Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Por uma civilização mais Cusack

12.11.09

por Daniel Oliveira

2012

(EUA/Canadá, 2009)

Dir.: Roland Emmerich
Elenco: John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Amanda Peet, Oliver Platt, Danny Glover, Thandie Newton, Woody Harrelson, Thomas McCarthy

Princípio Ativo:
o Nível Cusack

receite essa matéria para um amigo

Em “2012”, Roland Emmerich (Independence Day, O dia depois de amanhã) destrói o mundo com os poderes catastróficos do CGI e de sua obsessão apocalíptica de novo. A desculpa da vez é uma previsão do calendário maia, misturada com erupções solares e neutrinos (?), interpretados de forma ridiculamente tendenciosa e conspiratória. O importante é que o mundo acabe com muitas explosões e catástrofe – e isso a produção entrega satisfatoriamente.

A grande adição de Emmerich ao gênero-de-si-mesmo em “2012” é John Cusack como protagonista. Afinal, se o mundo vai vir abaixo e alguém sobreviverá para repovoar a Terra, ninguém melhor que um dos caras mais bacanas do planeta, certo? Imagine uma civilização descendente dele. No universo apocalíptico/assassino (e nada cool) de Emmerich, o ator se torna um parâmetro para a seleção natural dos demais personagens não tão cool / descolados / John Cusack nessa vida.

Durante a projeção, eu batizei essa escala de “Nível Cusack”. Ela vai de zero a Cusack e, com base na carreira do ator, pode ser calculada a partir das seguintes perguntas:

1- Você é um artista, escritor, músico, apreciador de arte e/ou cultura pop, sem ser pedante, famoso e/ou rico demais?

2- Você é tímido, não é engraçado, mas seu charme faz de você desajeitadamente divertido e sagaz?

3- É legal, boa pinta, mas fracassado no amor?

4- É talentoso, mas pouco reconhecido, tem um emprego medíocre sem ser amargo nem frustrado por isso?

5- É boa pessoa, mas não exatamente certinho e moralista do tipo que toma as decisões certas o tempo inteiro?

6- Seu personagem não é “espertinho” nem tem NENHUMA frase infame, de efeito, piadinha barata, muito menos lição de moral?

“2012” tem uma torcida do Flamengo de personagens ridiculamente caricatos e porcamente desenvolvidos, prestes a serem engolidos pelo CGI de Emmerich caso não atinjam a média no “Nível Cusack”. Guarda-costas russo que faz piadas machistas enquanto pilota um avião? NC baixo. Filha do presidente que cuida de obras de arte e tem compaixão pelo resto do mundo? Um pouco mais alto.

Não se trata de uma regra, mas todos que se estrepam no fim dos dias de Emmerich têm NC baixo. Tentar prever o destino deles com base na escala é o melhor passatempo para os interlúdios de diálogos ruins e lições de moral que preenchem os buracos entre os 158 minutos de explosões e cataclismas.

“2012” é isso: um roteiro obnóxio, com personagens ridículos e cenas estupidamente hilárias – divertidas, se você desligar o cérebro. Mais que isso, porém, é uma proposta revolucionária – e desde já, apoiada pelo Pílula - para a seleção natural.

Mais pílulas:
- Poseidon
- O dia em que a Terra parou
- Guerra dos mundos
- Navegue por todas as críticas do Pílula

Parte de ser Cusack na vida é correr mais rápido que um avião.

» leia/escreva comentários (0)