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Engraçadinho

01.10.09

por Daniel Oliveira

Tá chovendo hambúrguer

(Cloudy with a chance of meatballs, EUA, 2009)

Dir.: Phil Lord e Chris Miller
Vozes de: Bill Hader, Anna Faris, James Caan, Andy Samberg, Lauren Graham, Bruce Campbell, Neil Patrick Harris, Will Forte

Princípio Ativo:
inho

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“Tá chovendo hambúrguer” é bonitinho, engraçadinho, bem-feitinho, coloridinho e (COLOQUE AQUI O ADJETIVO DE SUA PREFERÊNCIA)zinho. É como aquele bebê gordinho/futura criança obesa que você não consegue não apertar a bochecha.

Mas é idiota demais. Sinto muito. Exatamente como aquele bebê gordinho/futura criança obesa (que não faz nada digno de nota, mas você é obrigado a achar fofo mesmo assim porque...afinal, é um bebê). A história do loser/nerd/atrapalhado que inventa uma máquina que transforma água em comida tem pelo menos um pé em Estupidoville e, apesar do roteiro conseguir transformá-la em um filme de uma hora e meia, ele o faz usando fórmulas (com o perdão do trocadilho óbvio) nem um pouco inventivas.

A tal máquina, numa série de eventos cartunescos que as crianças vão adorar, acaba no meio das nuvens (!), ocasionando a anomalia meteorológica do título. Essa é a prerrogativa para que seu inventor, Flint Lockwood, passe de fracassado a celebridade em sua ilha (também fracassada), com direito a entrevista para a repórter do tempo (que, caso você tenha duvidado por um milésimo de segundo, sim, vai se apaixonar por ele). Além de permitir que ele processe todos os sentimentos de rejeição e/ou busca pela aprovação do pai, um pescador que não entende seu espírito...inventivo (esse, caso você tenha duvidado por um milésimo de segundo, sim, é o grande drama do filme).

A adaptação dos diretores Phil Lord e Chris Miller para o livro de Jon & Rudy Barrett, de pouco mais de 20 páginas, não deixa de ser competente. A forma como eles retratam a transformação da ilha, um lugar cinza e sem cor, à base de sardinha, para um lugar multicolorido pela precipitação alimentícia é visualmente bonita e utiliza o 3D de forma natural e nem um pouco agressiva.

O problema é mesmo o roteiro formulaico, com personagens esquemáticos, vilões maquiavélicos e aquela estrutura óbvia com um final que só não está mais na sua cara que as imagens tridimensionais. Ele só ganha vida nas gags a cada 20 segundos – que devem funcionar melhor na versão original com as vozes que vão de Saturday Night Live (Bill Hader, Andy Samberg, Will Forte) à nata do sitcom (Lauren Graham, Neil Patrick Harris), passando por Anna Faris.

Mesmo essas gags são, em sua maioria, bem óbvias. E isso não é um deslize do filme. Ele quer ser assim. “Tá chovendo hambúrguer” é um filme pensado para crianças, com mira no bolso de toda a família. Ele quer ser (COLOQUE AQUI O ADJETIVO DE SUA PREFERÊNCIA)zinho. E por mais que eu seja mesquinho, chatinho e velhinho, devo admitir: nesse objetiv(inh)o, ele sucede plenamente.

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Além de hambúrguer, chove isso tudo aí. Hambúrguer, portanto, é uma metonímia. #PILULAULA

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