

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Fotos: Divulgação

O Clube de Regatas Titânicos não tem outra definição, que não o clichê: ele é o dream team. Jogadores que são a nata do que de melhor há no mercado, no auge da forma física, com o apoio da melhor equipe técnica, reunidos com um objetivo claro: ganhar. O CRT é a seleção canarinho de 1970, a Argentina de 78, a esquadra Azurra sem o Baggio pra bater pênalti...

...Enfim, eles são foda.

Considere o seguinte: favoritismo é a salvação dos votantes que não tiveram tempo de ver todos os filmes (ou seja, quase todo mundo). E daquele editor de áudio que não entende bulhufas de atuação – e vice-versa. Isso explica porque ser favorito é estar com uma mão e mais três dedos na taça (ou no careca).


No Oscar 2008, Deus tem um nome. E ele é Daniel Day-Lewis.

No gol, os robôs gigantes e desajeitados de “Transformers”, indicados à estatueta de efeitos visuais, tornam a meta do Titânicos quase intransponível. Na zaga, o time tem não um, mas dois xerifões. E eles são maus, cruéis, não brincam em serviço e não têm senso de humor. Daniel Day-Lewis e Javier Bardem, ator e coadjuvante, respectivamente, são dois carcamanos de técnica reconhecida internacionalmente, capazes de botar medo – e arrancar sangue, se necessário - de qualquer ataque. É uma dupla que une a experiência de Day-Lewis, vencedor de outros campeonatos, à classe européia de Bardem. Vai encarar?

Completando a defesa, Roger Deakins é um beque que vale por dois: o cara é favorito ao Oscar de melhor fotografia por “Onde os fracos não têm vez” e “O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford”. É um favoritismo tão grande quanto os dois nomes juntos.


Até com cara de 'já ganhou', ele é muuuito simpático. E fofo.

Ruby Dee, favorita de última hora a atriz coadjuvante depois do SAG, traz classe ao meio de campo, sem precisar de muito esforço, já que “Ratatouille”, melhor animação, é daqueles não dá um passe errado. Classe também está na lateral direita com a candidata a melhor atriz Julie Christie, por “Longe dela”. Os mais de 20 prêmios já conquistados pela performance impõem respeito, ajudando na defesa. Enquanto isso, na lateral esquerda, a espevitada e prafrentex Diablo Cody e o roteiro de “Juno” levam o jogo adiante, fazendo a ligação com o ataque.

As grandes estrelas do Titânicos, porém, como em todo dream team, estão no sua linha de frente. Já ouviu daqueles jogadores que completam o pensamento do outro? No CRT, os irmãos Coen, melhores atacantes da temporada, completam o pensamento, a fala e a jogada um do outro. Eles valem não por dois, mas três artilheiros, como melhor filme, melhor direção e melhor roteiro adaptado – em silêncio, como grande parte de seu filme, eles realizam jogadas ensaiadas tão bonitas quanto os planos de Deakins.


Joel e Ethan Coen: um homem, duas cabeças, três artilheiros.

“Onde os fracos não têm vez” tem prêmio que não acaba mais. 2008 já foi anunciado como o ano deles no Oscar, assim como 2007 foi de Scorsese, e todo mundo já aceitou isso. É favoritismo para fazer tremer qualquer defesa.

O Titânicos entra no Kodak Theatre no próximo domingo pisando firme, jogando pra vencer e com o rosto olhando para o alto e à frente. O perigo disso é que o único golpe que pode derrubá-los vem exatamente debaixo: a rasteira dos azarões, esquete que você conhece amanhã.

Os azarões

Sociedade Atlética Fortes Futebol Clube

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Fotos: Divulgação

O Oscar pode ser a terra em que os fracos não têm vez. Mas quem disse que os concorrentes do longa dos irmãos Coen não têm força? A temporada 2007/08 produziu um plantel de boleiros como há muito não se via – e o resultado disso você já conferiu no esquete dos injustiçados.

Se os favoritos já estão quase lá, eles ainda não estão : a Sociedade Atlética dos Fortes Futebol Clube (SAF’s) entra em campo para acabar com a festa do CRT – ou, pelo menos, dar uma suadeira nos seus belos ternos e vestidos milionários. O SAF’s é a ”Pequena miss sunshine” de 2008: come quieto, joga na surdina, defende sua meta a qualquer custo. O time economiza o fôlego até o final, quando explode rumo ao adversário naquela que é seu grande trunfo: a arrancada surpresa.


Um figurino à la Casablanca, uma felicidade nunca alcançada (e suas lágrimas) podem dar o Oscar a “Desejo e reparação”.

Como não podia deixar de ser, a defesa do SAF’s é composta pelos adversários diretos do ataque coeniano do Titânicos, que não dá chance para os fracos. No gol, está o gigante de petróleo de P.T. Anderson, “Sangue negro”, azarão como melhor filme. Na zaga, o próprio Anderson comanda a esquadra safiana, ao lado da dupla de “Desejo e reparação”, azarão de melhor filme e roteiro adaptado (em que também bate de frente com os Coen). Prova de que, na luta contra os favoritos, formam-se as alianças mais improváveis.

A zaga do Fortes é essencial para compreender o time: filme, direção e roteiro contra o filme, direção e roteiro dos Coen. O SAF’s aposta na marcação homem a homem (ou candidato a candidato) e isso implica que todos os seus jogadores recuem e apóiem fortemente a defesa, foco principal do time. E como, contra os Coen, defesa nunca é demais, ela é composta ainda pela técnica impecável de Tilda Swinton. Azarona a coadjuvante, ela prova que estratégias equivocadas são especialidade de sua personagem, e não dela.


Casey Affleck: covarde, sim. Fraco, não.

A base-Forte do meio-de-campo são os opositores diretos de Javier Bardem: a experiência dos coadjuvantes Hal Holbrook e Tom Wilkinson é a aposta do SAF’s para armar as jogadas que furarão o paredão do xerife espanhol. Os dois senhores permitem que Marion Cotillard bata de frente com sua adversária de categoria, Julie Christe, na lateral esquerda; e Tony Gilroy faça o mesmo na direita, confrontando Diablo Cody com o roteiro original de “Conduta de risco”.

Apoiados pelas armações de Wilkinson e Halbrook, seguem na frente os únicos dois membros do Fortes que jogam mais adiantados. George Clooney aproveita a experiência de já ter jogado no CRT em 2006 e encara frente-a-frente o xerifão Daniel Day-Lewis. Ao seu lado, Casey Affleck é pura juventude e magreza, com uma rapidez que se utiliza das estratégias sutis, surpreendentes e maquiavélicas de seu personagem em “O assassinato de Jesse James” para correr e enganar o brucutu Bardem, deixando-o para comer poeira.


Ele é George Clooney e isso já é razão o bastante para lhe darem o Oscar.

Fácil? Nem um pouco. Mas o SAF’s nunca achou que ia ser. Ele chega na cerimônia no domingo como o franco-atirador que não tem nada a perder – e sabe ter futebol para derrubar o adversário. “A briga vai ser boa, as duas equipes estão preparadas e...

...o futebol é uma caixinha de surpresas”. Esperemos que, pelo menos um pouco, o Oscar também possa ser. Pegue suas tabelas, conte os pontos, anote os resultados... e volte aí depois contando o que achou.

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