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Pessoas são lugares, o amor é um tempo

As 10 despedidas mais apaixonadas da história do cinema

por Daniel Oliveira

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- “Como você diz adeus a uma pessoa sem a qual você não consegue se imaginar vivendo?”

Você não diz. Porque é impossível, porque dói, porque o coração não tem neurônios, não pensa e acredita que ainda existe esperança. A verdade dói, por isso a gente mente. E enche a cara, como o policial Arnie. Ou tenta ignorar a ausência da pessoa, substituindo-a com várias, como a estonteante Sue Lynne. Ou ainda embarca num cinismo suicida, apostando a vida como quem não tem nada a perder – vide a jogadora Leslie.

A maioria de nós, porém, simplesmente se afasta – foge, assim como a Elizabeth de “Um beijo roubado”. Porque as pessoas são lugares e enquanto se estiver neles, é impossível tirá-las de dentro de nós. E o amor é um tempo, com o perdão do clichê enorme, eterno enquanto dura. O problema é que nem sempre esse tempo é sincronizado para as duas pessoas – para uns, dura mais; outros, menos. Para ela, termina hoje. Para você, só daqui a 10 anos.

Inspirado nessa visão de Wong Kar-wai do amor como a conjunção cósmica de um espaço-tempo específico, o Pílula Pop fez um levantamento das 10 despedidas mais apaixonadas (e apaixonantes) do cinema. “Como você diz adeus a uma pessoa sem a qual você não consegue se imaginar vivendo?” Pegue a caixa de lenços, prepare o coração e confira algumas respostas abaixo. Aviso: elas não tornam a dor nem um pouco mais fácil ou suportável.

10- Desejo e reparação (Atonement, Reino Unido/França, 2007, dir. Joe Wright)

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Fotos:


Ele, ela e o sonho da cabana...

Quem vai: Ele, Robbie Turner

Quem fica: Ela, Cecilia Tallis

A música: os acordes metalingüísticos de Dario Marianelli, vencedores do Oscar

A frase: “Eu te amo. Eu vou esperar por você. Volte. Volte pra mim.”

O lugar: Uma cabana na praia, de janelas azuis (que eles nunca conseguem visitar juntos)

O tempo: Robbie (James McAvoy) e Cecilia (Keira Knightley) têm provavelmente o maior amor jamais realizado da história do cinema. Eles descobrem estar apaixonados e, dez minutos mais tarde, são separados por uma mentira. Ele vai preso, ela jura que vai esperar. E, depois disso, pela guerra. Ele vai para o front, ela jura que vai esperar. São não uma, mas duas despedidas. O amor deles é aquela cabana na praia nunca visitada, uma ilusão que carrega duas horas de filme. Uma esperança de que existe vida após a guerra. Existe?

9- Encontros e desencontros (Lost in translation, EUA/Japão, 2003, dir. Sofia Coppola)

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Fotos:


Ele, ela e Tóquio.

Quem vai: Ele, Bob Harris

Quem fica: Ela, Charlotte

A música: Just like honey, do Jesus and Mary Chain

A frase: perdeu-se na tradução

O lugar: Tóquio, Japão

O tempo: Bob (Bill Murray) e Charlotte (Scarlett Johansson) estão sozinhos no Japão. Sozinhos na vida. Incomunicáveis. Estagnados. Sem saber para onde ir. Eles se encontram. E se entendem. Dividem a sensação de deslocamento e o vazio. A vida parece ter perspectivas ao lado um do outro. Ele tem que ir embora. Existe vida após o Japão? Ou o amor foi simplesmente um encontro em Tóquio? Aliás, era realmente amor? Perguntas que se respondem com um beijo...um beijo...um beijo assim, just like honey.

8- Closer – Perto demais (Closer, EUA, 2004, dir. Mike Nichols)

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Fotos:


Ele, ela e a dor da verdade.

Quem vai: Dan/Alice

Quem fica: Alice/Dan

A música: Blower’s daughter, Damien Rice

A frase: - “Como você pode abandonar alguém assim?

- Eu sou egoísta. Eu vou ser mais feliz com ela.”

O lugar: Londres

O tempo: Alice (Natalie Portman) aparentemente não tem limites para seu amor por Dan. Dan (Jude Law) é fraco e inseguro e usa a paixão de suas mulheres como porto para seu fracasso profissional. É mais um caso de despedida dupla. Primeiro, ele a deixa. Depois, é a vez dela. É um relacionamento abusivo e desequilibrado, que só entra na nossa lista porque a desilusão e o choro de Portman são de partir o coração. E porque tem lições altamente pragmáticas de como dizer adeus a alguém:

- “Como funciona? Como você faz isso com alguém?

Silêncio.

- Não é o bastante!

- Eu me apaixonei.

- Como se você não tivesse escolha? Existe sempre um momento, ‘eu posso fazer isso, posso me entregar, ou posso resistir’. E eu não sei quando foi seu momento, mas sei que houve um.“

O ‘momento’ de Alice no final do filme é uma lição de como se despedir de alguém. E se poupar de todo o sofrimento que o futuro lhe reserva. Alice foge, mas ela diz adeus.

7- Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Eternal sunshine of the spotless mind, EUA, 2004, dir. Michel Gondry)

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Fotos:


Ele, ela e as memórias.

Quem vai: Ela, Clementine Kruczynski

Quem fica: Ele, Joel Barish

A música: Everybody’s gotta learn sometime, Beck

A frase: “Joel, e se eu ficasse desta vez? Volte e invente um adeus. Vamos fingir que nós tivemos um.”

O lugar: Uma casa se despedaçando na praia em Montauk.

O tempo: Joel (Jim Carrey) é um cara que se apaixona por toda garota que faz contato visual com ele. Clementine (Kate Winslet) é simplesmente uma garota fodida em busca de paz interior. Eles se amam. E não se suportam. Como você diz adeus a uma pessoa sem a qual você não consegue se imaginar vivendo? Você a apaga da sua memória. E depois se arrepende. Após escutarem o que de pior um tinha a dizer sobre o outro, eles se encaram no corredor do prédio de Joel. Em transição, nem lá, nem cá. Como você diz adeus a uma pessoa sem a qual você não consegue se imaginar vivendo?

6- O segredo de Brokeback mountain (Brokeback mountain, EUA, 2005, dir. Ang Lee)

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Fotos:


Ele, ele e a montanha.

Quem vai: Ele, Jack Twist

Quem fica: Ele, Ennis del Mar

A música: o acorde inconfundível e ganhador do Oscar de Gustavo Santaolalla

A frase: “I wish I could quit you.”

O lugar: A montanha Brokeback

O tempo: Ennis (Heath Ledger) é um pastor de ovelhas que não sabe ao certo o que é viver. Jack Twist (Jake Gyllenhaal) é um caubói que quer viver e acaba aprendendo com Ennis. Mas eles são dois homens. Nos anos 60. No Wyoming. E eles têm famílias. Então, na última vez em que se encontram, e brigam, Jack resume bem a história: “tudo o que nós temos é Brokeback mountain!”. O lugar onde o amor é possível. Mas é mesmo?

5- A um passo da eternidade (From here to eternity, EUA, 1953, dir. Fred Zinnemann)

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Fotos:


Eles, elas e a guerra.

Quem vai: Ela, Karen Holmes; e ele, Robert Prewitt

Quem fica: Ele, Milton Warden; e ela, Alma Burke

A música: a trilha clássica de Morris Stoloff e George Duning

A frase: “Eu queria não te amar! Talvez eu pudesse apreciar a vida de novo!”

O lugar: Pearl Harbor, uma ilha romântica no Havaí

O tempo: Milton Warden (Burt Lancaster) é um sargento em Pearl Harbor em 1941. Karen Holmes (Deborah Kerr) é a esposa traída do comandante por quem ele se apaixona. Warden promete que dará entrada nos papéis para se tornar Oficial e eles poderão fugir. Robert Prewitt (Montgomery Clift) é um soldado-boxeador castigado pela vida, o universo e tudo mais. Alma Burke (Donna Reed) é a alma boa que vai se compadecer dele e ensiná-lo que a vida pode ser mais que socos e chutes por todos os lados. Eles estão felizes, eles têm sonhos. A Segunda Guerra chega. Pearl Harbor é atacada. É mais um caso de despedida dupla. Warden não consegue se tornar oficial. Karen não acredita que ele vá realmente fugir com ela. Prewitt tenta se alistar para ajudar na retaliação aos japoneses. Ele é baleado. A vida acontece. Aliás, existe vida durante a guerra?

4- Antes do amanhecer (Before sunrise, EUA/Áustria/Suíça, 1995, dir. Richard Linklater)

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Fotos:


Ele, ela e aquela sensação de serem feitos um para o outro.

Quem vai: Ele, Jesse

Quem fica: Ela, Celine

A música: A waltz for a night, Julie Delpy

A frase: “Bem, quem disse que relacionamentos têm que durar pra sempre?”

O lugar: Viena.

O tempo: Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) se encontram em um trem na Europa. Eles têm a vida toda pela frente. Mas só uma noite juntos em Viena. Eles se beijam, transam e, acima de tudo, descobrem que (aparentemente) foram feitos um para o outro. Só que, para quem tem a vida toda pela frente, isso é muita pressão. E se o amor for apenas uma noite em Viena? Então, eles vão atrás dessa vida toda e prometem se encontrar naquela mesma cidade dali a seis meses. É uma despedida. E também uma promessa. Mas é uma despedida? E é uma promessa?

3- Hiroshima mon amour (França/Japão, 1959, dir. Alain Resnais)

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Fotos:


Ele, ela e o horror.

Quem vai: Ela

Quem fica: Ele

A música: o barulho de uma explosão atômica

A frase: “Você está me destruindo. Você é bom para mim.”

O lugar: Nevers, Hiroshima

O tempo: Ela (Emmanuelle Riva) é uma atriz francesa, fazendo um filme sobre paz no Japão. Ele (Eiji Okada) é um japonês com quem ela passa a noite anterior ao seu regresso à França. Ela é assombrada pelo romance que teve com um oficial nazista durante a Segunda Guerra, na sua cidade-natal, Nevers. Ele, pelo horror da bomba em Hiroshima. No outro, eles descobrem a possibilidade de sair de suas cidades, sair da guerra e encontrar a paz. Os dois consomem suas memórias em um amor denso e intenso, em que eles continuam sendo suas cidades, mas o tempo parece ter, enfim, avançado. Mas ela é casada. E tem que voltar para a França...Alain Resnais e Marguerite Duras não deixam nada muito claro sobre essa despedida. De novo: existe vida após a...?

2- Love story (EUA, 1970, dir. Arthur Hiller)

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Fotos:


Ele, ela e o amor maior que a vida.

Quem vai: Ela, Jennifer Cavalleri

Quem fica: Ele, Oliver Barret IV

A música: Love story, Frances Lai & Orchestra

A frase: “Amar é nunca ter que pedir perdão.”

O lugar: Um campus universitário, onde a vida parece cheia de possibilidades

O tempo: Oliver (Ryan O’Neal) é um aluno de Direito em Harvard. Jennifer (Ali MacGraw) é uma estudante de música semi-hiponga. Eles se apaixonam. O pai dele o deserda. Eles lutam contra todos os contratempos e ficam juntos porque o amor dos dois é maior que tudo. Maior que uma leucemia? Não precisa nem ver o filme. Só escute a música-tema antológica. E deixe os lenços ao alcance. Às vezes, a vida acontece. Às vezes, a guerra. Life sucks. Só que a morte também.

1- Casablanca (EUA, 1942, dir. Michael Curtiz)

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Fotos:


Ele, ela e um adeus para a posteridade.

Quem vai: Ela, Ilsa Lund

Quem fica: Ele, Rick Blaine

A música: As time goes by, Dooley Wilson

A frase: “Eu não posso ir com você ou jamais te ver de novo. Você não deve perguntar por que. Apenas acredite que eu te amo. Vá, meu amor, e que Deus te abençoe.”

O lugar: Paris

O tempo: Rick (Humphrey Bogart) é um cínico inveterado, dono de um bar em Casablanca durante a Segunda Guerra. Ilsa (Ingrid Bergman) é a mulher de seu passado que reaparecerá para trazê-lo de volta à vida. Eles tiveram um caso em Paris anos antes. Mas não houve uma verdadeira despedida para o casal. Os dois ainda estão apaixonados. Mas há magoas e mal-entendidos. Superados esses últimos, eles poderiam fugir juntos, para sempre. Mas só há dois lugares no avião para sair de Casablanca. E Ilsa esta casada. Rick é um homem honrado na cena final, no aeroporto, em uma das seqüências mais clássicas da história do cinema. Play it again, Sam. Just play it again.

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