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A verdade dói

18.09.09

por Daniel Oliveira

A verdade nua e crua

(The ugly truth, EUA, 2009)

Dir.: Robert Luketic
Elenco: Katherine Heigl, Gerard Butler, Bree Turner, Eric Winter, Nick Searcy, Cheryl Hines, John Michael Higgins

Princípio Ativo:
machismo nu e cru

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Lá pelas (bem) tantas de “A verdade nua e crua”, eu esfreguei os olhos e pensei: “essa cena até que é boa...”. Um segundo depois, porém, meu cérebro ligou de novo e gritou, desesperado:

- Nãaao!!! Eu estou anestesiado e diminuindo a cada minuto, mas NADA nesse filme é bom!

Coitado. Ele estava certo. E o fato de que eu sobrevivi aos 96 minutos de projeção prova que todo o mato que eu venho comendo no almoço tem surtido efeito na minha resistência. “A verdade” não é só nua e crua (e feia). Ela é dolorosa. O filme do diretor Robert Luketic não é ruim. Ele é uma ofensa ao bom senso, à inteligência e deveria ser usado como prova num julgamento que mande seus responsáveis para a cadeia. Porque se fazer algo tão estúpido e vazio não é crime, deveria ser.

Abby (Heigl) é a competente produtora de um programa matinal em decadência. Como toda profissional bem sucedida nas comédias românticas, ela é imatura, neurótica, insegura, controladora e incapaz de manter relacionamentos humanos adultos. Ou seja, infeliz. A chegada de Mike (Butler), apresentador de um quadro chauvinista de sucesso, vai salvar não só o programa, como ensinar a protagonista a se liberar e ser a boa vadia que todo homem gosta.

Sim, a premissa é exatamente essa. Abby, inteligente mas psicologicamente boçal, procura o homem ideal. Para isso, ela segue (de forma nem um pouco realista) uma lista de expectativas/exigências. Mike explica a ela que essas coisas não existem: homens são chimpanzés porcos em busca de fêmeas vulgares e sexo fácil.

É como se o rei Leônidas chegasse em Grey's Anatomy e dissesse para as mulheres que elas devem abrir mão de sua carreira e inteligência e se tornar peitudas de clipes de rap, caso queiram pegar os 300 homens trogloditas de seu filme. E o pior de tudo: elas concordam.

“A verdade nua e crua” é a comédia romântica mais machista a que você já assistiu. Só que a comédia não é engraçada. E o romance é revoltante. É constrangedor ver um filme submeter uma mulher a situações terrivelmente humilhantes e pregar que aquilo é necessário para “encontrar o amor e ser feliz”. Detalhe: o roteiro foi escrito por quatro mulheres. E produzido por outras duas, Katherine Heigl e sua mãe.

Heigl, a mesma que disse que “Ligeiramente grávidos” era chauvinista e que o texto de “Grey's anatomy” era ruim. Que não acrescenta nada à sua carreira aqui e deveria seriamente rever seus conceitos. E as coisas não são melhores para Gerard Butler. Qual o problema dele que até hoje não fez nenhum filme bom? Médio? Vários. Realmente bom? Zero. Pronto, taí a verdade nua e crua. Poupe-se da tortura.

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