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Pequenas notáveis

16.09.09

por Daniel Oliveira

Uma prova de amor

(My sister’s keeper, EUA, 2009)

Dir.: Nick Cassavettes
Elenco: Abigail Breslin, Sofia Vassilieva, Cameron Diaz, Jason Patric, Alec Baldwin, Evan Ellingson, Joan Cusack, Heather Wahlquist

Princípio Ativo:
Breslin e Vassilieva

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“Uma prova de amor” é composto basicamente de:

1- uma desconsideração absurda e descarada da racionalidade

2- um estupro emocional

3- e as cenas de Abigail Breslin e Sofia Vassilieva.

O primeiro porque a premissa da filha que entra na justiça contra os pais pedindo emancipação médica já não é fácil de engolir – e a falta de verossimilhança das cenas no tribunal (especialmente a última) não ajuda muito. O segundo porque todo mundo já sabe que o câncer é horrível, trevas e tudo de ruim e o filme explora ao máximo o que de mais escatológico e doloroso a doença pode causar. E o terceiro porque, apesar de tudo isso, em quase todas as cenas das irmãs Kate e Anna seus olhos vão marejar com a cumplicidade e a dor de duas garotas tão jovens.

Anna (Breslin) foi gerada para fornecer células, sangue (e, eventualmente, órgãos) para a irmã Kate (Vassilieva), que sofre de um tipo raro de leucemia. Após 11 anos de sofrimento, ela decide contratar um advogado, Campbell (Baldwin), para que não seja obrigada pelos pais, Sara (Diaz) e Brian (Patric), a doar um rim para a irmã agonizante. O roteiro reproduz o vaivém temporal do livro de Jodi Picoult, alternando entre narrações em off de cada um dos membros da família, que ainda inclui o primogênito dislexo Jesse (Ellingson).

E essas locuções são o principal sintoma do mal que acomete “Uma prova de amor”. Elas são uma das muletas usadas pela direção débil de Nick Cassavettes (Alpha Dog) para ressaltar sentimentos que deveriam ser sugeridos somente por imagem e atuação. A outra é a trilha musical. Greg Laswell, Priscila Ahn e Vega4 são chupados de “Grey’s Anatomy”, onde eles soam menos agressivos e parte mais orgânica do formato televisivo. Já no filme, o uso exagerado denuncia a incapacidade da direção de imprimir por si só as emoções necessárias, tornando a abordagem do câncer ainda mais gratuita e exploradora. Some-se por fim as limitações de Cameron Diaz, incapaz de expressar mais de uma emoção ao mesmo tempo, o que torna a insistência de Sara em salvar Kate e explorar Anna uma caricatura unidimensional. A prescrição correta seria Naomi Watts.

Restam o belo idílio amoroso de Kate no meio do filme, que revela em Sofia Vassilieva (uma das filhas de Patricia Arquette em “Medium”) uma atriz promissora, e as difíceis cenas de Abigail Breslin. Que ela consiga tornar críveis as falas de Anna é prova de seu talento impressionante. A cena quase silenciosa entre ela e a juíza é mais sutil e eficiente que o longa inteiro. É como se o resto do filme precisasse do câncer para sobreviver (e emocionar). E as duas, Breslin e Vassilieva, não.

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