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O que falamos quando falamos de Wilco*

16.07.09

por Suellen Dias

Wilco (The Album)

(Warner, 2009)

Top 3: “Solitaire”, “Bull Black Nova”, “Deeper Down”

Princípio Ativo:
Tranqulidade

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Para o sexteto de Chicago, Wilco (The Album) foi assim batizado porque é o trabalho que mais se aproxima do que a banda é. Jeff Tweedy, vocalista e um dos dois integrantes remanescentes da formação original, parece contente por finalmente lançar um trabalho sem "histórias de fundo embutidas". Para Tweedy, os últimos CDs acabaram sendo marcados pelo contexto que os envolvia: problemas com gravadora, rehab (o cantor passou por tratamento para se livrar do vício em analgésicos), pós-rehab e outros perrengues.

Numa ótima entrevista, Tweedy revela que, apesar de os álbuns anteriores do grupo sempre terem sido considerados diferentes, o grupo nunca quis soar como algo que não fosse eles mesmos. Mas só agora o Wilco teria chegado lá.

O sétimo trabalho do grupo mostra músicos descontraídos, satisfeitos e confiantes. Sem egocentrismo, Wilco (The Album) gravita com tranquilidade e bem estar em torno da própria banda. Eles se afirmam, se entregam e, mesmo correndo o risco de escorregarem na pieguice, abrem o coração. “Wilco will love you, baby.” (Ops. Escorregão nº1).

O Wilco está mais livre, sossegado e também mais saudável. (Jeff até comemora que, depois de quatro anos sem fumar, sua voz está mais forte). Por outro lado, parece impossível não apontar que The Album, apesar de um bom disco, é desconcertantemente fraco diante do que a banda já fez. Falta a este sétimo trabalho, com exceção de “Solitaire” e “Bull Black Nova”, o potencial de arrebatamento presente em canções como “Misunderstood” e “I am trying to break your heart”, entre tantas outras.

Faltou a arte de sintonizar letras instigantes a melodias e arranjos que dosassem a medida exata de delicadeza e visceralidade, de angústia e esperança. Faltou conflito. Talvez tenha faltado matéria-prima.

Em “I'll fight”, a letra diz 'eu vou lutar/matar/morrer por você' (escorregão nº2) enquanto o tom de voz e a melodia parecem anunciar um piquenique com os sobrinhos no fim de semana. Já em “You and I”, Feist e Tweedy fazem um dueto que ficaria melhor ao lado de "1,2,3,4", integrando um álbum da canadense.

Não que todas as faixas precisassem ser capazes de acelerar batimentos cardíacos ou provocar catarses. Nem que o caos e o desespero sejam imprescindíveis para compor músicas arrebatadoras. Mas Jeff e companhia que me desculpem, Wilco (The Album) não faz jus ao nome.

*Ps - “O que falamos quando falamos de amor” é um conto do escritor norte-americano Raymond Carver, que narra uma noite entre quatro amigos e a gradativa (e etílica) eclosão de inquietações e lembranças relacionadas ao amor ou sentimentos que o valham

Wilco (a foto de divulgação)

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