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Freqüência Hanói

por Rodrigo Campanella

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(Dir.: Daniel Lisboa e Diego Lisboa. Brasil, 2006, vídeo)

O curso mais rápido, e na porrada, de História do Brasil de que se tem notícia. Boa definição para “Freqüência Hanóiâ€, dos baianos Daniel e Diego Lisboa. Daniel já foi muito comentado (e pouco visto) por conta de seu “O Fim do Homem Cordialâ€, curta de “homenagem†a Antônio Carlos Magalhães, censurado na Bahia com a sutileza de golpes de machado, que também deu início à recusa freqüente de projetos de Daniel e companheiros de trabalho em editais públicos. O curta está disponível no You Tube.

Daí surgiu o Movimento Anticordial, espécie de guerrilha artística que atua em Salvador, pregando o terrorismo cultural como forma de derrubar a aparente ordem e satisfação geral da capital baiana. É como parte desse movimento que vem “Freqüência Hanóiâ€, um documentário esquizofrênico em som e imagem – e isso é um elogio.

No depoimento, algo raivoso, algo condescendente, narrado em off por um presidiário baiano, corre toda a História do Brasil que serve de pano de fundo para a maioria das manchetes de qualquer telejornal hoje em dia. É uma aula prática de como criar uma sociedade que azeita suas rodas com sangue, finge que é evoluída e segue em frente, esmagando.

O depoimento é gravado clandestinamente, com a conversa feita através de um celular dentro da penitenciária, enquanto as imagens feitas em um carro em movimento mostram simplesmente o céu, azul de doer, de uma cidade que possivelmente é a própria Salvador. A liberdade daquele céu é cortada por uma imensidão de fios cruzados, que armam a tela como uma grade. Junto da história que a voz atrás da imagem conta, isso cria a sensação cada vez maior de arame farpado no olho de quem assiste.

O “Hanói†do título, capital do Vietnã, vem da afirmação freqüente do preso de que “aqui tem muita guerra†assim como naquele país. O curta deve virar longa ainda este ano, agora batizado “Vietnãâ€.

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