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Smells like teen spirit

07.08.09

por Renné França

G.I. Joe – A origem de Cobra

(G.I. Joe: Rise of Cobra, EUA, 2009)

Dir.: Stephen Sommers
Elenco: Channing Tatum, Sienna Miller, Ray Park, Marlon Wayans, Jonathan Price, Dennis Quaid, Joseph Gordon-Levitt, Rachel Nichols

Princípio Ativo:
bobagens absurdas

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“GI Joe – A Origem de Cobra” é uma grande bobagem. E isso é ótimo.

Explico: quando “Cassino Royale” foi lançado três anos atrás, iniciou uma abordagem mais contida e realista de James Bond que, apesar de muito interessante, decretou o fim de produções com absurdos divertidos. O que a adaptação para o cinema dos nostálgicos “Comandos em Ação” faz é recuperar esse exagero descompromissado com bugigangas tecnológicas implausíveis, vilões megalomaníacos para lá de caricatos e cenas de ação impossíveis. Poucas coisas são tão cool quanto uma batalha submarina.

Mas além de pagar tributo a 007, “GI Joe” tem um ritmo juvenil de revista em quadrinhos que funciona bem nas mãos de Stephen Sommers. Apesar de faltar ao diretor a leveza de um Jon Favreau e a elegância de um Sam Raimi, seu maior acerto é contar a história em uma ambientação assumidamente fake, com cores saturadas que indicam um universo de fantasia onde tudo é possível. A distinção fica ainda maior na câmera mais “realista” dos vários flashbacks que pontuam a trama e incomodam pela quebra da narrativa. Só servem para diminuir um pouco a cara de propaganda militar norte-americana que os bonecos e desenhos sempre tiveram.

A história tem problemas, mas é bem amarrada, contando a entrada de Duke (Tatum) para o grupo de elite GI Joe. Durante uma crise de segurança mundial, a misteriosa organização Cobra pretende usar ogivas de nanotecnologia em ataques terroristas a diversas nações.

Sommers tenta alicerçar sua aventura em cima de um amor impossível entre o mocinho Duke e a vilã Baronesa (Miller), mas a coisa não funciona pela limitação do elenco. Tatum, principalmente, não dá conta de nenhuma cena minimamente dramática, diminuindo o impacto de várias sequências. Miller, se não é grande atriz, pelo menos constrói uma personagem irresistivelmente charmosa que só não rouba o filme dos herois porque a interpretação muda de Ray Park como o ninja Snake Eyes é na medida para os antigos fãs e empolgante para os novos.

Assumidamente o capítulo inicial de uma série, “GI Joe” passa longe da bomba que se anunciava e funciona como uma divertida história de origem, além de trazer como atrativo extra alguns veículos idênticos aos antigos brinquedos. É formulaico e alguns efeitos não convencem (exatamente como vários filmes juvenis dos mesmos anos 80 que viram o auge dos “Comandos em Ação”), mas tem forma, cor e cheiro de espírito adolescente. Uma bobagem muito bem feita: que venham outras.

Mais pílulas:
- Transformers – a vingança dos derrotados
- Speed Racer
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Tick tick tick tick tick....BOOM!

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