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O lado negro de Lucas

31.05.05

por Fernando Guerra

Star Wars Episódio 3 - A vingança do Sith

(Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith, EUA, 2005)

Dir.: George Lucas
Elenco: Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen, Ian McDiarmid, Samuel L. Jackson

Princípio Ativo:
Expectativa de que o círculo realmente se feche

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George Lucas não tem do que reclamar. Desde o lançamento do Guerra nas Estrelas original em 1977 até este ano, segundo estimativas da Revista Forbes (putz, nunca imaginei que fosse fazer esse tipo de citação), a franquia rendeu 20 bilhões de dólares pelos 6 filmes, 140 títulos de games, livros, quadrinhos, séries e merchandising. Nem seu criador pode negar que o grande tchan está no lado negro da força. Afinal, é uma hexalogia (?) sobre o Zé Pequeno intergaláctico, Darth Vader. Por isso a saga termina com o “nascimento” dele e é curioso analisarmos os contextos, incidentais ou não.

No início da década de 80, Guerra nas Estrelas teve destaque na cultura pop e além. Os discursos de Reagan se apropriavam do maniqueísmo inicial para pintar o inimigo socialista como Império do Mal, e lançar o programa que leva o nome da saga. Nos episódios IV, V e VI conhecemos o que achamos ser o mal e o bem claramente delimitados. Já nesses últimos, nada é o que parece. Lucas direciona o olhar para a corrupção das coisas. O “lado negro da Força” diz mais do american way of life do que qualquer inimigo.

Genial esse Lucas, né? Talvez. Nada nos recentes filmes é realmente o que parece: cenários, diálogos (osso duro, principalmente nos últimos dois), atores, personagens, nada. Ewan McGregor, o melhor ator da nova trilogia, já não suportava contracenar com quem não existia em um cenário que não estava lá

A saga ficou pouco confortável ao lidar com emoções humanas, como é visto no forçado romance de Padmé e Anakin no episódio II e a rodo nesse terceiro episódio. Assim como o personagem principal, Lucas se rendeu aos charmes da máquina (o capacete de Vader reúne as simbologias do capacete da Gestapo, a máscara do samurai, a cor escura do mal e o visual de ciborg). O resultado é um desfecho um tanto frio que parece ter agradado aos fãs.

Quando se abraça a idéia de corrupção, pode-se ainda levar em conta pontos que tornam este episódio o melhor da trilogia recente. A abordagem menos maniqueísta encabeça a lista. Entende-se melhor a perspectiva do lado negro e em alguns momentos há uma discordância sobre a legitimidade do conselho Jedi, que faz com que a audiência compartilhe da confusão de Anakin. Os nós que amarram essa trilogia à outra são, em geral, bem atados, com exceção talvez da explicação sobre a habilidade de um Jedi se tornar um fantasma, como ocorre na trilogia antiga. O círculo se fecha com Episódio III como algo no meio exato entre o ótimo e o péssimo filme, tendendo ao lado negro da força, eu diria.

Então a onda do momento é a corrupção e o lado negro

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