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Quando o tempo não é remédio

19.10.09

por Marina Borges

Te amarei para sempre

(The time traveler's wife, EUA, 2009)

Dir.: Robert Schwentke
Elenco: Rachel McAdams , Eric Bana , Arliss Howard , Ron Livingston, Jane McLean.

Princípio Ativo:
best-seller, sobrenatural e romance

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Antes mesmo de ser lançado, os direitos para a adaptação cinematográfica do romance “A mulher do viajante no tempo”, escrito pela americana Audrey Niffenegger, foram comprados por Brad Pitt e Jennifer Aniston. À época casados, os dois pretendiam interpretar a história de um viajante temporal e sua esposa – mas, como já pregava “Irreversível”, o tempo destrói tudo.

No lugar de Pitt, entrou Eric Bana como Henry, um homem que viaja pelo tempo quando passa por momentos de grande stress - “habilidade” descoberta ainda criança e que o salvou do acidente de carro que matou sua mãe. Ele não pode controlar suas idas ao futuro ou passado, nem mudá-los ou levar objetos consigo. Em resumo, seu livre-arbítrio inexiste e o fato de ser “teletransportado” nu o coloca em situações de... “vulnerabilidade”.

Quando Clare (Aniston McAdams), a esposa, conhece Henry, ela tem 6 anos e ele, mais de 30. Ela lhe empresta um cobertor e ouve sua história. Nasce então o “amor para sempre” e Clare passa a esperar por cada uma de suas aparições, sempre carregando roupas e anotando esses encontros num diário. Mas Henry só a conhecerá mais tarde, aos 20 e poucos anos. É ela que lhe conta tudo que soube (dele próprio, aos 38 anos).

A Clare de 6 anos conheceu o Henry de mais de 30, mas o Henry de 20 ainda não sabe disso. Entendeu? Colocando os dados do roteiro em perspectiva e aplicando a eles as regras citadas, tudo fica confuso e aparecem buracos que o filme não consegue explicar. Mas aqueles que não se aterem a isso, acompanharão uma história de amor em que os desencontros permanecem e em que Clare apresenta Henry a si mesmo, contando muito de seu(s) futuro(s).

As viagens de Henry geram bons momentos, como o dia do casamento e os encontros com a pequena Clare. Mas o grande potencial de conflito dessa condição é pouco explorado. O que seria uma dificuldade considerável em relacionamentos reais (o fato de não ser possível contar com a pessoa com quem se divide a vida) é um problema menor aqui, devido à abnegação de Clare. E quando a anomalia de Henry oferece perigo à sua vida, a impressão é de que a história poderia ter sido mais intensa.

Cenários bonitos, música bem usada e atuações na média vão fazer com que você saia do cinema considerando que o dinheiro foi bem gasto. E, para as meninas, vai contribuir o fato de que Bana aparece muitas vezes nu. O filme fez sucesso nos Estados Unidos, ficando em terceiro lugar em seu fim de semana de estreia (competindo com “G.I. Joe” e “Distrito 9”). A julgar pelos gemidos que ouvi no cinema, vai ser sucesso por aqui também.

Mais pílulas:
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Eric Bana, num dos raros momentos vestidos (há um certo pudor no filme).

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