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Sem amor nem sexo

22.11.09

por Daniel Oliveira

Lua nova

(The Twilight saga: New moon, EUA, 2009)

Dir.: Chris Weitz
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Anna Kendrick, Ashley Greene, Michael Sheen, Dakota Fanning

Princípio Ativo:
cine prive (sem sexo) para garotas

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A melhor cena, pelo menos a mais engraçada, de “Lua nova” é uma conversa entre Bella (Stewart) e Jacob (Lautner) no quarto dela, em que a moça começa a alisar o abdômen dele. Assim, do nada. Como aquele sujeito que conversa com uma mulher gostosa e, sem ver, põe a mão no peito dela.

Abandonada pelo vampiro Edward (Pattinson) – afinal, o sexo quente e selvagem dele pode matá-la e isso é perigoso blábláblá – Bella fica deprimida, suicida...e carente. Então Jacob – com o tanquinho de fora em 90% de suas cenas porque, aparentemente, ele é too sexy for his shirt – se torna o consolo erótico-afetivo dela. (Consolo não-vibrador porque sexo é ERRADO segundo Stephenie Meyer e Bella é virgem).

“Lua nova” é isso: um Cine privé para (pré) adolescentes com hormônios em ebulição, em que os homens aparecem a) sem camisa; ou b) sem camisa na chuva; ou c) caminhando com olhar sexy em câmera lenta (possivelmente sem camisa). Na religião de Meyer, os rapazes são monstros atraentes exibidos em uma vitrine. Mas só podem ser usados após o casamento. A protagonista até recebe um aviso bem ameaçador na figura de uma mulher marcada para sempre porque ousou fazer sexo com um deles.

Os diálogos são dignos de novela das 6 e Bella faz da observação do óbvio um exercício contra a perspicácia (“você cortou o cabelo?” “Por que estão todos de vermelho?” “Você até que é bonito”). Se Catherine Hardwicke fez da personagem uma outsider simpática em “Crepúsculo”, Chris Weitz e a roteirista Melissa Rosenberg a transformam aqui em uma resmungona egoísta, sem personalidade nem um pingo de amor próprio.

“Lua nova” pena de um falatório interminável e uma duração bem acima da necessária. Grande parte do filme é alicerçado na construção do relacionamento entre Bella e Jacob – um flerte fadado ao nada, já que desde o início Meyer e Rosenberg gritam na sua cara que Bella e Edward são como Romeu e Julieta. E Weitz não tem metade do talento de Hardwicke e seu entendimento da adolescência que, no filme anterior, tornavam o colégio verossímil e buscavam dar aos relacionamentos a complexidade ausente nos livros. O diretor ainda é um completo #FAIL em cenas de ação, utilizando trilhas equivocadas ou cortando para as reações fracas de Kristen Stewart a cada dez segundos.

Mas nada que eu disser aqui fará diferença para as fãs da saga. Tenho uma irmã de 11 anos e sei disso. Para ela(s), uma mensagem: sexo não é errado, quando feito com a pessoa e no momento certo. E o fato de um garoto terminar o namoro não é motivo para suicídio ou depressão. Você pode não entender isso agora, mas no futuro vai ver que o amor mais importante de todos é o amor próprio. E esse nenhum dos personagens de “Lua nova” tem.

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Sério: ele deve ser muito sexy pra camisa dele.

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