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Dois (ou vários) em um

01.07.09

por Renné França

A Era do gelo 3

(Ice Age: Dawn of the dinosaurs, EUA, 2009)

Dir.: Carlos Saldanha
Vozes de: Ray Romano, John Leguizamo, Dennis Leary, Queen Latifah, Simon Pegg, Sean William Scott

Princípio Ativo:
referências

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Quando um filme é construído quase exclusivamente em cima de referências a outras produções, é sinal de que seus personagens já não são bons o suficiente. Parece o mal do 3: aconteceu com Shrek e acontece agora com A Era do Gelo. O sucesso surpresa do primeiro filme baseava-se na interação entre seres distintos que eram obrigados a trabalhar em conjunto. Mas, com o conflito resolvido e a amizade estabelecida entre eles no primeiro longa, as personalidades do mamute Manny, da preguiça Sid e do tigre dentes-de-sabre Diego parecem já ter cansado.

A saída das continuações tem sido a inclusão de novos personagens e o foco na ação. “A Era do Gelo 3” é, na verdade, dois filmes intercalados. No primeiro, a mamute Ellie está esperando um filho(te) de Manny, o que acaba por provocar o desejo de paternidade de Sid, que cria três ovos sem saber que são dinossauros. (Sim, os dinossauros estavam vivos o tempo todo em uma terra escondida debaixo do solo). É para essa terra que todos irão resgatar Sid da furiosa mãe de seus “filhos”.

E o que se iniciou como um episódio de desenho animado, estendido para além da capacidade do carisma de seu trio principal, ganha fôlego com a entrada de um novo personagem e uma série de referências a outros filmes:

O Mundo Perdido
Não o do Spielberg (apesar de ser impossível não pensar em “Jurassic Park”), mas a produção de 1960 baseada no livro de Conan Doyle. Nela, um grupo de exploradores descobre uma selva perdida habitada por dinossauros. Podia perfeitamente ser “King Kong” também.

Apocalipse Now
Nessa caçada pela selva, Manny, Ellie, Sid e Diego irão se deparar com o melhor personagem do longa, a doninha Buck (voz do sempre ótimo Simon Pegg no original), que usa um tapa-olho e enlouqueceu na solidão da selva. Remetendo em vários momentos ao coronel Kurtz de Marlon Brando, Buck é um mini-Rambo que possui uma luta particular com um gigantesco dinossauro albino...

Moby Dick
... que lembra bastante a baleia branca que o capitão Ahab é obcecado em reencontrar.

Buck traz alguma graça para uma série cada vez mais infantil e previsível, que continua tendo como ponto forte a bela animação e o astro do seu “outro” filme: o esquilo Scrat, que agora protagoniza uma comédia romântica intercalada de maneira nada orgânica na história. Quando o que era um suspiro irônico no primeiro “A Era do Gelo” (as referências cinematográficas e o Scrat) se torna o foco principal na sua terceira parte, é porque tem alguma coisa muito errada. E aí, nem o 3D salva.

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Buck(minster), o melhor do filme.

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