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Eles não entendem

Elvis Costello ao vivo

por Braulio Lorentz

Fotos: Marcelo Mercedo


Elvis e o baterista Pete Thomas

Uma cena da cobertura da MTV no Tim Festival ilustra muito bem a passagem de Elvis Costello por BH. Detalhe: a cena se passa no show do Strokes no Rio de Janeiro. O VJ Rafa se aproxima de duas garotas na fila de entrada, sendo que elas estão ainda sem ingressos pro show. O VJ pergunta sobre o Strokes e as mocinhas respondem que conhecem mais o começo da carreira dos caras. Para fechar a conta, elas emendam que adoram “Last Lite”.

Erros de lado, a balada “She”, de Costello, é a “Last Night” versão adulta e conservadora. Pelo menos na visão do pessoal que trouxe Elvis Costello (na companhia de Dr. John) para a mini-edição mineira do Tim Festival 2005. O Television, ícone pré-punk de Nova York que acompanhou Costello no Rio, pegou avião para São Paulo, e por lá ficou. E a cidade fora do eixo Rio-São Paulo escolhida para receber a apresentação dos também novaiorquinos Strokes foi a jovem Porto Alegre, com a banda Arcade Fire de bônus.

O show de Costello no Chevrolet Hall, no dia 25 de outubro, ganhou matéria no programa Agenda, da Rede Minas. Ao repercutirem a passagem do tio roqueiro por aqui, optaram em entrevistar pessoas sobre a notável ausência de público. Eu entendo quem preferiu ficar em casa naquela terça-feira e não pagar 50 reais pelo ingresso mais barato. Um entrevistado chegou até a afirmar que Belo Horizonte não merecia shows internacionais deste porte. Provavelmente ele não esteve no mesmo Chevrolet Hall para conferir a lotação causada pelos fãs de Moby e do Nightwish. Ambas as apresentações estavam com a casa empanturrada, claro. E não eram só tiozões, muitos eram jovens. Eu disse jovens.


O tadinho do Costello e o baixista Davey Faragher

O clima de evento “Tim e ArtBhz convidam” não se escondia. A cada passo, esbarrávamos com as (poucas) pessoas que, por exemplo, eram amigas de um cara que tem um colega que faz estágio em tal lugar e por isso ganhou cortesias. Toda essa situação fez crescer a “peninha do Costello”, sentimento comum aqui neste site e já vivenciado no show do Hanson, que também deixou o Chevrolet Hall muito carente de pessoas, mas reuniu pelo menos o dobro das que estavam no show de Costello. Os preços dos ingressos na porta são de corar as bochechas de qualquer roqueiro com bom coração: cambistas ofereciam convites por 10 reais.

Se você reparou bem, ao longo do texto deve ter ficado claro que eu preferia ter conferido o show do Strokes. Ver Elvis Costello ao vivo tocando “Pump It Up” e “Everyday I Write The Book” foi bastante legal e prazeroso, porém não tanto quanto ver a equação “BH = público adulto + conservadorismo” escorrer pelo ralo.


- Foi mal, mas não deu pra tirar foto do tecladista Steve Nieve junto com o Elvis...

No sábado anterior ao brochante evento protagonizado pelo tadinho do Elvis, 6 mil pessoas, na maioria jovens, se espremeram para ouvir as novidades do Los Hermanos. Sim, Belo Horizonte tem jovens. E o Chevrolet Hall seria pequeno para o Strokes. Television no bar A Obra também daria mais pagantes do que Elvis Costello no Chevrolet Hall. Ou seja, umas 250 pessoas. E tenho dito.

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